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O ‘choque de desânimo’ que o mercado está precificando

O ‘choque de desânimo’ que o mercado está precificando

Os gestores passaram os últimos dias ajustando as carteiras para um cenário em que o governo Lula não faz um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida – misturado ao risco de partir para medidas heterodoxas quando a economia começar a patinar.

Ainda que faltem evidências para projetar o médio prazo – o País sequer conhece a nova equipe econômica – o histórico dos últimos mandatos de Lula indica que “não é razoável esperar um ajuste relevante,” o economista-chefe da Vinland, Aurélio Bicalho, disse num call com clientes hoje cedo. 

O histórico também sugere, segundo ele, que o governo deve tentar estimular a economia com incentivos fiscais e de crédito – mas, agora, isso tende a produzir mais inflação e pouco crescimento, em razão da baixa capacidade ociosa da economia.

Nos governos anteriores de Lula, a existência de capacidade ociosa conteve esse repasse para os preços, disse o economista.

“O potencial da economia brasileira é baixo e não há evidência de aumento desse potencial. A nossa taxa de investimento é pequena, a produtividade também, e a questão demográfica mudou muito,” afirmou ele. 

Para um dos principais gestores de recursos do País, o “choque de desânimo” que tomou conta dos empresários deve bater no PIB a partir de 2027. 

“Quando isso acontecer, vai dar aquele pânico e o perigo é o governo fazer bobagens ainda maiores,” disse esse gestor. “O mercado está precificando isso. Eu sou você amanhã.”

Um erro, na visão desse gestor, seria usar bancos públicos para ajudar setores estrangulados pelos juros baixos. Outro, na opinião de Bicalho, seria aumentar a meta de inflação. 

“Nossa expectativa em relação ao novo ministro da Fazenda é que ele não piore as coisas,” disse o gestor. 

Diante do cenário, assim como outras gestoras, a Vinland está mais defensiva. “Não temos urgência em montar posições,” disse José Monforte, um dos portfolio managers da casa. 

O fundo macro está comprado em dólar e investindo em juros na Colômbia – que, para Monforte, pode iniciar um ciclo de afrouxamento monetário em 2027.

Em ações, o gestor Rodrigo Andrade aumentou os investimentos em exportadoras – como Embraer, Suzano e WEG (todas subiram pós-segundo turno, num sinal de que não há muito para onde fugir). 

Também aumentou posições em Itaú, transmissoras de energia (como Eneva e Copel) e Bradsaúde, uma geradora de caixa cujo resultado financeiro se beneficia de uma Selic mais alta. E está short em varejistas e incorporadoras.