Se você é CEO e ainda não se deu conta de que estamos numa nova era, esse é o momento de agir.

A inteligência artificial está trazendo a maior mudança de paradigma organizacional desde as revoluções industrial e digital. Nessa nova estrutura, humanos e agentes de AI – tanto físicos quanto virtuais – trabalham lado a lado em escala. Chamamos isso de organização agêntica.

Nossas experiências mostram que esse novo modelo já é capaz de multiplicar a produtividade em até 20 vezes. Não é automação incremental; é uma ruptura estrutural.

Não apenas porque os agentes automatizam e aceleram tarefas, mas porque redesenham e desenvolvem processos e sistemas totalmente novos.  

O sucesso nesse cenário exige que as empresas reformulem seus modelos de negócio, reinventem seus modelos operacionais, construam novas capacidades e conduzam a mudança com muito mais precisão e velocidade.

Não é sobre eficiência. É sobre reinvenção

Na era agêntica, a vantagem competitiva virá de três movimentos: aproximar-se radicalmente do cliente por meio de canais de AI, operar processos verdadeiramente AI-first e construir um arcabouço de dados proprietários difícil de replicar.

Isso já está acontecendo. Consumidores estão abandonando aplicativos, sites e buscadores tradicionais em favor de interfaces nativas de AI.

Seguradoras estão redesenhando sinistros e contratos do zero. Bancos criam fábricas de agentes para processos de know your customer. Operadoras de telecom usam agentes no atendimento ao cliente em escala.

Nada disso é automação clássica de processos antigos, é uma reconstrução de ponta a ponta, com supervisão humana focada em decisões estratégicas, não em execução.

O organograma também se reinventa

Organizações tradicionais foram desenhadas em silos. As digitais avançaram para times multifuncionais, mas continuam limitadas pela escala humana.

A organização agêntica rompe esse limite. O modelo emergente é formado por pequenas equipes humanas altamente qualificadas supervisionando verdadeiras fábricas de agentes, com 50 a 100 deles executando processos completos como onboarding de clientes, fechamento contábil ou lançamento de produtos.

Nessa nova lógica, a governança não pode mais ser um ritual trimestral. Se agentes operam continuamente, a governança precisa ser contínua, orientada por dados e embutida nos próprios processos.

Já vemos organizações testando “planejamento agêntico”, no qual agentes monitoram o mercado, simulam cenários, desafiam premissas e recomendam ajustes quase em tempo real.

Humanos continuam responsáveis, mas não revisam mais linha a linha. Eles definem políticas, monitoram exceções e calibram o nível certo de intervenção.

É menos controle operacional e mais supervisão estratégica. Ter um centro de excelência em IA com uma cadência afiada de transformação fortemente apoiada pela liderança e baseada em métricas é essencial para escalar e ter sucesso.

Da fluência técnica à orquestração humano-AI

Isso tudo, claro, exige novos perfis, novas habilidades e, sobretudo, uma nova cultura. CEOs, líderes de produto e responsáveis por compliance, por exemplo, precisarão de uma fluência tecnológica que antes se esperava apenas de diretores de tecnologia.

Requalificação em larga escala deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência.

Mais do que isso, a cultura passa a ser a bússola ética da organização agêntica. Os pioneiros falam menos sobre “uso responsável de AI” como um checklist e mais sobre orquestração: alinhar humanos e agentes em torno de contexto e propósito compartilhados, decidir onde a AI faz sentido (e onde não faz) e construir confiança mútua.

Velocidade, clareza e aprendizado contínuo são fundamentais. Mas o verdadeiro diferencial será a capacidade de preservar identidade e coesão enquanto tudo ao redor muda rapidamente.

Tecnologia e dados deixam de ser gargalos

Na era digital, tecnologia e dados eram centralizados, caros e distantes do negócio. Na era agêntica, eles se tornam acessíveis, reutilizáveis e democráticos.

Plataformas de AI agêntica já permitem que as próprias áreas de negócio criem soluções digitais e gerenciem dados de forma autônoma, com agentes de fácil configuração e produtos de dados reutilizáveis, apoiados por controles que mitigam riscos de segurança e evitam o acúmulo de complexidade técnica ao longo do tempo.

Empresas que saíram na frente na adoção dessas plataformas já mais do que dobraram sua produtividade.

Até a integração de sistemas muda. Em vez de projetos longos e frágeis de TI, protocolos “de agente para agente” permitem que sistemas legados, plataformas em nuvem e até máquinas físicas conversem por meio de agentes.

Menos complexidade, mais velocidade, menor custo.

Então, como começar?

A pergunta que mais ouvimos de executivos é simples: “Como começo e como escalo mais rápido que meus concorrentes?”. E a resposta é direta. Coloque a AI agêntica no centro da agenda da alta liderança, com o CEO – não apenas o CIO – definindo uma visão para a organização.

Crie rapidamente um centro de excelência em AI com métricas claras. Invista pesado em capacitação. E escolha um ou dois domínios estratégicos para redesenhar processos de forma agêntica, aprendendo em tempo real.

A história mostra que os vencedores são aqueles que pensam grande, agem rápido e se comprometem com a execução. Não será diferente agora.

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Yran Dias é sócio sênior da McKinsey e líder da McKinsey Digital na América Latina.

Pepe Cafferata é sócio sênior da McKinsey e líder da McKinsey Business Building na América Latina.

Monica Szwarcwald é sócia da McKinsey.

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