Nos EUA, fundos de distressed montam posição em REITs

Nos EUA, fundos de distressed montam posição em  REITs

Apesar do consenso de mercado prever uma hecatombe iminente no setor imobiliário americano, alguns fundos de distressed já começaram a fazer compras seletivas de REITs – os fundos imobiliários de lá – aproveitando-se de uma queda substancial e gradativa que já dura um ano.

Desde a pandemia, os imóveis comerciais viraram o patinho feio do setor nos EUA. E a situação piorou recentemente, com os juros altos jogando os preços para baixo ao mesmo tempo em que a demanda por espaços comerciais não voltou como se esperava.

Os imóveis locados ao varejo também vêm sofrendo nos EUA com uma vacância ainda alta, e até setores mais defensivos como o de propriedades para saúde tem enfrentado turbulência. 

Os REITs especializados em lajes corporativas acumulam uma perda de 10% este ano, já considerando os dividendos pagos, segundo dados da consultoria Nareit citados pelo The Wall Street Journal. Os REITs de varejo tem um ganho de 3% e os residenciais, de 13%, em comparação a uma alta de 19% do S&P. 

Essa performance abaixo do mercado fez algumas gestoras de ativos distressed começarem a alocar em REITs, especialmente os que têm baixa exposição a lajes comerciais mas que também caíram por tabela. 

Um dos alvos recentes dos fundos de distressed é o Diversified Healthcare Trust, um REIT que investe principalmente em imóveis usados como asilos para idosos e escritórios para médicos. Quatro gestoras -- a D.E. Shaw, Flat Footed, H/2 Capital e Lone Star Capital -- compraram 20% desse REIT nos últimos meses depois da ação ter caído 80% ao longo do ano passado. 

A aposta das quatro gestoras é de que os asilos para idosos, que sofreram para atrair residentes durante a pandemia, começarão a ver um fluxo de novos clientes baby boomers (pessoas que nasceram nos anos 40 a 60).

Essa tese, no entanto, esbarrou numa proposta da RMR Group, a gestora do Diversified Healthcare, de fundi-lo com outro fundo que ela também gere, o Office Properties Income Trust, que é muito concentrado em lajes corporativas. 

A proposta criou uma disputa entre a RMR e os fundos de distressed, que contrataram advogados e advisers para tentar barrar a transação. “Tem sido uma loucura desde o anúncio da transação. Nunca tinha visto nada como isso,” um analista do mercado de REITs disse ao WSJ. 

As gestoras acusam a RMR de usar a fusão entre os dois REITs para fortalecer o Office Properties, que tem sofrido recentemente, e com isso preservar seus retornos com a taxa de administração. Já a RMR disse ao WSJ que a fusão busca desalavancar o Diversified Healthcare antes do vencimento de uma dívida bancária de US$ 450 milhões.

A votação da transação acontece dia 30 de agosto. Os investidores que se opõem à fusão controlam pelo menos 28% do capital, enquanto o CEO da RMR, Adam Portnoy, comprou 10% do capital depois do anúncio. 

O Diversified não é o único REIT alvo de disputas.

O Western Asset Mortgage Capital -- um REIT de papel que detém títulos de dívida de imóveis residenciais e comerciais e cuja ação caiu mais de 50% no último ano -- anunciou em junho o plano de se fundir com um outro REIT da mesma gestora. 

Duas semanas depois, o hedge fund e gestor de REITs Angelo Gordon fez uma oferta hostil para comprar 100% do Western.

Segundo o WSJ, o Angelo diz que sua oferta é maior e que a fusão proposta anteriormente traz muitos riscos para os investidores. A Mavik, a gestora do Western, diz basicamente a mesma coisa, mas sobre a sua transação.