He did it again.
Elon Musk acaba de lançar o novo Roadster da Tesla, um carro que vai de 0 a 100 km/h em menos de 1 segundo – e voa.
E não é no sentido figurado: um sistema de propulsão criado pela SpaceX faz o carro voar, literalmente.
É a ficção tornada realidade mais uma vez, por duas empresas que elevaram a engenharia e a inovação a um patamar inédito. O novo Tesla esportivo sai do chão da mesma maneira que o carro da icônica série Super Máquina, dos anos 80, fazia quando seu Turbo Boost era acionado.

O Roadster foi apresentado a convidados na noite de ontem, em uma demonstração na Rocket Development and Testing Facility, nas instalações da SpaceX no Texas.
“Um amigo meu, Peter Thiel, disse certa vez que o futuro tinha nos prometido carros voadores, mas, em vez disso, ganhamos 140 caracteres,” Musk disse durante a apresentação em referência ao antigo limite de caracteres nas publicações do Twitter. “Bem, isso já não é mais verdade.”
Na demonstração, sem a ajuda de nenhuma rampa e apenas com a ação de seus propulsores, o carro decolou e voou sobre cinco veículos estacionados um ao lado do outro – três carros, um caminhão e uma picape Cybertruck – com direito a uma ‘flipada’ de 360 graus no meio da trajetória, antes de um pouso perfeito.
Os carros possuem controles de altitude e propulsores similares aos de foguetes. “Conseguem fazer giros e manobras acrobáticas impressionantes,” disse Musk.
É um carro que vai para as ruas?
O esportivo apresentado não foi adaptado com as especificações de segurança dos automóveis de passeio, mas Musk disse que colocará no mercado carros com recursos semelhantes aos exibidos ontem.
“Não tenho certeza se ele será permitido em todas as jurisdições, mas haverá um carro desse tipo que alguém poderá comprar,” afirmou.
Com os propulsores da SpaceX, o esportivo vai de 0 a 60 milhas por hora (aproximadamente 96 km/h) em 81 centésimos de segundo. A velocidade máxima chega a cerca de 370 km/h.
Ainda mais impressionante do que o salto sobre os veículos foi a demonstração em que o Roadster sobe em uma rampa gigantesca até ficar parado no ar, de cabeça para baixo – desafiando a lei da gravidade.
Na sequência, o carro avança para fora da rampa, de cabeça para baixo, e como um gato vira em pleno ar e aterrissa com as rodas no chão.
Isso é possível porque, além dos propulsores, o Roadster possui um sistema de sucção que, quando ativado, o mantém ‘colado’ no chão.

O conjunto de ventoinhas com múltiplos modos e vedação em relação ao solo atua como um gerador de força descendente (downforce), sugando ar debaixo do veículo. Segundo o vice-presidente de engenharia da Tesla, Lars Moravy, o mecanismo cria uma aceleração de 2G – compensando com folga a ação gravitacional, de 1G.
As ventoinhas motorizadas e aerofólios maximizam a tração e a velocidade em curvas.
Ao ativar o ‘modo pista’ (track mode), o carro é rebaixado. Dependendo da necessidade na pista, é possível optar por modos de maior força descendente ou de menor arrasto aerodinâmico.
Interessado?
A Tesla aceita reservas no site do Roadster – mas só para as versões mais básicas, que não saem do chão. O modelo Rocket, que voa e dá piruetas no ar, por enquanto é exclusivo para convidados.
A produção comercial deverá ter início em 2028, mas este é um projeto que já enfrenta anos de atraso. Apresentado pela primeira vez há dez anos, o carro tem uma fila de espera com interessados que já pagaram até US$ 250.000 adiantados.
Musk reconhece que o carro não deverá ter um volume de vendas que mexam no ponteiro dos resultados da Tesla, mas certamente vai promover – e muito – a marca.
Segundo o analista de ações de tecnologia Dan Ives, da Yorkville Ives, o Roadster não terá um impacto significativo no volume ou na receita da empresa, já que sua produção será limitada.
“Os investidores não devem considerá-lo um motor de crescimento,” afirmou Ives em relatório. “O que ele faz é restaurar o prestígio da marca no topo do mercado e colocar em evidência a sua capacidade de engenharia.”
Em outubro de 2024, a SpaceX já havia realizado um feito inédito, com um foguete pousando de ré na própria base de lançamento.
Musk, sabendo que é quase impossível, vai lá e faz.





