Num momento em que a AI ameaça as profissões e os jovens estão aflitos sobre qual carreira seguir, o megainvestidor Bill Gurley está lançando um novo livro – não sobre tecnologia ou startups, mas sobre como construir uma carreira que realmente valha a pena.

Runnin’ Down a Dream – How to Thrive in a Career You Actually Love é uma leitura saborosa, com histórias reais de pessoas de sucesso, incluindo Mr Beast, Bob Dylan, Danny Meyer e o próprio autor. (Compre aqui)

Gurley é um dos nomes mais respeitados do venture capital. Sócio histórico da Benchmark, foi investidor inicial do Uber – empresa na qual teve papel decisivo durante a crise de governança – e da Zillow, um dos marketplaces imobiliários mais bem-sucedidos.

A premissa de seu livro é simples: se passamos cerca de um terço da vida trabalhando, vale a pena escolher algo que realmente nos entusiasme.

Mas Gurley parte de um diagnóstico pouco animador. Pesquisas de William Damon, diretor do Stanford Center on Adolescence, mostram que apenas 20% dos jovens entre 12 e 20 anos têm um forte senso de propósito. A maioria ainda luta para entender o que quer fazer, por que e para onde está indo.

Gurley logo emenda que ter sucesso na carreira não é para qualquer um. Requer estratégia e muito esforço para se ter uma chance.  E para isso, ele dá 6 dicas de sucesso.

1. Encontre algo que realmente te fascine

A maioria das pessoas trabalha em uma área enquanto sua verdadeira curiosidade está em outra coisa, geralmente aquilo em que você pensa toda hora e a que ama se dedicar.

A diferença entre profissionais medianos e excepcionais raramente é apenas talento. Muitas vezes é a obsessão produtiva. Quem ama o que faz lê mais, estuda e pratica mais.

Gurley recomenda o que chama de “circular com propósito”: explorar ambientes, ideias e pessoas até encontrar aquilo que realmente desperta interesse.

Se você está com pessoas que te fazem se sentir melhor, passe mais tempo com elas. Se você está em uma empresa que te faz se sentir melhor consigo mesmo e com o trabalho, e você sente que está aprendendo, continue. Se possível, case aquilo que te fascina com oportunidades de realmente construir uma carreira com bons retornos.

 

2. Nunca pare de estudar

Se você faz o que gosta, o estudo é prazeroso. Gurley elenca três tipos de aprendizado que as pessoas precisam desenvolver ao longo da carreira. Primeiro, você deve aprender a história do setor que escolheu. Depois, precisa se comprometer a aprender continuamente ao longo de toda a carreira. Quais as principais novidades? Quem mais no seu campo tem novas ideias importantes que você deveria conhecer? Em terceiro lugar, você precisa se aprofundar em temas específicos e, se possível, únicos.

Neste sentido, a aceleração da AI traz desafios para todos nós, mas também oportunidades de aprendermos de forma mais eficiente. (Para mim hoje é difícil até escolher, dada a quantidade enorme de podcasts interessantes.)

 

3. Cultive mentores

Poucas coisas aceleram tanto uma carreira quanto aprender com quem já percorreu o mesmo caminho. Gurley distingue dois tipos de mentores.

As aspiracionais — pessoas que você admira à distância e de quem aprende lendo livros, entrevistas e palestras – e os mentores próximos, que podem oferecer orientação direta.

A tecnologia tornou o acesso a potenciais mentores mais fácil. Hoje em dia uma mensagem direta pode iniciar uma relação profissional. A regra para acessar alguém é simples: respeito e curiosidade genuínos. Não tenha medo de pedir. Um “não” custa pouco. Um “sim” pode mudar uma carreira.

Eu particularmente gosto de ler biografias e sempre imagino um conselho de mentores virtual e me pergunto, ‘o que ela/ele faria em uma situação como essa?’

 

4. Colabore com seus pares no setor

Mentores são importantes, mas seus pares podem ser igualmente decisivos. Com uma rede de amigos, você não está sozinho — está evoluindo junto. Cada um traz experiências, interesses, artigos, podcasts, soluções e até fracassos que são aprendizados valiosos.

Carreiras, lembra Gurley, não são jogos de soma zero. Não há apenas um vencedor.

 

5. Vá onde as coisas acontecem

Algumas indústrias têm centros de gravidade. Nos Estados Unidos: tecnologia no Vale do Silício, finanças em Nova York, cinema em Los Angeles.

As vantagens de estar nestes centros são mais empregos: há mais oportunidades quando a indústria toda está concentrada num lugar. Mais networking, mentores e pares: os melhores da área muitas vezes estão a apenas um café de distância. Mais eventos: encontros, painéis e workshops acontecem com muito mais frequência. Exposição às novas tendências.

No Brasil, em relação ao mercado financeiro e negócios em geral, São Paulo é imbatível.

 

6. Seja generoso, retribua

O último princípio é simples, e facilmente esquecido. Ser gentil, generoso e retribuir – seja orientando um colega mais jovem, compartilhando conhecimento com pares ou apoiando superiores. Isso gera boa vontade e apoio mútuo. O que você quer é pessoas torcendo por você.

Eu particularmente gosto de mentorar alunos de graduação. Aprendo muito e estou retribuindo o que muitos fizeram por mim.