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No Mês do Consumidor, o varejo intensifica a adoção de BNPL (Buy Now, Pay Later) e de soluções de embedded finance para ampliar a conversão e a fidelização nas jornadas digitais.
O movimento reflete uma transformação estrutural do setor: grandes varejistas e plataformas digitais passam a integrar serviços financeiros diretamente na experiência de compra, aproximando a venda de produtos da oferta de crédito.
Os números mostram isso: dados da Câmara Brasileira da Economia Digital, em parceria com a consultoria Gmattos, mostram que o BNPL já está presente em 62,7% das lojas virtuais monitoradas em setembro de 2025, contra 45,8% no mesmo período de 2024.
O estudo também aponta que o parcelamento via BNPL aparece com mais frequência do que no cartão de crédito acima de quatro parcelas.
É um indicativo de que a modalidade vem ganhando espaço, principalmente em compras de maior valor, enquanto o cartão de crédito mantém predominância nas parcelas de curto prazo.
Para a QI Tech, empresa líder em infraestrutura para serviços financeiros, o avanço do modelo deve se intensificar ainda mais à medida que empresas de diferentes setores passam a incorporar soluções de crédito e pagamento diretamente em suas plataformas digitais.
Em um mercado como o brasileiro, historicamente marcado pela relevância do parcelamento como ferramenta de consumo, a oferta de crédito no momento da compra tem se consolidado como um dos principais motores de conversão no comércio eletrônico.
Ao permitir que o consumidor divida pagamentos sem depender do limite do cartão de crédito, o BNPL amplia o acesso a compras de maior valor e reduz fricções no processo de pagamento.
Mas, segundo Pedro Mac Dowell, CEO e fundador da QI Tech, para que o BNPL tenha ainda mais sucesso, é necessário uma camada significativa de complexidade regulatória, incluindo requisitos de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de risco, monitoramento transacional e integração com o sistema financeiro nacional.
Nesse contexto, infraestruturas tecnológicas as a service, como a QI Tech, permitem que companhias disponibilizem produtos financeiros sem precisar estruturar internamente toda a operação de uma instituição financeira.
Mac Dowell diz que a fronteira entre vender um produto e oferecer crédito vem se tornando cada vez mais tênue no ambiente digital.
Segundo ele, ao integrar o financiamento diretamente na jornada de compra, muitas vezes de forma quase invisível no checkout, plataformas de e-commerce e marketplaces conseguem reduzir fricções no processo de pagamento e ampliar a conversão.
“Quando o crédito aparece de forma contextual na jornada, o consumidor ganha mais flexibilidade para realizar compras de maior valor, enquanto as empresas reduzem o abandono de carrinho, aumentando a conversão e ticket médio,” disse.
O avanço do modelo já pode ser observado em diferentes plataformas digitais no Brasil.
No varejo online, marketplaces passaram a oferecer soluções de parcelamento diretamente no checkout, permitindo que consumidores realizem compras mesmo sem ter cartão de crédito ou sem utilizar o limite disponível no cartão.
Nesse formato, o usuário recebe um limite pré-aprovado dentro da própria plataforma e paga as parcelas posteriormente por meio de Pix, boleto ou débito automático.
Um exemplo desse movimento é o da Shopee, que oferece no Brasil o SParcelado, funcionalidade que permite ao consumidor parcelar compras diretamente no aplicativo sem utilizar cartão de crédito.
O modelo amplia o acesso ao parcelamento e permite que consumidores realizem compras de maior valor dentro da própria plataforma.
Segundo Mac Dowell, o avanço do embedded finance também vem sendo observado em plataformas de serviços digitais.
Empresas de mobilidade e tecnologia passaram a integrar produtos financeiros em seus aplicativos, oferecendo desde carteiras digitais até crédito pessoal dentro da própria jornada do usuário.
A plataforma de mobilidade 99, por exemplo, expandiu sua estratégia financeira por meio da 99Pay, que reúne serviços como conta digital, pagamentos e oferta de crédito pessoal diretamente no aplicativo.
Ao integrar soluções financeiras ao cotidiano dos usuários, a empresa amplia o engajamento na plataforma e cria novas fontes de monetização.
Para a QI Tech, esse movimento sinaliza uma mudança mais profunda na forma como as empresas se relacionam com seus clientes e parceiros.
A tendência não se limita ao B2C e também começa a ganhar espaço em modelos B2B, em que plataformas passam a oferecer crédito e soluções financeiras para fortalecer seu ecossistema de parceiros.
Um exemplo é o Wellhub, plataforma de bem-estar corporativo que opera por meio de uma ampla rede de academias parceiras.
Em uma iniciativa conjunta com a QI Tech, a empresa lançou, em 2025, uma linha de crédito destinada a esses estabelecimentos, permitindo investimentos em infraestrutura, equipamentos e expansão operacional.
Segundo Mac Dowell, o caso mostra como o embedded finance também pode ser aplicado em ecossistemas B2B2C, fortalecendo parceiros e gerando impacto direto na experiência do usuário final.
Para ele, esse tipo de operação evidencia uma transformação estrutural no mercado: empresas fora do sistema financeiro tradicional passam a oferecer produtos de crédito como parte da sua proposta de valor.
“Com o apoio de infraestruturas reguladas, companhias de diferentes setores conseguem integrar soluções financeiras às suas jornadas digitais sem assumir toda a complexidade regulatória de um banco,” disse o CEO da QI Tech.






