Os americanos estão se alavancando como nunca para comprar ações.

O margin trading — a compra de posições com dinheiro emprestado de uma corretora de valores — cresceu 33% em um ano até janeiro, para US$ 937 bilhões.

É o maior patamar de alavancagem já registrado pela FINRA, o órgão de autorregulação das corretoras americanas.

No mesmo período, o S&P 500 subiu 25%.

Como os investidores dão seus próprios portfólios em garantia para esses empréstimos, um crescimento desenfreado do margin trading acenderia um alerta sobre o estado do mercado.

Por ora, o número não tira o sono de analistas.

“À medida que a riqueza cresce, é normal que os saldos devedores cresçam,” Jennifer Hutchins, a co-CIO da gestora Avantax, disse à Barron’s.

“O aumento do margin trading não é surpreendente, haja vista o tremendo crescimento que o mercado de ações registrou nos últimos anos. Historicamente esse número cresce junto com o S&P 500.”

Hutchins também cita dados do Federal Reserve de dezembro que mostram que a riqueza das famílias americanas aumentou em US$ 49,4 trilhões desde 2020. 

Dado o baixo índice de desemprego no momento, os consumidores parecem estar em posição de sustentar seus gastos, disse.

José Torres, o economista sênior da Interactive Brokers, disse à mesma revista que está observando os dados de alavancagem de perto, mas no outro sentido. 

Uma queda nos empréstimos — o que não está acontecendo agora — pode indicar um mercado em declínio. 

O executivo lembra que investidores reduziram sua alavancagem em novembro e dezembro de 2021 e, no início de 2022, o S&P500 e outros índices caíram.