Errar é humano, persistir no erro é com Bill Ackman.
 
O antes-aclamado, agora-crucificado gestor americano finalmente desistiu da Valeant, uma teimosia que custou mais de US$ 3 bilhões à sua Pershing Square Capital Management, que administra US$ 12 bilhões.
 
A ação da Valeant já caiu 95% desde meados de 2015, quando Ackman investiu US$ 3,2 bilhões na companhia farmacêutica, mais tarde investigada por aumentar constantemente o preço de medicamentos essenciais para manter seus usuários vivos.
 
Ackman comprou sua participação na Valeant quando a ação negociava a US$ 190, viu o papel subir a US$ 260 e, ontem, o viu fechar a US$ 12,11 — com a notícia de sua saída, a ação caiu mais 10%, para abaixo de US$ 11 no after market.  (Curiosamente, o maior acionista da Valeant não é a Pershing, e sim John Paulson, aquele gestor que ficou conhecido por seu ‘big short’ contra as hipotecas em 2007/2008, mas depois não acertou mais muita coisa. Ano passado, ele também perdeu US$ 3 bilhões.)
 
Segundo a Reuters, o Pershing Square International Fund rendeu 37% em 2014, perdeu 16,6% em 2015 e caiu mais 10,2% ano passado, principalmente por causa da Valeant.
 
A debacle de Ackman na Valeant é mais um caso de gestor autoconfiante que se apega a uma posição: um erro que o mercado raramente perdoa.
 
Numa entrevista ao repórter Scott Wapner, da CNBC, Ackman reconheceu ontem que “deveria ter vendido antes”, que só entendeu “quão ruim era a situação da Valeant” quando entrou no conselho da empresa, há um ano, e que subestimara o estrago que a cobertura da imprensa (sempre ela!) e a queda no preço da ação causariam na empresa.
 
Ainda que esteja deixando a Valeant “num estado em que a companhia pode se recuperar,” Ackman disse que, “mesmo se a ação dobrasse a partir dos níveis atuais”, ela não conseguiria fazer diferença para a performance da sua gestora. A preços de ontem a Valeant representava entre 1,5% e 3% das carteiras da Pershing.
 
Numa nota à imprensa, Ackman disse que o investimento na Valeant estava lhe exigindo “uma quantidade de recursos e tempo desproporcionais”, e que por isso decidiu zerar a posição.
 
Já havíamos narrado aqui, há um ano e quatro meses, como Ackman estava perdendo dinheiro — e a noção.  É uma pena, em se tratando de um gestor que bate o S&P (15% contra 7%) há 12 anos.
 
A Valeant se junta à JC Penney na lista de erros de avaliação colossais cometidos por Ackman, que já foi chamado de ‘Baby Buffett’ pela Forbes. (Ele perdeu US$ 500 milhões na JC Penney).  
 
Sua aposta contra a Herbalife — uma companhia que Ackman acredita ser uma pirâmide — já dura quatro anos, virou filme, mas ainda está no vermelho.  Ackman, que acha que a ação deveria valer ZERO, shorteou o papel no final de 2012, quando ele estava ao redor de US$ 40.  Hoje, está em US$ 54.
 
Em outra aposta gigantesca, Ackman comprou 9,9% da Chipotle Mexican Grill entre julho e setembro do ano passado. A ação da Chipotle havia caído 40% depois que comida contaminada por bactéria apareceu em várias de suas lojas. 

A história ainda não acabou, mas pelo menos aqui Ackman tem bons antecedentes:  a Pershing Square certa vez dobrou seu capital ao investir no McDonald’s e mais que triplicou ao investir no Burger King — em grande parte, graças à 3G.