Após anos em que o resultado financeiro sustentou boa parte do lucro, o desempenho da Bradsaúde – a companhia que reunirá todos os ativos de saúde do banco da Cidade de Deus – passou a ser puxado pelo ganho operacional.
Os analistas do Itaú BBA se debruçaram sobre a Bradsaúde – cujo IPO reverso com a Odontoprev foi anunciado na sexta-feira – depois de receberem perguntas de investidores.
Usando informações públicas e dados da ANS, o Itaú disse que a melhoria operacional da BradSaúde foi impulsionada por reajustes de preço acima da inflação média, disciplina de custos, mais eficiência, e um maior controle de fraudes e do ‘uso excessivo’ pelos beneficiários. A empresa também ampliou a oferta de produtos com coparticipação, o que ajudou a conter as despesas médicas.
Numa base pro forma, a Bradsaúde teve uma alta de 56,5% no lucro líquido em 2025, com a operação de planos de saúde respondendo por 80% desse resultado. Além dos ganhos operacionais, o lucro cresceu graças à redução de provisões e mais estabilização da base de beneficiários, após pequenas perdas de market share 2023 e 2024.
Olhando o balanço do Bradesco, o Itaú considera o veículo Bradesco Gestão de Saúde (BGS) como o melhor proxy para o que será a Bradsaúde. Cerca de R$ 2,9 bilhões do resultado da BSG vieram dos planos de saúde. O segundo maior contribuidor para o resultado foi a Odontoprev (R$ 545 milhões).
Já a fatia de 25% no Fleury gerou R$ 92 milhões em equivalência patrimonial, enquanto a Atlântica Hospitais – que detém 20% do Grupo Santa e 49,9% da Rede D’Or – adicionou R$ 26 milhões.
Outra boa notícia para a Bradsaúde no ano passado foi a redução da pressão das provisões técnicas, especialmente os IBNR (sinistros ocorridos, mas não avisados). O impacto dessas provisões caiu de R$ 915 milhões em 2024 (2,6% da receita líquida) para R$ 133 milhões em 2025 (0,3%), aproximando o índice de sinistralidade contábil do indicador em caixa. O nível de provisões IBNR ficou em 23,5% em linha com os 25,9% da principal concorrente, a SulAmérica, escreveram os analistas.
Após perder participação de mercado nas principais regiões metropolitanas em 2023 e 2024 – quando ficou com 7,5% e 7,3% do share no Brasil em meio a reajustes de preços mais agressivos – a Bradsaúde encerrou o ano passado com share de 7,6% e começou a mostrar sinais de estabilização e retomada de crescimento em sua base de beneficiários, por conta da menor necessidade de reajustes e a ampliação de parcerias hospitalares via Atlântica.
A ação da Odontoprev – a companhia escolhida para a fusão com a BSG – tem pouca liquidez, com um giro médio diário próximo de R$ 1,5 milhão.
Com o anúncio da criação da Bradsaúde, na sexta, o papel fechou em alta de 14%, negociando R$ 40 milhões. Hoje caiu 6,3% com giro de R$ 18,5 milhões.











