Sem dar qualquer explicação, a Ecorodovias anunciou ontem depois do fechamento do mercado que Gianfranco Catrini foi destituído como diretor-presidente da companhia, menos de dois meses depois de assumir o cargo. 

Catrini fora indicado para o cargo em setembro e teve o nome aprovado pelo conselho em dezembro. Ele também foi desligado do conselho da empresa. 

O CFO Marcello Guidotti assumiu interinamente como CEO e vai acumular as funções até a eleição de uma nova diretoria.

No início da tarde, Guidotti disse a investidores numa teleconferência organizada pelo Bradesco com cerca de 70 participantes que a saída aconteceu porque Catrini “não estava alinhado com os objetivos da companhia e dos controladores.”

Segundo Guidotti, “não houve sintonia”, mas não há nenhum fato ligado à companhia como razão para o rompimento.

Os investidores pediram mais detalhes sobre o “desalinhamento” entre o executivo e a empresa, mas Guidotti disse que não iria comentar, pois queria falar só sobre “hoje em diante”. O CEO interino disse que não há nenhuma novidade sobre o capex da Ecorodovias, e que “está tudo sob controle.” 

Por volta das 15h, a ação da Ecorodovias caía 5,7%, cotada para R$ 7,24 – na mínima do dia chegou a cair 8%. O papel reduziu a queda depois que Guidotti começou a falar com os investidores. 

“A empresa apareceu e afirmou que não tem nada de errado com o negócio. Já tinha gente especulando que ele saiu porque descobriu ou aprontou algum problema lá dentro,” disse um gestor. 

O italiano Catrini não chegou sequer a conversar com os investidores. Ele atuou em grandes empresas nos segmentos de  infraestrutura, engenharia e construção em diversos países e antes de chegar à Ecorodovias estava na americana Lane Construction.