A seca de IPOs no Brasil está perto do fim.

É o que acredita o CEO da B3, Gilson Finkelsztain. Para ele, as ofertas de PicPay e Agibank na bolsa americana são um sinal de que o período de aversão a risco tende a diminuir no Brasil.

“Esse vento parece estar soprando para as listagens fora do Brasil, mas eu acredito que isso vai se reverter,” disse. 

O que deixa o CEO otimista é o fluxo de capital estrangeiro para o País – o principal fator para o Ibovespa disparar 45% nos últimos doze meses.

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Gilson disse ver espaço para o fluxo aumentar ainda mais com o aumento do risco geopolítico. “Se a gente capturar ‘zero e alguma coisa’ por cento de trilhões de dólares, já será algo transformador para o País,” disse. 

O executivo disse que o ciclo deve começar por companhias mais maduras, com operações bilionárias, especialmente nos setores de infraestrutura, saneamento e logística, antes de avançar para outros setores como energia, indústria e tecnologia.

Além disso, ele vê espaço para o retorno do investidor local. 

“O investidor brasileiro chegou a ter perto de 15% do recurso investido em ações e hoje está entre 5% e 6%,” disse. Mas para voltar aos patamares anteriores, o juro precisa cair. 

A B3 quer aproveitar esse fluxo para chamar a atenção dos investidores para o seu próprio papel. Para isso, também anunciou hoje a criação da Trillia, uma nova marca que consolida seus negócios de dados e soluções analíticas.

A unidade de negócios, que ficará sob o comando do vp Marcos Vanderlei, vai reunir marcas como Neurotech, Neoway, PDtec e Datastock. A ideia é que essas marcas sejam descontinuadas e todos os produtos e serviços fiquem sob o guarda-chuva da Trillia.

Segundo Gilson, a iniciativa foi uma forma de deixar claro ao mercado o potencial de crescimento dessa vertical, que cresce muito mais que o core business da B3.

“É um negócio contracíclico, capaz de crescer a dois dígitos de forma sustentável independentemente do ciclo econômico,” disse. Para efeito de comparação, o negócio de dados chega a representar 30% a 35% da receita das grandes bolsas lá fora. Na B3, é apenas 10% da receita.

O CEO não teme que a atual aversão a empresas de tecnologia com o avanço da AI se torne um problema para a Trillia, já que esse braço tem pouca receita originada via SaaS.

“E temos o mais importante: que são os dados proprietários,” disse Gilson. 

A Trillia trabalha com dados que vão desde financiamento, crédito e seguros até a prevenção a fraudes e comportamento de consumo.

“As soluções da Trillia estão embarcadas em mais de 6 mil empresas, em indústrias financeiras, mas também em saúde, varejo, seguradoras, concessionárias de automóveis e até na indústria,” disse Gilson.

A ação da B3 sobe 48% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 88 bilhões… na própria Bolsa.