Depois de um ciclo intenso de ajustes estruturais, o Grupo Casas Bahia entra em 2026 com sinais claros de que a transformação operacional iniciada nos últimos anos começa a se traduzir em ganhos concretos de eficiência, disciplina financeira e qualidade de resultado.

Segundo o CEO Renato Franklin, a agenda executada pela companhia partiu de uma revisão abrangente do modelo operacional. 

Ao longo dos últimos dois anos, a empresa simplificou processos, revisitou estruturas e implementou um controle mais rigoroso de custos, um movimento que se consolidou como prioridade estratégica.

Os efeitos dessa reconfiguração já aparecem nos indicadores.

A companhia encerrou o quarto tri de 2025 com sua nona expansão consecutiva de margem EBITDA ajustada, atingindo 9,8% – uma evolução consistente que reflete uma operação mais eficiente e disciplinada, na visão do CEO. 

No mesmo período, o EBITDA ajustado somou R$ 826 milhões, alta de 29,1% na comparação anual, enquanto no acumulado do ano chegou a R$ 2,6 bilhões, avanço de 30%.

Franklin destaca a mudança na qualidade dos resultados. 

A redução das despesas SG&A, que recuaram 1,3 ponto percentual no trimestre e 1,9 ponto no ano, evidencia o foco da companhia em produtividade e alocação eficiente de recursos.

Essa disciplina também se refletiu na redefinição de prioridades. Ao longo do período, o Grupo Casas Bahia reduziu a participação em iniciativas de menor retorno e concentrou esforços em frentes mais rentáveis, como o foco em categorias core de produtos, expansão do canal digital e monetização do ecossistema.

O desempenho operacional acompanhou essa estratégia. 

No ano passado, a companhia registrou o maior volume de vendas de sua história: um GMV de R$ 44,7 bilhões, incluindo um recorde trimestral de R$ 13,1 bilhões no quarto trimestre. 

O crescimento foi puxado, sobretudo, pelo digital: o ecommerce avançou 21,7% no período, com destaque para o estoque próprio online, que cresceu 25,6% – o maior ritmo em quatro anos.

Ao mesmo tempo, a operação ganhou tração em frentes de maior valor agregado. 

O marketplace manteve expansão de dois dígitos, enquanto o retail media, com o Casas Bahia Ads, acelerou 65% no ano e reforçou a diversificação de receitas.

Outro pilar relevante dessa evolução vem sendo o crediário, que vem sendo apontado como um diferencial competitivo da companhia. 

A carteira atingiu R$ 6,6 bilhões, com crescimento de 6,7%. Detalhe: com a inadimplência controlada, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. 

“Ou seja, a empresa mostra sua capacidade de crescer com qualidade e proximidade com o consumidor,” disse Franklin.

A transformação operacional também foi acompanhada por avanços relevantes na estrutura de capital. 

Em 2025, a companhia executou movimentos de reperfilamento de dívida que reduziram o endividamento em R$ 4,6 bilhões e devem gerar uma economia de caixa superior a R$7,7 bilhões até 2030. 

Como resultado, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA caiu para 0,4x no quarto trimestre, ante 2,2x no segundo trimestre do mesmo ano.

Esse ajuste financeiro veio acompanhado de uma forte geração de caixa. O fluxo de caixa livre da firma atingiu R$ 1,8 bilhão no quarto trimestre e R$ 2,2 bilhões no acumulado do ano, resultando em uma posição de liquidez da companhia de R$3,4 bilhões.

Parte relevante desses ganhos operacionais está ancorada no uso mais intensivo de tecnologia e dados, segundo o CEO.

Soluções baseadas em inteligência artificial passaram a orientar decisões em frentes como marketing, precificação, logística e abastecimento, elevando a produtividade em até 30% por SKU. Ferramentas como o Bah.IA e o Zap Casas Bah.IA também reforçaram a integração entre canais e a eficiência comercial.

Se até aqui a transformação esteve concentrada em ajustes estruturais e ganho de eficiência, o CEO destaca que os próximos passos indicam continuidade dessa agenda, com foco em capturar alavancas operacionais já implementadas e aprofundar a expansão de margens.

“Com uma estrutura mais leve, maior disciplina na alocação de capital e um modelo operacional mais eficiente, o Grupo Casas Bahia inicia um novo ciclo com condições mais favoráveis para crescer com rentabilidade,” disse Franklin.

Mas agora, sustentando uma trajetória que combina consistência na execução e geração de valor no longo prazo.

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