Quando o Brasil passou pela crise hídrica de 2015, os donos da WAP sofreram em dobro. 

Além de ficarem sem água (como boa parte do Brasil), as vendas de suas lavadoras de alta pressão minguaram, com o governo restringindo o uso de água em ambientes externos. 

O episódio traumático teve pelo menos um lado bom: mostrou aos empreendedores a importância da diversificação. 

Já no ano seguinte, a WAP começou a ampliar seu portfólio, lançando aspiradores comuns, robôs aspiradores, furadeiras elétricas e um umidificador de ar. Resultado: no ano passado, faturou R$ 500 milhões. 

Agora, a WAP acaba de levantar R$ 150 milhões para acelerar ainda mais essa estratégia, criando uma holding de marcas vendidas apenas por canais digitais – aos moldes de empresas como Merama, Thrasius, THG e Perch. 

A rodada foi liderada pela Quartz, a gestora que tem a família Galló entre seus principais investidores, e teve a participação da Echo Capital, de Guilherme Weege, da Malwee, e da PIPO Capital, uma gestora de VC focada em late stage.

Com o dinheiro em caixa, a WAP quer aumentar drasticamente seu mercado endereçável, passando dos atuais R$ 5 bilhões para R$ 25 bilhões em 2025. 

O CEO Paulo Sanford disse ao Brazil Journal que a meta é manter o market share de 10% que a empresa possui hoje nos mercados em que atua, e entrar em pelo menos cinco novas categorias. 

Ainda no primeiro trimestre, a WAP vai começar a vender equipamentos de beleza (como secadores e alisadores de cabelo) e brinquedos, além de ampliar seu portfólio nas categorias de ferramentas e climatização. 

Mas o passo mais ousado será dado em maio, quando a empresa vai lançar uma linha de produtos de áudio (fones e caixas de som, por exemplo) em parceria com uma grande celebridade do mundo da música.

A WAP vai tentar posicionar os produtos no topo da categoria, segundo Paulo com preços próximos ao de marcas já consolidadas como JBL e Sony.

“Nosso histórico de posicionamento de preço sempre foi um preço intermediário pra cima, e temos tido sucesso com essa estratégia,” disse o CEO. “O ambiente competitivo sempre vai existir, mas precisamos enxergar o cenário, identificar as oportunidades e trabalhá-las bem.”

****

A rodada de hoje é a primeira da história da WAP desde que ela foi fundada há mais de 30 anos em Curitiba. 

Em 2006, a marca foi vendida para o empresário Gilberto Zancopé, que já era dono de uma empresa de máquinas agrícolas. 

No mesmo ano, Gilberto convidou Paulo para liderar a expansão da empresa no Nordeste, onde a WAP fazia zero de vendas até então. Em pouco tempo, Paulo – que antes da WAP trabalhava com a fabricação de iates – levou o Nordeste a mais de 30% das vendas da companhia.

O resultado impressionou Gilberto que, em 2015, escolheu o executivo como sócio e CEO da empresa. 

Até a rodada de hoje, os acionistas da WAP eram Gilberto, Paulo, a CFO Bruna Haddad e Nelson Montenegro Filho, o diretor da filial do Nordeste.

A WAP não abre o valuation da rodada, mas diz que seus principais peers (Merama, Thrasius, THG e Perch) negociam a múltiplos de 5x a 10x a receita. 

A empresa planeja um IPO para 2025, quando espera faturar R$ 2,5 bilhões. 

****

A expansão de portfólio da WAP será feito tanto com o lançamento de novas marcas quanto com M&As de marcas já estabelecidas. Segundo o CEO, a entrada em brinquedos e em equipamentos de beleza será feita com aquisições – e as conversas já estão avançadas. 

Já em áudio e ferramentas, a WAP deve lançar seus produtos com marcas criadas do zero. 

Apesar de ser uma fabricante, a WAP opera num modelo asset light. Ela cria o design, a UX e o detalhamento técnico dos produtos, mas a fabricação é toda terceirizada em países como China e Vietnã. 

As vendas são feitas majoritariamente no ecommerce, com foco em marketplaces como Amazon e Mercado Livre. Hoje, 70% do faturamento já vêm desses canais, e apenas 30% do varejo físico.