Um fundo global de real estate da Brookfield fechou a compra de 80% do portfólio da BR Properties por R$ 6 bilhões em dinheiro, fontes a par das negociações disseram ao Brazil Journal.

Um anúncio é iminente.

A transação, que acontece apesar da alta dos juros no Brasil e no mundo e da incerteza que cerca a eleição deste ano, mostra um dos maiores investidores estratégicos do Brasil – com laços históricos com o País – enxergando uma oportunidade no momento macro atual.

Por outro lado, a transação mostra que a ADIA – o fundo soberano de Abu Dhabi, que é dono da maior parte do capital investido pela BR Properties – está jogando a toalha seis anos depois de ter investido no ativo. Na semana passada, a ADIA desmontou seu time de equities dedicado à América Latina e zerou posições em quase 30 companhias listadas na B3. 

A transação vem num momento em que a ação da BR Properties negocia a um desconto de 30% em relação a seu net asset value – há cerca de um mês atrás, o desconto era de 50%. A BR Properties inteira fechou ontem valendo R$ 4,17 bilhões na Bolsa. 

O portfólio que a Brookfield está comprando inclui 11 torres comerciais: sete em São Paulo – incluindo a Torre B do JK Iguatemi – três no Rio e uma em Brasília. 

Com a ação da BR Properties hoje a preços de 2017, a ADIA arregaçou as mangas para tentar gerar valor no ativo. Seus gestores consideraram fechar o capital da BR Properties, mas isso significaria colocar mais dinheiro. Pensaram então em trazer um sócio que alocasse recursos para o fechamento de capital, mas a ideia não progrediu. Por fim, pensaram em vender os ativos caso a caso, em processos separados.

O problema: isso atrairia players de menor porte e geraria um trabalho hercúleo de negociações, além de potencialmente criar uma situação em que apenas os ativos ‘filé mignon’ atraíssem ofertas. 

Ao aceitar ficar com as 11 torres, a Brookfield trouxe uma solução holística.

Depois da transação – que muito provavelmente vai levar a um dividendo extraordinário – a BR Properties continuará dona de duas torres e cinco galpões logísticos. 

O GP Capital Partners VI tem 60% do capital da BR Properties. Mais de 90% do capital do fundo pertence à ADIA.

O BMA Advogados assessorou a BR Properties. 

O BTG Pactual assessorou a Brookfield, que teve aconselhamento jurídico do Mattos Filho e do PMK Advogados.