Benchimol: “Você não deve fazer o que gosta, mas o que faz bem”

“Não quero mais empreender. Essa vida está infernal.” No início dos anos 2010, a XP já era a maior corretora independente do País — mas seu fundador e então CEO, Guilherme Benchimol, estava exausto. “Trabalhei por dez anos e tive poucos finais de semana,” disse ele a Nilton Bonder neste episódio de The Business of Life.

Com a segunda filha a caminho e uma rotina de trabalho insustentável, Benchimol chegou a considerar vender a empresa. Em 2010, a XP recebeu um aporte de R$ 100 milhões do fundo britânico Actis, por 20% do capital. 

Mas o empresário recebeu de Chu Kong, gestor do fundo, um conselho que valia ainda mais: precisava deixar de fazer tudo sozinho e aprender a formar líderes. “Você não pode chegar aqui às seis da manhã e sair à meia-noite todo dia e achar que isso é o futuro. Você tem que formar gente boa, senão você vai continuar crescendo linearmente,” diz.

Em 2021, após ouvir outro conselho, desta vez de Jorge Paulo Lemann, Benchimol deixou o cargo de CEO para assumir a presidência do conselho. “Comecei a perceber que a empresa tinha pessoas melhores do que eu,” diz. “Eu tenho as minhas convicções, mas se você me convencer do contrário, aceito a sua opinião,” diz.

Na conversa com Bonder, Benchimol conta que o crescimento da companhia combinou ambição e prudência. “Eu sempre fui muito conservador em tudo, mas fui muito intenso e sempre trabalhei muito mais do que a concorrência,” diz. A estratégia era testar oportunidades em pequena escala e acelerar apenas aquelas que demonstrassem resultados. “Devagar é rápido. Esse é o nosso lema aqui,” diz.

Hoje, Benchimol dedica parte de seu tempo ao Instituto B55, iniciativa voltada à formação de empreendedores. O projeto é uma parceria com André Street, da Stone, e David Vélez, do Nubank. A ideia é ajudar futuros empresários a “terem essa jornada talvez de uma forma menos dolorosa”. 

No final, Benchimol deixa um conselho para quem está começando a carreira. Contrariando a ideia de que é preciso trabalhar com aquilo de que se gosta, recomenda identificar os próprios talentos e desenvolvê-los com disciplina e resiliência. “Você não deve fazer o que gosta, mas o que faz bem,” diz.

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