A Movida surpreendeu o mercado ao antecipar números do quarto tri que superaram seu guidance. A companhia ampliou receita e lucro, e seguiu reduzindo alavancagem.

A ação disparou 12% depois dos dados.

O CEO Gustavo Moscatelli disse ao Brazil Journal que a empresa teve um desempenho “excepcionalmente bom” e que segue com visão construtiva para 2026, mesmo sem colocar na conta um potencial ciclo de redução na Selic que beneficiaria os resultados.

“Geralmente o quarto tri é muito bom, por sazonalidade de férias, final de ano. Mas de fato surpreendemos em todos os indicadores, e acho que só tem upsides daqui para a frente.”

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O lucro líquido da locadora do grupo Simpar atingiu R$ 102 milhões entre outubro e dezembro, um avanço de 65% ante o mesmo período de 2025, ante um guidance de R$ 75 mi-90 mi. O EBITDA cresceu 20% ano contra ano para R$ 1,49 bilhão.

A margem de seminovos manteve-se estável em 1%, o que também foi bem recebido no mercado. A redução de IPI para alguns veículos feita pelo governo no ano passado havia gerado preocupações com o desempenho dessa divisão nas locadoras.  

Analistas do BTG disseram em relatório que os números vieram acima de suas expectativas e do consenso – e que ainda veem a Movida beneficiada em 2026 por uma trajetória mais normalizada de depreciação de seminovos e pelo cenário macro, com a expectativa de que o BC comece a cortar. 

O BTG reiterou sua recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 12, um upside de 27% ante o fechamento de ontem. 

Após um ciclo de expansão mais agressiva até 2023, a Movida passou a priorizar ganhos de eficiência e produtividade, e a fase agora é de um crescimento mais moderado. 

A visão para a alavancagem – que recuou para 2,6x no final de 2025, na faixa inferior do guidance – é de estabilidade ou redução, de acordo com o CEO. O indicador está no menor nível em cinco anos. 

“Não devemos alavancar a companhia enquanto o juro continuar alto como está,” disse Moscatelli, que citou o possível de ciclo de queda na Selic como uma alavanca de valor importante. 

“É um upside que a gente não conta, temos que focar no que está sob nossa gestão, que é eficiência operacional, melhorar o nível de serviço, colocar tecnologia. Mas se de fato acontecer traz um benefício muito grande.”

Ele estimou que cada corte de 1 ponto percentual na Selic representaria economia de R$ 160 milhões em juros. Comparado aos resultados de 2025, isso representaria um aumento potencial de 50% na última linha do balanço, que mostrou lucro de R$ 318 milhões no ano.

No lado operacional, a divisão rent-a-car viu o número de clientes avançar 17% no quarto tri, com 202,8 mil novos CPFs, mesmo com a frota se mantendo estabilizada.

Essa estabilidade, somada a um ajuste no mix feito ao longo dos últimos anos, levou a uma operação de seminovos “com muito mais controle”, permitindo manter as margens mesmo com as medidas de IPI do governo, segundo o CEO. 

Sobre a entrada dos carros chineses no mercado, que para muitos pode ser um fator de pressão sobre as divisões de seminovos de locadoras de veículos, Moscatelli disse que essa já é uma realidade para a Movida. 

“Seja chinês, ou qualquer outro que venha, só tende a agregar. Você tem um portfólio maior para oferecer aos clientes. Agora, cabe a nós ser criteriosos e cuidar do capital investido, para fazer os investimentos corretos (na aquisição de veículos).” 

A Movida inclusive já adquire carros chineses, embora o número (750) ainda seja pequeno diante da frota total. 

A ação da Movida foi um dos destaques do mercado em 2025, com valorização de 195%.

Com a alta de hoje, a companhia agora vale R$ 3,7 bilhões na Bolsa.