A BP disse que vai fazer um impairment de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões em seu resultado do quarto trimestre, relacionado principalmente a seus negócios de transição energética.

“Quando o verde vira vermelho”, ironizou o colunista de energia da Bloomberg, Javier Blas, ao comentar o anúncio da petroleira britânica no X. A notícia vem no momento em que diversos grupos de óleo e gás, como Shell e Equinor, também reduzem suas ambições em energia verde. 

Na BP, a gestora ativista Elliott comprou mais de 5% da companhia e se engajou numa campanha para que a empresa voltasse a se concentrar em óleo e gás, negócios mais lucrativos.

A BP passa por uma transição de comando desde o final do ano passado, quando o então CEO, Murray Auchincloss, decidiu deixar o cargo. Ele será substituído por Meg O´Neil a partir de abril.

Antes de sair, Murray prometeu um “reset” na estratégia da BP, com realocação do capital para os negócios de maior retorno. Ao lançar o plano, no começo de 2025, ele disse que a BP errou na visão sobre transição energética após a pandemia. “Fomos muito longe e muito rápido.”

Em meio às mudanças, a BP reportou sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos, no bloco de Bumerangue, no Brasil. O anúncio da descoberta veio logo depois do grupo elevar em 20% seu capex em óleo e gás para US$ 10 bilhões por ano. Nos negócios de transição energética, houve um corte de US$ 5 bilhões anuais.

A revisão estratégica também passou pela venda de 49,9% dos ativos de geração solar da BP Lightsource no Brasil. A Petrobras adquiriu a participação por um valor não revelado, em meio a planos de crescer em energia verde, na contramão dos britânicos. 

O ex-CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, demitido por Lula em meio a uma contenda sobre dividendos, alfinetou a transação em uma rede social, alertando para “o risco de confundir transição energética com má alocação de capital.” 

Prates avaliou que, na prática, a Petrobras pagou para ser minoritária enquanto a BP monetiza ativos maduros. “Isso não é parceria estratégica. É transferência de risco com retorno limitado”. Ele ainda disse que não foi “um passo óbvio, nem inteligente” da estatal. 

A aquisição da participação na Lightsource foi aprovada no conselho da Petrobras com cinco votos contrários, segundo a Agência Infra. Um deles foi da representante dos empregados, Rosangela Buzanelli. “Esse projeto não atende, na minha visão, os melhores interesses da Petrobras,” escreveu Rosangela em seu blog, citando a sobreoferta de energia solar no Brasil.