O UBS está avaliando trocar a Suíça, onde tem sua sede, por algum outro país da Europa ou os Estados Unidos – fazendo esse movimento por meio de um M&A com bancos locais.
A informação foi reportada pelo The Wall Street Journal, citando fontes a par do assunto. O banco ainda não confirmou o movimento.
Segundo o WSJ, a saída seria uma resposta a uma mudança regulatória que está sendo debatida no parlamento da Suíça, e que passaria a exigir um capital significativamente maior de bancos considerados too big to fail.
Depois da crise do Credit Suisse, que o levou a ser incorporado pelo UBS numa operação que contou com o apoio financeiro do Governo suíço, os parlamentares querem que o UBS mantenha um volume substancial de capital adicional como garantia para suas operações no exterior. Segundo estimativas do próprio UBS, as mudanças custariam cerca de US$ 16 bilhões ao banco.
O UBS é o último grande banco suíço com presença global – e uma saída do país seria um baque para a economia local.

O banco, que tem US$ 1,7 trilhão em ativos, não abre o tamanho de sua operação suíça, mas diz que empresta cerca de US$ 420 bilhões a empresas e famílias, e que o país responde por um terço de sua receita.
Segundo o WSJ, as opções que estão na mesa são comprar uma instituição financeira com sede nos EUA e transferir suas operações para lá; fundir-se com um concorrente europeu; ou vender o negócio a um grande banco americano.
O jornal disse ainda que o UBS já teria sido abordado por bancos americanos interessados em algum tipo de transação, mas que não está com conversas ativas ainda.
Há a possibilidade também de que o discurso seja apenas um blefe para convencer os legisladores a mudarem seus planos.
“O UBS quer ser um banco global, enquanto as pessoas na Suíça gostariam que ele fosse um banco local voltado aos pequenos comerciantes e famílias, e que atuasse como um banco de poupança local,” Stefan Legge, um professor e chefe da área de política tributária e comercial da Universidade de St. Gallen, disse ao WSJ. “Estamos assistindo a um jogo de resistência. Quem vai ceder primeiro?”
O WSJ notou que os parlamentares suíços argumentam que precisam tomar medidas mais rigorosas para proteger o país contra um colapso bancário que poderia desencadear uma crise da dívida soberana.
As regras atuais foram escritas depois que o UBS precisou de um resgate financeiro superior a US$ 50 bilhões na crise financeira global de 2008. Mas essas regras não foram plenamente implementadas, e se mostraram ineficazes quando o Credit Suisse entrou em crise, em 2023.
As preocupações fazem sentido. Como o WSJ mostrou, os US$ 1,7 trilhão em ativos do UBS equivalem a cerca de 150% do PIB suíço, enquanto os ativos do maior banco americano respondem por apenas 15% do PIB dos EUA.
Segundo o WSJ, Colm Kelleher, um ex-presidente do Morgan Stanley que é chairman do UBS desde 2022, “está cada vez mais favorável” à possibilidade de explorar um movimento estratégico.
Já o CEO Sergio Ermotti – um suíço que voltou ao UBS em 2023 para liderar a aquisição do Credit Suisse – é um pouco mais reticente. Quando assumiu o UBS, ele disse que tinha um senso de “dever nacional” – ainda que tenha suavizado o discurso nacionalista desde que o Governo começou a discutir o aumento das exigências de capital.
“Ambos desejam continuar administrando um UBS global a partir da Suíça, mas reconheceram que pode chegar um momento em que isso não seja mais possível,” disse o WSJ citando uma fonte familiarizada com a visão do banco, que disse ainda que tanto o chairman quanto o CEO estão “plenamente alinhados” sobre o problema.





