O mercado de leites vegetais explodiu no Brasil nos últimos anos, com diversas startups criando leites à base de aveia, castanha de caju, amêndoas e arroz — sem falar no bom e velho leite de soja. 

Mas até agora, ninguém tinha trabalhado a banana – um insumo bem mais barato e muito mais abundante no País.

Esta foi a sacada de dois empreendedores de Santa Catarina, Marcos de Oliveira e Marina Sena, que lançaram há um ano o Banana Milk, um leite vegetal que eles dizem superar os concorrentes em sabor, cremosidade e saudabilidade.

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A startup – que vem crescendo apenas com o capital dos fundadores – está em conversas para sua primeira rodada institucional, com o objetivo de captar cerca de R$ 10 milhões. 

A ideia do Banana Milk surgiu durante uma viagem de Marcos aos Estados Unidos. O empreendedor — que durante 16 anos foi dono da Forneria Catarina, uma rede de restaurantes em Florianópolis — estava viajando com sua esposa, que é vegana e estava grávida.

Começaram a procurar leites vegetais que ela pudesse tomar, e o único que não causava enjoo era um da marca Mooala, à base de banana. “Quando experimentei também achei o sabor muito melhor e vi que precisávamos trazer isso para o Brasil, o país da banana, onde a fruta é superior à de outros países,”  disse Marcos.

Quando voltou da viagem, o empreendedor contou a ideia para Marina, uma amiga de longa data que havia trabalhado em empresas de softwares. Os dois decidiram tirar a ideia do papel.

Em um ano desde sua fundação, o Banana Milk já está em 400 pontos de venda e presente em algumas das principais redes de varejo de Santa Catarina, incluindo as 97 lojas do Koch, a Imperatriz e a Hiper Select. 

Em São Paulo, o produto já está em lojas como Santa Luzia, St. Marché, Mambo e Superville. 

Para este ano, a meta da startup é dobrar o número de pontos de venda onde está presente, chegando a pelo menos 800 lojas, e bater um faturamento de cerca de R$ 3 milhões. 

A startup já está em negociações avançadas para entrar em outras redes relevantes de supermercados, incluindo Angeloni, em Santa Catarina, o Zaffari, no Rio Grande do Sul, e Muffato e Festval, no Paraná. 

O Banana Milk está tentando capturar uma fatia de um mercado que deve movimentar R$ 1 bilhão no Brasil em 2029 – e que é dominado por empresas como A Tal da Castanha, Nude, Naveia e Not Milk. 

A maior delas hoje é a A Tal da Castanha, comprada pelo grupo 3Corações em 2022. 

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“Estamos nos diferenciando por ser uma opção mais saborosa, cremosa, menos calórica que os concorrentes e sem nenhum alérgico, diferente das castanhas,” disse Marina. “As opções de aveia que existem hoje e que são populares têm um índice glicêmico muito maior. Já as de castanha podem causar desconforto. Muitos nutricionistas têm indicado o Banana Milk por conta disso.”

Em termos de preço, o Banana Milk tem um posicionamento semelhante ao dos concorrentes. O produto custa ao redor de R$ 20, em linha com a A Tal da Castanha, Naveia e Nude. O único que se posiciona um pouco abaixo disso é o NotMilk, cujo preço gira ao redor de R$ 15. 

Apesar de usar um insumo mais barato como base, o preço da Banana Milk é equivalente ao dos concorrentes porque ela usa 30% de banana na composição para manter o sabor superior e deixar o produto mais cremoso, disse Marina. “Nossos concorrentes normalmente usam 10% da base na composição, e o resto é água.”

A startup não é intensiva em capital. Não tem fábrica própria e opera com co-packers, um modelo padrão nessa indústria que reduz um pouco a margem mas lhe permite escalar rápido. Os recursos da rodada serão usados para investir em marketing. 

Além das lojas físicas, o Banana Milk já é vendido na Amazon e no Mercado Livre, que respondem por cerca de 10% do faturamento. O ecommerce próprio deve entrar no ar nos próximos dias.