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Bolsa pode receber R$ 225 bi em cenário-base de queda de juro

Bolsa pode receber R$ 225 bi em cenário-base de queda de juro

O BTG Pactual mapeou quais ações os estrangeiros devem comprar se o cenário de redução dos juros se concretizar no País depois da eleição de domingo.

A equipe liderada por Carlos Sequeira analisou os meses em que os estrangeiros foram compradores líquidos de pelo menos R$ 5 bilhões na Bolsa brasileira.

Desde 2020, houve 26 meses com essa característica, e o banco se debruçou sobre os cinco períodos mais recentes: setembro de 2025, janeiro, fevereiro e março de 2026, e setembro de 2026.

As empresas que fazem parte do Ibovespa responderam por cerca de 93% das compras líquidas de ações com saldo mensal positivo.

Olhando no detalhe dentro do índice, os destaques foram Petrobras, Vale e Prio. 

Neste período, a entrada líquida de capital externo somou R$ 56 bilhões. Desse total, a Petrobras atraiu cerca de R$ 18 bilhões, considerando ações ordinárias e preferenciais – ou quase um terço do total. 

A Vale recebeu cerca de R$ 11 bilhões (19%), enquanto a Prio ficou com R$ 7 bilhões (13%). Juntas, essas três empresas concentraram quase dois terços do fluxo de recursos estrangeiros nesse período analisado.

Na sequência vieram Banco do Brasil, com aproximadamente R$ 5 bilhões; Itaúsa e o próprio BTG, com cerca de R$ 4 bilhões cada; e Eneva, com R$ 3 bilhões.

Fora do Ibovespa, os valores foram muito menores. GPS e Bradsaúde receberam aproximadamente R$ 400 milhões cada, enquanto Orizon, Sanepar e Petz/Cobasi atraíram em torno de R$ 300 milhões por empresa.

O banco também mediu as ações que mais se valorizaram naqueles períodos de forte entrada de recursos externos – aqueles 26 meses desde 2020. 

Os destaques foram, de novo, os setores de óleo e gás e o financeiro. A Prio teve a maior valorização: a ação subiu em média 11% nesses meses, superando o Ibovespa em 6,1 pontos percentuais. 

A PetroRecôncavo teve alta média de 9,3% e a Petrobras ON, de 9,1%. A estatal foi uma das empresas mais consistentes, batendo o Ibovespa em 73% dos meses analisados.

BTG e B3 subiram em torno de 8%, em média. 

Embora os estrangeiros concentrem suas compras nas maiores empresas da Bolsa, uma onda de recursos também beneficiou ações domésticas mais cíclicas. 

A Cyrela registrou uma valorização média de 7,7% nos meses de forte fluxo estrangeiro, superando o Ibovespa em 2,8 pontos percentuais.

A SmartFit teve alta média de 7,3%, enquanto C&A e Assaí avançaram cerca de 9%. 

O relatório também estimou quanto capital poderá ser direcionado para a Bolsa caso os juros realmente caiam e as perspectivas macro para o País melhorem.

Uma realocação relativamente modesta dos fundos locais – saindo do patamar atual de 8,9% para 10% – poderia levar quase R$ 100 bilhões para a B3. 

Se a exposição voltasse aos níveis de 2020, esse fluxo chegaria a R$ 528 bilhões.

“Naturalmente, uma realocação dessa magnitude levaria alguns anos para se concretizar. Mas não ficaríamos surpresos se a participação das ações nas carteiras subisse rapidamente para 10%,” escreveram os analistas do banco.

No caso dos estrangeiros, se os fundos dedicados a mercados emergentes retomassem a exposição que tinham a ações brasileiras em abril – 6%, versus os 4,7% de agora, seriam US$ 25 bilhões (ou R$ 125 bilhões) em investimentos adicionais.

Num cenário mais otimista, em que esses fundos aumentassem a alocação no País para 8%, o fluxo chegaria a US$ 63 bilhões (R$ 315 bilhões).

Há ainda os fundos globais, que administram cerca de US$ 7 trilhões e têm uma exposição minúscula ao Brasil. Se elevassem essa participação dos atuais 0,37% para 1%, seriam outros US$ 44 bilhões (R$ 220 bilhões).