A SPX Capital está investindo até R$ 400 milhões na Vision, um spinoff da ISH Tecnologia, uma empresa de cibersegurança do Espírito Santo. 

Os recursos serão usados para uma estratégia agressiva de M&As com o objetivo de consolidar o mercado de cibersegurança no Brasil, ainda extremamente fragmentado. 

O aporte é majoritariamente primário e será feito em tranches. De imediato, a SPX está injetando R$ 200 milhões no caixa da empresa, e vai aportar o restante conforme as oportunidades de aquisições forem surgindo. 

Com o investimento, a gestora está assumindo o controle da empresa, com mais de 50% do capital. (O valor exato não foi revelado). Os fundadores Rodrigo Dessaune e Armsthon Zanelato continuam como acionistas e executivos da empresa, o primeiro como  chairman.

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A Vision é um spinoff da ISH Tecnologias, fundada há mais de 30 anos e que hoje basicamente fornece serviços de cybersecurity. O spinoff foi feito para separar a vertical que atende empresas do setor público da vertical focada no setor privado (a Vision). 

“São mercados muito diferentes, com requisitos diferentes e um approach diferente,” Rodrigo disse ao Brazil Journal. “A previsibilidade de vendas no privado é maior, porque o setor público tem rupturas muito grandes. Também é um mercado mais fácil de escalar. Na prática já tínhamos há algum tempo equipes comerciais e de operações diferentes para cada área.”

Na ISH, o mercado privado respondia por cerca de 80% da receita, enquanto o público era 20%. A expectativa para 2026 é que a Vision fature R$ 480 milhões, enquanto a ISH deve fazer uma receita de R$ 150 milhões. 

“São verticais com rentabilidade semelhante, em torno de 15% a 20% de margem EBITDA, mas o potencial de ganho de escala do privado é muito maior,” disse Enzo Ciantelli, o gestor da SPX responsável pelo investimento.

A Vision atende clientes como a AXIA Energia, Engie, Vórtx, além de bancos de médio porte.

A companhia oferece um serviço conhecido no mercado como ‘manager security service provider’, basicamente serviços gerenciados de cibersegurança.

Quando começa a atender um cliente, a Vision implementa ferramentas tradicionais de segurança, como antivírus, firewalls e filtros, que podem ser próprios ou de terceiros. Mas sua principal oferta é a parte de monitoramento, detecção e resposta. 

A companhia passa a fazer o monitoramento contínuo da segurança cibernética de seus clientes, 24/7, e se algum incidente acontecer ela ajuda o cliente na resposta.

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“Nosso grande diferencial é a Harpia, nosso software que está por trás do monitoramento e faz a integração de tudo,” disse Armsthon. “Esse software analisa todo o tráfego de informações de cibersegurança que vem dos firewalls e antivírus e identifica se tem algum tráfego atípico. Se tiver algo fora do normal, temos uma equipe de especialistas que vai receber esse alerta e agir em cima da situação.”

Outro diferencial é o que o fundador chama de ‘threat intell’, uma ferramenta que analisa todos os incidentes e, com base nessas informações, aplica melhorias de segurança em toda a base de clientes da companhia.

Enzo, da SPX, disse que a gestora tem buscado oportunidades no setor porque entende que o mercado de cibersegurança está mudando de patamar, com a barra ficando mais alta para todo mundo, mas ainda carece de um líder no Brasil.

“O volume de ameaças e a complexidade delas tornou as invasões mais difíceis e rápidas. As empresas de defesa têm que investir de forma proporcional e nem todas conseguem fazer isso,” disse ele. “A Vision está numa posição única para liderar a consolidação desse setor.”

O mercado de serviços de cibersegurança é dominado hoje por players que não são focados apenas nesses serviços: as Big 4 (Deloitte, EY, PwC e KPMG) e a Accenture, que tem cerca de 15% do mercado.

Entre os players independentes e focados apenas em cybersecurity B2B, a Vision diz que é o maior player hoje. Mas ela não é a única tentando consolidar o mercado. A SEK, controlada pelo Pátria Investimentos, também tem perseguido uma tese de consolidação na América Latina e tem operações no Brasil e no Chile. 

Enzo disse que a estratégia de M&As da Vision será focada principalmente em produtos complementares ao portfólio, e não tanto em carteira de clientes. “O mais importante é o fit, e não o volume e a massa,” disse ele. 

O investimento da SPX foi feito pelo fundo de private equity que a gestora levantou em 2023 e tem cerca de R$ 1 bilhão em capital. A Vision é o segundo investimento do fundo, que ainda tem ‘dry powder’ para mais uma ou duas apostas.