As quatro sortes de Demis Hassabis

As quatro sortes de Demis Hassabis

Em geral invisto meu tempo em biografias cuja relevância já foi comprovada pela posteridade, como as de Leonardo Da Vinci ou Benjamin Franklin.

Mas The Infinity Machine: Demis Hassabis, DeepMind and the Quest for Superintelligence foi uma prazerosa exceção. (Compre aqui)

Apesar de meu forte interesse por inteligência artificial, eu não tinha a menor noção de quem era Demis Hassabis, até que um amigo me recomendou este livro – abrindo-me um mundo novo não só pela peculiaridade do caminho de Hassabis e sua mente privilegiada, mas também pela novela da evolução da AI, didaticamente explicada pelo autor, Sebastian Mallaby.

Hassabis aprendeu xadrez aos 4 anos; aos 6, já era um campeão. Nascido na Inglaterra, filho de pai grego-cipriota e mãe de Singapura, começou a programar aos 12. Depois, fez um PhD em Neurociência com o objetivo de melhorar sua computação, o que acabou lhe rendendo um Nobel em Química.

Àquela altura, ele já havia ficado rico como empreendedor e fundador da DeepMind, cujo objetivo era desenvolver uma superinteligência capaz de (wait for it) “resolver os maiores problemas da humanidade e desvendar os mistérios do universo.” 

Este é um livro sobre ciência, sobre empreendedorismo e sobre como Hassabis poderá impactar as vidas de bilhões de pessoas num futuro atual.

Pedir um resumo deste livro a uma AI pode ser tentador – mas não vai substituir a leitura completa. Cada pequeno detalhe enriquece de forma significativa a compreensão dos meandros do que está acontecendo no mundo da AI.

Na história da humanidade, tivemos cérebros que mudaram o mundo por suas teorias (Platão, Aristóteles, Newton, Einstein) e cérebros como os de DaVinci e Hassabis, cuja aplicação prática de sua genialidade permitiu a evolução da humanidade.

É muito interessante entender como uma mente multidisciplinar foi capaz de unir pontos necessários ao processo de criação e descobertas, e como a “sorte” também teve o seu papel em tudo isso.

Outro dia aprendi num post da empresa de venture capital a16z e seu fundador, Marc Andreesen, que há quatro tipos de sorte: a sorte “cega” (que não requer esforço e não podemos afetar), a sorte “em movimento” (proveniente da colisão de ideias, fatos e eventos, impossível se a pessoa estivesse “parada”), a sorte “da mente preparada” (cujo conhecimento único permite reconhecer padrões e oportunidades que se apresentam) e a sorte “do ego exótico” (que favorece os que saem da manada de alguma forma com seus hobbies ou experiências de vida).

Não tenho dúvida de que Hassabis foi “tocado” pelos quatro tipos de sorte.

Este livro é sobre Jedi, Atari, Blade Runner, Xadrez, Go, Darwin, Biologia, Física e Silicon Valley – e sobre um ser humano espetacular que está transformando o mundo. 

Marcelo Mesquita é fundador da Leblon Equities e da TheLysts.