O Agibank teve um lucro de R$ 215 milhões no quarto trimestre e de R$ 1 bilhão no acumulado do ano passado.

Os números ficaram dentro da expectativa de mercado, que foi ajustada para acomodar o fato de o INSS ter suspendido a concessão de empréstimos consignados do banco – o grande negócio do Agibank – durante alguns dias de dezembro para o acerto de contratos com problemas. 

A originação de empréstimos caiu 27,5% no quarto tri frente ao mesmo período de 2025. 

O bloqueio do INSS continuou até meados de janeiro, mas o banco já retomou o ritmo de originação que tinha antes disso, Marciano Testa, o fundador e CEO da Agi Inc., disse ao Brazil Journal.  

Marciano Testa

“A suspensão afetou nossos resultados apenas de forma temporária,” disse Marciano. Segundo ele, o Agibank tem 8,9% de participação no segmento de crédito consignado do INSS e um pace de originação que é o dobro da média de mercado.

O crescimento das principais linhas do resultado caiu para um dígito no quarto tri na comparação trimestral, frente à expansão de dois dígitos apresentada em trimestres anteriores.

O lucro aumentou 2,1%, enquanto a receita cresceu 5,6% e o total de clientes ativos teve uma alta de 5,1%, para 6,7 milhões. 

No ano, o lucro teve uma expansão de 31,8%. A receita aumentou 46,8% e o número de clientes, 72,9%. 

O ROE caiu para 35,8% no quarto tri, frente aos 38,9% dos três meses anteriores.

A carteira de crédito cresceu 1,1% no tri a tri e 43,9% no ano, para R$ 34,9 bilhões. 

Desse total, 86%, ou quase R$ 30 bilhões, são empréstimos com garantia – dos quais R$ 25 bilhões são linhas de consignado do INSS. O restante está dividido entre consignado público e privado e cartão de crédito. 

O Agibank criou um modelo que permite crescer com margem elevada numa linha de crédito com teto de juros, apoiando-se em tecnologia e pontos físicos, que são usados para captar clientes e auxiliar quem tem pouca intimidade com o ambiente digital. 

“Essa é a vantagem competitiva do Agi, e ainda há espaço para ocupar nesse segmento,” disse um analista do buyside que espera uma expansão de dois dígitos da carteira de empréstimos consignados do INSS no acumulado deste ano.

Uma dúvida é se o modelo é replicável para outros tipos de consignado. Marciano aposta na expertise que o banco acumulou nos últimos anos em três frentes: modelagem de crédito, operação com órgãos públicos e portabilidade. 

Para o empresário, “muitos bancos não têm a configuração necessária” para atender clientes com renda mais baixa e que precisam de suporte no digital.

No caso do consignado privado, disse o CFO Marcello Dubeux, “a demanda é abundante e não haverá apenas um vencedor”.  

A ação do Agibank caiu 23% desde o IPO em meados de fevereiro, em meio a um movimento de aversão a risco causado primeiro pela queda das ações de tecnologia e depois pela guerra do Irã. 

“Ficamos extremamente baratos, uma oportunidade de entrada, não de saída” disse Marciano. O banco vale US$ 1,4 bilhão na NYSE e negocia a 6x o lucro estimado para 2026, abaixo do PicPay, que tem um P/L de 8x. 

Ainda assim, analistas do sellside não descartam uma nova correção pós-resultado. “Um investidor desavisado, que não acompanha Brasil de perto, pode se assustar com a desaceleração e vender. Como a ação é pouco líquida, isso tem impacto,” disse um desses analistas.