A Brava Energia acaba de fechar a aquisição da participação de 50% da Petronas no campo de Tartaruga Verde e no módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos, por US$ 450 milhões. 

O anúncio surpreendeu o mercado, que vem cobrando a Brava a avançar com vendas de ativos para reduzir a alavancagem.

Mas a operação anunciada hoje não muda a meta de reduzir o nível de endividamento, disse ao Brazil Journal uma fonte próxima da empresa. 

“A estratégia da companhia é desalavancar, e isso está muito claro. Esse deal, inclusive, desalavanca,” disse a fonte, que falou sob a condição de anonimato. 

O pagamento será de US$ 50 milhões na assinatura e US$ 350 milhões no closing, sujeito a ajustes atrelados à data efetiva da transação, definida como julho de 2025. Além disso, há duas parcelas de US$ 25 milhões cada, em 12 e 24 meses após o fechamento. 

Os campos adquiridos tiveram produção média (100%) de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia em 2025, e entrarão para a Brava já gerando receita. 

“O EBITDA supera o do desembolso, então vai desalavancar,” disse a fonte, acrescentando que a transação permitirá acelerar recuperação de prejuízos fiscais acumulados (NOL), o que também entrou na conta.

“Além disso, o valor, se considerar qualquer múltiplo, como o de barris de reservas, você vai ver que está barato,” disse.

O deal é o primeiro movimento da Brava desde o anúncio de mudança em sua liderança esta semana. A empresa nomeou Richard Kovacs como CEO em substituição a Décio Oddone, que deixará a companhia em 31 de janeiro. Fontes disseram que a aceleração de M&As era justamente um dos objetivos.

Os ativos adquiridos pela Brava são operados pela Petrobras. A Petronas buscava um comprador desde meados de 2025. Segundo a Bloomberg, a companhia queria inicialmente levantar cerca de US$1 bilhão com a transação e a Prio também chegou a olhar o negócio. 

A Brava disse em fato relevante que a aquisição de hoje “está alinhada à estratégia de revisão contínua de portfólio e de buscar retorno ajustado aos riscos, diversificação de ativos e eficiência na alocação de capital”. 

A previsão é de closing ainda em 2026. A operação está sujeita a eventual exercício do direito de preferência pelo atual operador, a Petrobras.

A Brava acrescentou que continuará “avaliando oportunidades estratégicas de revisão de portfólio.” 

Resultado da fusão entre Enauta e 3R Petroleum, a Brava encerrou o terceiro tri de 2025 com alavancagem em 2,3 vezes, de 3,4 vezes no primeiro tri.

A companhia tem valor de mercado de R$8,36 bilhões.

A ação opera com alta de 7% neste ano, após recuar 28% ao longo de 2025.

Bacia Campos Brava 1