Um dos filósofos da atualidade, o professor Clóvis de Barros Filho, costuma dizer que não deveríamos olhar para trás “nem para pegar impulso”. 

Para a vida, o conselho tem seu valor. Já para os investimentos, talvez a máxima não seja tão ideal assim. Ignorar o passado pode até soar libertador, mas raramente simplifica o presente e quase nunca ajuda a navegar o futuro. 

Quando o assunto é mercado financeiro, memória é ferramenta. É olhando para o que já aconteceu que conseguimos separar ruído de tendência e tomar decisões melhores.

É nesse espírito que o Year Ahead, relatório publicado anualmente pelo UBS, ajuda a colocar 2026 em perspectiva, especialmente porque o ano desponta como um ponto de inflexão para os mercados global e brasileiro. 

No cenário internacional, o tema central do estudo é provocativo: ‘Escape Velocity?’. A combinação entre inovação tecnológica, estímulos fiscais e queda das taxas de juros pode permitir que economias e ativos “escapem” da gravidade imposta por altos níveis de endividamento e por incertezas políticas. 

Se esse movimento se confirmar, abre-se espaço para que os investimentos mantenham o bom desempenho observado nos últimos anos.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de aceleração do crescimento já a partir do primeiro trimestre, impulsionada pela melhora da confiança empresarial e pelo efeito do impulso fiscal. 

Por lá, a redução das taxas de juros devolve atratividade à renda fixa e, ao mesmo tempo, amplia o potencial de alocação em ações, tanto no mercado americano quanto em emergentes.

Em paralelo, entre os grandes temas estruturais, a inteligência artificial segue como principal motor de criação de valor, acompanhada de perto por investimentos em energia e infraestrutura energética, além da tese de longevidade, que inclui empresas farmacêuticas e de biotecnologia.

Enquanto os americanos avançam na agenda tech e irradiam seus efeitos para o mundo, o Brasil vira o ano equilibrando fundamentos econômicos mistos. 

De um lado, inflação em queda, atividade em desaceleração e desemprego ainda baixo. Do outro, desafios fiscais relevantes e a incerteza eleitoral que começa a tomar contornos e deve ganhar peso ao longo do ano. 

O ambiente financeiro global mais favorável tende a ajudar, especialmente no primeiro semestre. A expectativa de cortes na Selic a partir do segundo trimestre também pode favorecer a extensão de prazos em títulos de renda fixa, enquanto a bolsa local deve se beneficiar da melhora gradual nos lucros corporativos, sobretudo em setores ligados a consumo e serviços.

Com essa foto em mente, quem investe precisa pensar em como combinar melhor as estratégias localmente. 

Para o Chief Investment Office do UBS Wealth Management, a receita passa pela diversificação em ativos globais, inclusive com espaço para mercados alternativos, como fundos de private equity; manutenção de parcela relevante em pós-fixados – ainda atrativos, diga-se de passagem; alocação acima do neutro em ativos ligados à inflação e ações domésticas; uso de multimercados, tanto para retorno quanto para diversificação; além de exposição a fundos alternativos locais com horizonte de investimento mais longo e com boa governança. 

O pano de fundo segue construtivo, com avaliações de preços interessantes e expectativa dos juros, embora o debate eleitoral exija atenção redobrada.

Tudo isso posto, talvez a melhor forma de pensar em 2026 seja como um ano em dois atos. 

No primeiro semestre, um ambiente global mais benigno e o início do afrouxamento monetário doméstico podem abrir espaço para assumir mais risco de forma seletiva. 

No segundo, a volatilidade tende a aumentar com as eleições, à medida que o mercado tentar antecipar qual plataforma política prevalecerá e quais ajustes fiscais devem, de fato, sair do papel. 

Às vésperas de um novo ano, mais do que tentar prever cada movimento isoladamente, será fundamental entrar em 2026 com portfólios bem preparados e flexíveis. 

Olhar para trás, neste caso, é importante para levantar dados e formular estratégias. Disciplina, capacidade de adaptação e visão de longo prazo continuam sendo os melhores aliados para atravessar o que vem pela frente, e o UBS segue pronto para ajudar seus clientes a tomar decisões mais conscientes.

Entre um evento social e outro nestes próximos dias, se ainda sobrar um espaço na sua agenda, fica o convite para baixar o relatório completo aqui. Pode ser exatamente o impulso que faltava.

Boas festas!

*Luciano Telo é CIO do UBS Global Wealth Management para o Brasil

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