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‘S&P 10’: a concentração inédita por trás da alta da Bolsa americana

‘S&P 10’: a concentração inédita por trás da alta da Bolsa americana

O S&P 500 opera perto da máxima histórica, mas a alta está localizada em pouquíssimos papéis – um nível de concentração jamais visto no mercado americano. 

Desde o low de março, no início da guerra no Irã, o índice já subiu 22% – mas cerca de 70% da valorização é explicada pelo desempenho de dez ações, todas de empresas de tecnologia, como Nvidia, Apple e Microsoft. 

A alta destes papeis é tão expressiva que sustenta a valorização de 13% do S&P no ano – apesar de boa parte das companhias do índice operarem em baixa. 

No acumulado do ano, em torno de 40% das ações do S&P acumulam perdas, segundo um levantamento da Reuters. Destes, 60% estão mais de 20% abaixo do high. 

As ações com beta negativo – ou seja, que se movem na direção oposta à do índice – bateram o recorde de 43% em agosto, de acordo com a Goldman Sachs. Hoje essa taxa está em 23%, ainda assim bem acima da média de 1,2% desde 2010.

O S&P 500 é ponderado pelo valor de mercado das companhias ajustado pelo free float. Isso significa que quando uma empresa se valoriza, seu peso no índice aumenta, o que atrai mais recursos dos fundos passivos que replicam o indicador. 

Com a alta das ações de tech, o S&P nunca foi tão concentrado: dez empresas respondem por 40% da capitalização – e o mercado estima que esse percentual possa chegar a 65% com a inclusão da SpaceX, Anthropic e OpenAI.

“O S&P 500 está mais parecido com o Nasdaq, o que significa que os investidores não estão diversificando como no passado. Estão concentrados em poucas empresas de tecnologia, e muitos nem sabe disso,” Roque Sut, o CIO da Setta Gestão Patrimonial, disse ao Brazil Journal. 

Quem busca uma exposição diversificada tem preferido o S&P Equal Weight, composto pelas mesmas empresas do S&P 500, mas com pesos iguais.

O Equal Weight chegou a superar o S&P 500 no primeiro semestre em meio à rotação dos investidores para ações de diferentes setores, que negociavam a múltiplos mais baixos que os das gigantes de tecnologia.

Mas essa vantagem desapareceu nos meses seguintes devido em grande parte à desaceleração da economia americana. No acumulado do ano, o Equal Weight agora sobe 11%; o S&P, quase 13%. 

Com um maior peso relativo de setores mais ligados ao ciclo econômico, o Equal Weight é mais sensível ao desempenho de empresas pressionadas por juros elevados e perspectiva de desaceleração do PIB.

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