O mundo corre o risco de “perder o controle” da inteligência artificial se os governos demorarem para criar uma regulação conjunta.

O alerta partiu do primeiro-ministro chinês, Li Qiang, em seu pronunciamento na assembleia do encontro de verão do World Economic Forum, em Dalian, na China.

xi jinping

“A velocidade do progresso tecnológico não tem precedentes,” disse o premiê. “No entanto, não podemos ignorar os riscos cada vez mais evidentes de perda de controle sobre a tecnologia e de falhas éticas. Se a governança nessa área não acompanhar esse ritmo, poderá haver consequências graves.”

Li usou seu discurso para situar a China como um “porto seguro” para os investidores em um mundo vivendo “múltiplos choques – incluindo escassez global de energia e graves perturbações nas cadeias de produção e abastecimento.”

De acordo com o número 2 da China, nunca antes a inovação esteve tão profundamente interconectada, mas as barreiras à colaboração internacional “estão aumentando.”

“Esforços coletivos que transcendem disciplinas e fronteiras nacionais tornaram-se a norma para a inovação,” afirmou. “Contudo, muros, barreiras e bloqueios tecnológicos também estão se tornando cada vez mais disseminados. A inovação que realmente transforma e beneficia o mundo deve sempre se abrir para o mundo e abraçá-lo.”

O premiê defendeu ainda o multilateralismo, afirmando que “nenhum país ou empresa consegue obter sucesso sozinho.”

Falando a uma plateia de executivos e empresários, o premiê disse que “as empresas são a principal força de inovação.”

“Olhem além dos disputados ‘oceanos vermelhos’ de hoje em direção aos vastos ‘oceanos azuis’ que se estendem à frente – utilizem a inovação para expandir o mercado global, ampliar as oportunidades e conquistar o futuro para seus negócios,” disse. “Promovam a cooperação global em inovação; derrubem muros e construam pontes; gerem novas ideias por meio do intercâmbio e do aprendizado mútuo.”

A China obviamente quer aproveitar a AI como uma nova e poderosa frente de negócios em sua conquista dos mercados internacionais.

No ano passado, Li apresentou um plano com 13 pontos para o desenvolvimento e a governança dessa nova tecnologia.

“A diplomacia de Beijing está migrando de uma abordagem centrada na exportação de infraestrutura e padrões técnicos para um esforço mais abrangente que visa a reformulação de regras, normas e instituições globais de governança da AI,” escreveu Arindrajit Basu, um consultor da ONU para a área de digitalização e direitos humanos, em um artigo para o Carnegie Endowment for International Peace.

“A proposta, embora pouco detalhada quanto aos aspectos logísticos e administrativos, sinaliza a intenção da China de moldar e sustentar instituições globais de governança da AI,” disse Basu, o que incluiria estabelecer normas para refletir os seus “interesses autoritários” – e “espera receber a adesão do Sul Global à sua visão de governança centrada no Estado.”

Em reunião do G7 na semana passada, os CEOs da Anthropic, Dario Amodei, e da Google Deep Mind, Demis Hassabis, defenderam que uma coalizão liderada pelos EUA deveria definir as regras e os padrões da governança da AI.

Segundo a CNBC, Amodei e Hassabis propuseram, durante um almoço a portas fechadas, que haja uma cooperação internacional contra os riscos associados à tecnologia.

Scott Bessent ok

Amodei repetiu o que vem afirmando em artigos e entrevistas. Disse que as áreas de cooperação deveriam incluir acesso estruturado a modelos de ponta e o controle das vendas de chips e componentes críticos – excluindo a China de alguns insumos. Para ele, a colaboração multilateral precisa monitorar ameaças em cibersegurança, bioterrorismo e inteligência.

Apesar dos chamados à cooperação vindos de Beijing, os EUA veem o desenvolvimento da AI como parte de uma guerra geopolítica e geoeconômica.

Dois dias atrás, falando no Economic Club de Nova York, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que “o maior risco da AI é a China nos superar.”

Para Bessent, a disposição chinesa em debater a governança da AI evidencia a liderança tecnológica americana.

“Sou um dos principais responsáveis ​​pela nossa política de AI,” afirmou. “Sou o ponto de contato para a relação econômica com a China. Posso dizer que a razão pela qual os chineses estão dispostos a discutir a AI é porque estamos à frente – e por isso temos de nos manter à frente.”

Ambos os países concordaram em realizar discussões formais sobre a governança da AI depois do encontro em Beijing, no mês passado, entre Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.