O BTG Pactual elevou a recomendação de Banco do Brasil para “compra” depois que o banco divulgou resultados acima do esperado no quarto tri e um guidance muito forte para 2022. 

Eduardo Rosman diz que a ação está barata demais para ser ignorada, mesmo considerando que o banco é estatal e que 2022 é um ano eleitoral.

O preço-alvo para a ação foi elevado em 18% para R$ 45, um upside de 34% sobre o fechamento de ontem. 

O BB disse ontem à noite que seu lucro líquido ajustado foi de R$ 5,9 bilhões no 4TRI, com crescimento de 60% em relação ao 4TRI2020 e 18% acima do que o mercado esperava. O ROE ficou em 16,6% no trimestre. 

No ano, o banco lucrou R$ 21 bilhões, com alta de 51,4%. O ROE subiu de 12% em 2020 para 15,8% em 2021.  Para o time de Rosman, que inclui Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, os destaques positivos do resultado foram o crescimento do crédito, com inadimplência sob controle, e das receitas vindas de tarifas. 
 
O BB divulgou um guidance de lucro entre R$ 23bi e R$ 26bi em 2022 . Assumindo que o banco entregue o ponto médio dessa estimativa  – R$ 24,5 bilhões (+17%) – o BB está negociado hoje a 3,9x o lucro para 2022, com um dividend yield de 10% e um payout de 40%, calculou o time do BTG. 

O banco vale R$ 96 bi na Bolsa. 

Para os analistas, com o papel na casa de R$ 33, o BB hoje negocia a patamares muito semelhantes aos de 2008. O pico mais recente foi em julho de 2019, quando a ação chegou a R$ 55.

Apesar da ação negociar a 0,7x BV – um grande prêmio em relação às mínimas de 0,4x do final de 2015, nos piores momentos do governo Dilma – ajustando o risco dos dois cenários, é possível dizer que a ação parece estar ainda mais atraente agora, escreveram os analistas.

“Em 2015 tínhamos muito pouca visibilidade sobre o que esperar do resultado do banco em 2016. O Brasil estava atravessando uma recessão muito grande e o capital ‘core’ do banco estava sob grande pressão, e depois de crescer muito acima do mercado por muitos anos, temíamos que o BB fosse sofrer muito mais do que seus concorrentes privados em termos de qualidade de ativos, o que de fato aconteceu,” escreveram os analistas. 

Mas agora, segundo o BTG, o BB está em outra condição. O banco cresceu menos do que o mercado nos últimos anos, tem uma carteira de crédito mais defensiva, com menor exposição a empréstimos sem garantias. E possui capital principal mais forte do que em 2015, mais alinhado com os concorrentes.

O custo de capital do BB, diz o BTG, também está mais baixo hoje do que naquela época, e o banco vem entregando um ROE melhor que o esperado nos últimos trimestres.

O  BTG elevou aua projeção de ganhos do BB em 2022 e em 2023 em 12% e, considerando o ponto mais baixo do guidance, chegou a um múltiplo de 4,2x o lucro para 2022. O P/BV é de 0,9x. 

Os analistas esperam que a ação suba hoje e nos próximos dias, considerando o rally nas ações do Itaú semana passada após um resultado acima do esperado.

Os analistas de outras casas também aplaudiram os resultados acima do esperado, mas alguns consideraram o guidance divulgado pelo banco “desafiador.”

Para os analistas do JP Morgan, o guidance dado pelo BB para a margem financeira bruta em 2022, entre 11% e 15% vai depender de uma melhora significativa nos custos do banco. 

Para os analistas do Bradesco, o resultado da tesouraria será uma variável importante para o BB alcançar essa margem.

O Bradesco projeta lucro de R$ 20,4 bi para o BB em 2022, 17% abaixo do que o BB espera. 

Para a XP, a expectativa de crescimento entre 8% e 12% da carteira de crédito em 2022 também pode ser desafiadora, dado o cenário macroeconômico deteriorado.