O artista Rodolpho Parigi inaugura nesta terça-feira, na Galeria Nara Roesler de São Paulo, Choices, uma exposição que revisita décadas do seu trabalho e da história da arte — e que poderia ser pensada como uma despedida temporária do Brasil, já que o artista está às vésperas de se mudar para Nova York para uma residência.

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Parigi reúne obras inéditas que, segundo ele, condensam todo o seu trabalho dos últimos vinte anos.  “Recordar, aqui, não é repetir: é reinterpretar, desmontar e reorganizar,” ele disse ao Brazil Journal. Ele pensa essa recapitulação como uma forma de embaralhar as imagens da história e contar sua versão, na esteira do surrealismo e dadaísmo. 

As imagens escolhidas pelo artista como base de Choices carregam o peso da história da arte e do mundo em épocas de exaltação de poder, ondas de violência ou costumes rígidos. 

Seu trabalho atua como contraponto em meio a uma sociedade saturada por imagens prontas e instantâneas. Ao se refugiar em seu ateliê, focado no gesto lento da pintura e no traço do desenho, Parigi cria a partir do seu universo particular, revisitando suas referências e artistas favoritos, e adicionando teatralidade à pintura, como fazia Peter Paul Rubens (1577-1640) – uma grande influência para o artista paulistano. 

As novas obras, nesse contexto, mesmo que revisitem o passado, nunca poderiam ser vistas como um exercício de síntese – mas sim de acúmulo, sobreposições e transformações. Imagens conhecidas na história da arte – de Brecheret, Maria Martins e Tarsila – coexistem com romãs, aliens, luvas, figuras derretidas, andróginas, criando uma sensação de movimento e fluxo dentro de um pop experimental. O resultado são configurações inesperadas e oníricas.

“Olhar para as pinturas de Parigi é como tentar se agarrar a um sonho após acordar: a imagem persiste, mas continua escapando.” escreveu o curador Krist Gruijthuijsen. 

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Os objetos fetichistas — látex, vinil, couro polido —  alteram os contornos e reconfiguram o corpo de forma escultórica e volumosa. Nessa exposição, Parigi começou a lixar áreas da pintura, intercalando com a volumetria, que é sua marca registrada, e cores em total exuberância.  

O ateliê do artista, como sua própria persona, é um acontecimento por si só. Se Paris era uma festa em Hemingway, Parigi é uma rave. Tudo converge para  humor, inteligência, vitalidade e uma habilidade técnica que o torna um dos maiores artistas de sua geração. Artista e obra são originais, intensos, superlativos e esfuziantes. Sem pudor ou meias palavras, ele brinca que trabalha com uma orgia visual. 

O artista não esconde sua satisfação com o resultado de um período intenso de trabalho e sua excitação com o momento de sua carreira. 

Depois de um período mais minimalista (dentro do seu conceito do que é minimalista), ele mergulha em uma fase barroca e radical, com cores ácidas, vibrantes e escuras, uma paleta tenebrista como a do mestre italiano Caravaggio. Parigi parece estar no auge do domínio da sua técnica e da exploração do conteúdo temático que o empolga. 

“Tudo, no universo de Parigi, está em estado de devir — um orgasmo permanente, em que tudo é fluido e nada é fixo.” 

A exposição fica em cartaz na Galeria Nara Roesler até 9 de maio.