O investimento em sistemas de armazenamento de energia com baterias deve ser um dos grandes temas do setor elétrico em 2026.

Após anos de queda de custos, a tecnologia está no centro das atenções nos Estados Unidos, China, e até no Brasil. 

De olho nesse cenário, a gestora Kinea tem posição em um conjunto de ações no exterior que podem ganhar com o esperado boom dos Battery Energy Storage Systems, conhecidos pela sigla BESS. 

A tese é que as baterias permitirão às geradoras renováveis entregar energia “firme” para data centers nos EUA. Elas também sairiam na frente por terem implementação mais rápida que usinas nucleares e térmicas a gás – que ainda sofrem com a oferta apertada de turbinas.

Ruy Alves ok

Entre empresas brasileiras, analistas avaliam que a tendência pode ser uma nova alavanca de crescimento para os negócios da WEG no longo prazo. As baterias também podem diminuir os cortes de geração eólica e solar. 

Só nos EUA, os sistemas com baterias devem crescer quase 50% neste ano, com mais de 20 gigawatts em capacidade iniciando operação, segundo projeção da Energy Information Administration (EIA).

“Os BESS vão ‘salvar’ a energia eólica e a solar, e farão o retorno delas ficar mais alto,” o sócio e gestor dos fundos multimercado da Kinea, Ruy Alves, disse ao Brazil Journal.

A carteira da Kinea para se expor à tese das baterias inclui utilities renováveis americanas, como a NextEra e a AES; empresas da cadeia de energia solar, como NextPower e First Solar; e, em baterias, a chinesa CATL e a sul coreana LG Energy Solutions.

No Brasil, um primeiro leilão para projetos de armazenamento com baterias está agendado para abril. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem falado na contratação de 2 gigawatts em capacidade.

O volume já seria suficiente para criar um mercado do tamanho do francês, e o País tem potencial para entrar rapidamente no “top 3” global, atrás de China e EUA, de acordo com cálculos da XP.

Com o leilão, os BESS podem ser “a nova fronteira” dos investimentos, com praticamente todas as empresas do setor de olho no tema, disse o líder da cobertura de utilities da XP, Raul Cavendish. 

“A WEG pode ser uma das empresas listadas que se beneficia de certa forma. Ainda vai ser muito pequeno no bolo da companhia, mas é uma avenida que se abre,” disse Cavendish.

Para as elétricas listadas, o leilão em si não deve ser fator de geração de valor relevante imediata, mas as baterias favorecerão marginalmente as empresas com redução dos cortes de geração – e podem se tornar mais relevantes no médio e longo prazo. 

A XP estima que introduzir 2 GW em baterias no sistema brasileiro diminuiria os cortes em cerca de 2 pontos percentuais. As perdas de geradoras com curtailment somaram R$ 6 bilhões em 2025, segundo estudo da Volt Robotics.