A Americanas — dona das Lojas Americanas e da B2W — acaba de comprar o Hortifruti Natural da Terra, uma rede de 73 lojas que diversifica seu negócio de varejo com uma vertical de produtos de alimentação saudável. 

A Americanas está pagando R$ 2,1 bilhões pela empresa, que faturou R$ 2 bi no ano passado, tem margem EBITDA ao redor de 12% e uma dívida líquida de R$ 300 milhões.

A Americanas estima que o múltiplo da aquisição será de 9x EV/EBITDA 2021 quando forem incorporadas as sinergias. Para efeito de comparação, a Americanas negocia a 15x para 2021. 

“Nossos ativos vão potencializar muito o negócio do Hortifruti, e eles vão potencializar o nosso. Todo mundo ganha,” disse Anna Saicali, CEO da IF – Inovação e Futuro, a unidade de negócios encarregada da estratégia de M&A do Universo Americanas.

O CEO Miguel Gutierrez disse ao Brazil Journal que a aquisição “se encaixa em nossas ambições futuras. Não estamos preocupados apenas com volume de vendas, mas também em abrir novas verticais de negócios e aumentar a nossa recorrência.” 

Fundada em 1989 por dois amigos na cidade capixaba de Colatina, o Hortifruti está presente em apenas quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. 

A Americanas disse que vai colocar sua máquina de expansão a serviço do negócio.

A empresa também vai promover a integração do Hortifruti com a AME, a carteira digital da Americanas, que passará a oferecer seus produtos e serviços financeiros aos clientes do Hortifruti.

Hoje, 16% das vendas do Hortifruti já são feitas pela internet — contra uma média de 1% no varejo alimentar nacional — e a empresa tem uma frota especializada para entregas. 

A Americanas vai manter o management do Hortifruti, que conhece a especificidade da operação das lojas e da logística.

Esta é a primeira aquisição de peso da Americanas depois do follow-on do ano passado, quando a companhia deu a entender ao mercado que investiria cerca de R$ 2-2,5 bilhões dos recursos em novos negócios.

A venda do Hortifruti marca a saída do Partners Group, a gestora de private equity suíça que entrou na empresa no final de 2015.

O Hortifruti tem três modelos de loja: 54 são lojas tradicionais, 18 são lojas leves (mais especializadas em produtos de feira) e o resto são dark stores, usadas para a operação de delivery.

A base de clientes vem predominantemente dos públicos A, B+ e B -, e com alta recorrência.  

Na média, os clientes do programa fidelidade do Hortifruti fazem 34 compras por ano, com um tíquete médio de R$ 125 por mês; já os clientes que compram na loja física e no online fazem 67 compras/ano, com tíquete médio de R$ 326 por mês.  (Na operação física das Lojas Americanas, por exemplo, o tíquete médio é de R$ 60 por mês.)

Gutierrez disse que a Americanas tem um recorrência consolidada de 10x — o que inclui desde uma compra na loja física da Americanas, uma compra no Submarino, até uma transação na carteira digital AME — e a meta até agora era chegar a 12x ano que vem. 

A transação está sujeita à aprovação do CADE.

Lazard assessorou a Americanas, que trabalhou com o BMA Advogados.

JP Morgan assessorou a Hortifruti, que teve aconselhamento jurídico do Lefosse.