Era a primeira vez que o tradicional World Petroleum Congress (WPC) acontecia na Arábia Saudita. O que ninguém imaginava era que o evento em Riad entraria para a história, e não pelos melhores motivos.
Com a promessa de reunir representantes de mais de 100 países – entre ministros, CEOs, executivos e técnicos – o evento entre 11 e 15 de outubro começou enquanto os rebeldes Houthis, do Iêmen, lançavam ataques contra o aeroporto de Riad no fim de semana que mataram pelo menos 13 e deixaram mais de 300 feridos.

Apesar da tensão no ar e do cancelamento de voos, o congresso foi mantido, com o príncipe e ministro de Energia Abdulaziz bin Salman dizendo na segunda-feira que “a palavra ‘medo’ não existe no dicionário saudita”, de acordo com o The New York Times.
Nem todos estavam tão seguros. Os CEOs da ExxonMobil, Shell, BP e TotalEnergies cancelaram suas participações. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, entrou por videoconferência.
Em um novo ataque, ontem, os terroristas alvejaram os headquarters da Saudi Aramco, que sofreu danos e um pequeno incêndio. Um porta-voz dos Houthis disse que o grupo seguirá mirando os aeroportos e a infraestrutura de energia saudita.
A onda de ataques ameaça a ambição do Príncipe Mohammad bin Salman de fazer de seu reino um palco de eventos internacionais – parte de seu plano Vision 2030 de diversificação da economia saudita para além do petróleo.
Realizado desde a década de 1930, o WPC ocorre a cada três anos. Ao divulgar a edição deste ano, os organizadores disseram que Riad era “o cenário perfeito para nosso Congresso”, citando o desejo saudita de “se posicionar como um centro de excelência para inovação e desenvolvimento no século XXI e além.”
Ainda este mês, entre os dias 26 e 29, está agendada a realização do Future Investment Initiative, conhecido como “Davos do Deserto” – o principal evento do país, agora em sua décima edição. O FII traz na programação os CEOs do JP Morgan, Goldman Sachs, Citi, HSBC e BlackRock.
O Governo saudita disse ao Financial Times que tanto o WPC quanto o FII estão mantidos.
Os rebeldes Houthis, apoiados pelos iranianos, têm travado um longo conflito com o Governo do Iêmen, que por sua vez é apoiado por uma coalizão militar liderada pelos sauditas.
Mais recentemente, o grupo xiita se envolveu em ataques a navios no Mar Vermelho e em disputas pelo Estreito de Bab el-Mandeb, uma alternativa ao Estreito de Ormuz.
Os ataques contra a Arábia Saudita ocorrem após o país ter retomado sua campanha militar no Iêmen em apoio ao governo reconhecido internacionalmente para reverter avanços dos Houthis no mês passado, incluindo a disputa por Bab el-Mandeb.





