O PicPay acaba de protocolar na SEC o registro para seu IPO na Nasdaq, buscando recursos para acelerar a expansão de sua carteira de crédito.
A fintech dos irmãos Batista busca captar de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões para reforçar seu balanço num momento de forte crescimento, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.
A operação já tem um investidor-âncora: a gestora Bycicle, de Marcelo Claure, que concordou em investir US$ 75 milhões na oferta. Claure também é o chairman para América Latina da Shein, o ecommerce chinês que tem crescido muito no Brasil.

O lançamento deve acontecer no dia 20 de janeiro e a precificação está prevista para o dia 28 do mesmo mês.
Não está claro qual o valuation almejado pela companhia, mas ela deve mirar nos múltiplos de empresas como Nubank e Inter. Enquanto o Nubank negocia a 18x seu lucro estimado para 2026, o Inter negocia ao redor de 12x.
Com 66 milhões de clientes, dos quais 42 milhões são ativos, o PicPay é o segundo maior banco digital brasileiro, atrás apenas do Nubank. Nos primeiros nove meses de 2025, a receita cresceu 90% para R$ 7,3 bilhões, com o lucro líquido crescendo 82%.
No período, o PicPay lucrou R$ 314 milhões e fez um ROE na casa dos 17%, superior ao do Inter (que fez 14,2% no terceiro tri), mas ainda abaixo dos 31% do Nubank.

De 2021 a 2024, o PicPay cresceu sua receita numa taxa anual composta de 69%. Em 2024, a receita foi de R$ 5,5 bilhões.
A carteira de crédito do PicPay é de R$ 19 bilhões, e cresceu 125% nos primeiros nove meses deste ano, na comparação anual. 40% do total é de cartões de crédito, enquanto o restante é de empréstimos pessoais e corporativos.
O foco do PicPay hoje é nos clientes de baixa renda, com boa parte da base (86%) pertencendo às classes C e D. Mas um dos objetivos nos próximos anos é entrar mais nos clientes de maior poder aquisitivo.
Hoje, 100% do capital do PicPay está nas mãos da J&F Investimentos, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Após o IPO, a participação da J&F deve ser diluída para cerca de 85%, disse uma das fontes.
Segundo essa fonte, o PicPay não tem planos de entrar nos Estados Unidos no curto prazo, e a opção por fazer o IPO na Nasdaq tem a ver com os múltiplos maiores que os investidores americanos atribuem às fintechs e ao fato dos dois principais peers da empresa estarem listados lá.
Os coordenadores da oferta são o Citi, Bank of America e o Royal Bank of Canada (RBC).











