Todos os anos, 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são gerados no mundo. O número expõe um dos principais desafios da indústria da moda: como conciliar crescimento e rentabilidade com a redução dos impactos ambientais e a adoção de modelos de produção e consumo mais circulares?
Neste episódio do videocast Climate Journal, Suelen Joner, head de ESG da Azzas 2154, fala sobre os caminhos para avançar na agenda climática do setor, da logística reversa e da recuperação de resíduos, além do engajamento de fornecedores na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Um dos principais desafios do setor está no chamado escopo 3: mais de 90% das emissões da companhia estão nessa categoria, que abrange sua cadeia de valor. Mobilizar fornecedores, muitos deles pequenos e médios negócios, exige capacitação, colaboração entre empresas e soluções coletivas.
A circularidade também esbarra em obstáculos econômicos e estruturais. Produtos reciclados sofrem bitributação e têm a mesma carga tributária de itens que utilizam matérias-primas novas.
“Isso faz com que seja mais barato descartar do que reinserir esse produto na cadeia produtiva ou mesmo fazer uma doação,” disse Suelen, ao defender mudanças que eliminem barreiras à logística reversa e ao reaproveitamento de materiais.
Para a executiva, a sustentabilidade precisa ser encarada como uma oportunidade de negócio, e não como um custo adicional.
“Conhecer as emissões do meu negócio não é só para preencher um formulário, mas uma oportunidade de identificar redução de custos e ser mais eficiente,” disse.
Na conversa, Suelen aborda também os riscos do greenwashing, a falta de tecnologia para reciclar produtos feitos de múltiplos materiais e os impactos das mudanças climáticas nos diferentes elos da cadeia da moda.
Climate Journal tem patrocínio de Vale e Azzas 2154.
O episódio também está disponível no Spotify.
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