A CI&T acaba de comprar a Dextra, unindo duas das maiores empresas focadas em transformação digital do Brasil e criando uma gigante com faturamento de R$ 1,4 bilhão e presença global. 

A aquisição de hoje — 100% em cash — é a maior da história da companhia, e aumenta sua escala num momento em que a CI&T quer acelerar sua expansão internacional e já mandatou Goldman Sachs, Citigroup, Morgan Stanley e JP Morgan para um IPO nos EUA, pessoas a par do assunto disseram ao Brazil Journal. 

Tanto a CI&T quanto a Dextra têm crescido a taxas impressionantes. No ano passado, a primeira faturou pouco mais de R$ 1 bi, com um crescimento de 44%; já a Dextra faturou R$ 220 milhões, uma alta de 49%. 

Nos últimos doze meses encerrados em maio, o faturamento pro forma da nova empresa já teria batido R$ 1,4 bilhão, disse o fundador, Cesar Gon.

A CI&T é uma das raras empresas de tech que consegue aliar crescimento robusto com forte geração de caixa — uma fórmula que atraiu um investimento da Advent há dois anos, quando a gestora de private equity comprou os 30% da CI&T que pertenciam ao BNDES. 

Segundo Gon, a aquisição da Dextra está sendo feita apenas com geração de caixa. 

A CI&T e a Dextra — que até agora pertencia ao Grupo Mutant — operam num nicho que explodiu nos últimos anos e já movimenta mais de US$ 620 bilhões globalmente: os chamados ‘digital specialists’, um sub-segmento do mercado de serviços de TI, formado por empresas que ajudam grandes corporações a fazer sua transformação digital.

Tipicamente, elas oferecem um serviço ‘end to end’ baseado nas metodologias agile e lean. Os serviços vão da concepção da estratégia digital ao design e criação do produto, incluindo toda a engenharia de software. 

A Anheuser-Busch InBev (ABI), por exemplo, usou a CI&T para construir o BEES, o marketplace B2B que permite que bares e restaurantes comprem outros produtos além de cerveja. 

A carteira de clientes das duas empresas que estão se unindo é complementar. 

A CI&T tem contas como Itaú, Bradesco, SulAmérica, Nestlé, Coca-Cola, ABI e Centauro. Já a Dextra atende a Serasa, Rede Globo, Banco Pan, Dafiti, Dasa e Via (formerly Via Varejo); nos EUA, seu maior cliente é a Sita, uma companhia de infraestrutura para o setor aeroportuário. 

“Nosso mercado é fácil de entender do lado da demanda — toda empresa está buscando sua transformação digital, se posicionar no século 21 e concorrer com os gorilas digitais,” diz Gon. “Mas é difícil de entender do lado da oferta, já que o mais importante no final do dia é ter gente capacitada para executar essas estratégias e serviços.” 

A aquisição ajuda nessa frente, porque coloca para dentro da CI&T um time de mais de 1,2 mil profissionais especializados no assunto, que se somam aos 4 mil da CI&T. O fundador e CEO da Dextra, Eduardo Coppo, continuará como executivo da nova empresa. 

No Brasil, a CI&T diz não ter concorrentes diretos, já que as outras empresas atuam apenas em partes do processo, e não no todo. Lá fora, os principais players desse segmento são a Globant, que nasceu na Argentina e já vale US$ 9 bi em Nova York, a Endava e a EPAM System, que vale quase US$ 30 bi. 

Esta é a quarta aquisição da CI&T desde que ela foi fundada em 1995 por Gon e dois amigos que haviam acabado de se formar na Unicamp. 

Em 2009, ela comprou a brasileira BI-One, especializada em data analytics, e fez uma joint venture com a japonesa Rococo Co. Oito anos depois, adquiriu a americana Comrade.