O americano Zach Yadegari começou a programar praticamente quando aprendeu a ler e escrever, aos 7 anos de idade. Agora já ‘veterano’, aos 19, acaba de se tornar milionário, depois de fechar a venda de seu app viral de contagem de calorias, o Cal AI.
O aplicativo criado por Yadegari com um colega de escola quando ele tinha 17 anos foi comprado pelo MyFitnessPal – um aplicativo de nutrição e saúde que já tem duas décadas de história e milhões de usuários ao redor do mundo.
O valor da transação não foi divulgado, mas o faturamento da startup deve chegar a US$ 50 milhões este ano. O aplicativo já foi baixado em mais de 15 milhões de celulares e aparece entre os mais usados na categoria de saúde e fitness.

A startup tem apenas sete funcionários, incluindo o CEO, Yadegari, e seu amigo de colégio e cofundador do negócio, Henry Langmack. O aplicativo foi lançado em maio de 2004 – e, segundo os fundadores, tem uma precisão de 90%.
A grande inovação do Cal AI foi permitir que o total de calorias e outros nutrientes fosse estimado automaticamente a partir de fotos da comida, graças a modelos de AI.
O aplicativo ficará mais parrudo e ganhará recursos, ao ter acesso a gigantesca base de dados do MFP – que, segundo o TechCrunch, tem em seus arquivos 20 milhões de alimentações registradas, 68.500 marcas de comida catalogadas e lista refeições servidas em mais de 380 redes.
No Cal AI, o usuário preenche dados como altura, peso e idade. A partir daí, estima também a quantidade de proteína, gordura e carboidratos que a pessoa deve ingerir para atingir o seu objetivo – seja perder peso, manter o atual ou ganhar massa.
Daí é só tirar foto do prato e deixar que o aplicativo se encarregue do resto. É possível usá-lo de graça por um período de teste, mas o serviço é pago. No Brasil, sai por R$ 189,99 ao ano.
O Cal AI nasceu quando os fundadores estavam no colegial. Queriam fazer um aplicativo para impressionar as meninas, e, em conversas com amigos, tiveram a ideia de ‘disruptar’ os apps de contagem de calorias que eram então disponíveis – em todos, os números tinham que ser incluídos manualmente, não eram calculados automaticamente. A sacada foi usar os recursos da API processamento de imagens da OpenAI.
A popularidade crescente do app chamou a atenção da MyFitnessPal, um aplicativo que nasceu como site, há mais de 20 anos, e também oferece serviços para acompanhamento de alimentação e atividades físicas. Foi comprado pela Under Armour em 2015, mas em 2020 foi vendido para a Francisco Partners, uma firma de private equity, por US$ 345 milhões.
As negociações entre os fundadores do Cal AI e do MFP duraram quase um ano – com muitas reuniões acontecendo aos fins de semana, para não atrapalhar os estudos dos garotos.
“Olhamos toda a concorrência”, disse Mike Fisher, o CEO do MFP, ao TechCrunch. “Eles [os fundadores do Cal AI] definitivamente chamaram nossa atenção.”
Quando lançou o app, Yadegari ainda morava com os pais, em Roslyn, Nova York. A mãe de Yadegari adora jogos como Minecraft e, quando ele tinha 7 anos, colocou o menino em um summer camp para aprender programação. O garoto ficou vidrado e começou a passar horas e horas assistindo a vídeos de tutorias de código no YouTube.
Antes do aplicativo de saúde e alimentação, o garoto já havia desenvolvido o site Totally Science. Ele ajuda estudantes a disputar jogos online driblando despistando os protocolos de proteção das redes de wifi das escolas. Segundo a CNBC, o site foi vendido em 2024 por US$ 100 mil.
Em agosto do ano passado, o empreendedor deixou a casa dos pais para estudar administração de empresas na Universidade de Miami – mas não deve ir longe na vida acadêmica. Já pensa em deixar a faculdade para fundar uma nova startup, enquanto mantém uma rotina de festas quase diárias em sua mansão na Flórida, como mostram seus posts no Instagram e outras redes sociais.
Em um dos vídeos, aparece dirigindo uma Lamborghini. A placa? ‘CAL AI’.






