Ainda sem o Clarity Act, Wall Street acelera tokenização, diz a Barron’s

Ainda sem o Clarity Act, Wall Street acelera tokenização, diz a Barron’s

O Clarity Act, a legislação que deverá dar segurança jurídica para a negociação e posse de criptomoedas nos EUA, emperrou no Senado. Mas Wall Street agora tem pressa para embarcar na era da tokenização.

O assunto foi capa da Barron’s desta semana.

A Intercontinental Exchange (ICE), controladora da NYSE, anunciou na semana passada uma joint-venture com a exchange de criptoativos californiana OKX. Cada uma das empresas terá 50% na plataforma OKXICE, para a negociação de ações tokenizadas.

“Este é um passo decisivo rumo a uma Wall Street verdadeiramente global e em funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana,” disse Andrew Cuomo, o ex-governador de Nova York e co-chair da OKXICE.

Imagem

Falando à Barron’s, Cuomo comparou a transição para a negociação de ativos tokenizados ao surgimento da análise automatizada de crédito imobiliário ou à digitalização do mercado de ações no início dos anos 2000.

Investidores ao redor do mundo não ficarão mais submetidos aos trading hours do mercado americano, e a liquidação praticamente instantânea por meio de uma blockchain vai liberar capital que hoje chega a ficar preso por dias à espera da conclusão de uma transferência.

“Espero que Wall Street continue existindo como Wall Street, mas terá de operar de maneira diferente,” disse Cuomo.

A novidade será permitida por causa de uma recente decisão da SEC que concedeu uma “isenção para inovação” temporária e autorizou a negociação de ações tokenizadas, desde que sujeita a algumas regras – entre elas, comunicar as companhias emissoras das ações com 30 dias de antecedência e apenas criar o novo ativo se não houver objeção.

A diretriz da SEC foi publicada dias depois de o Clarity Act não conquistar os votos mínimos necessários para aprovação no Senado – ou seja, revelando a disposição do Governo Trump de promover os criptoativos a despeito das resistências no Congresso.

Imagem

A NYSE não é a única com pressa para embarcar na era do blockchain.

A CEO da Nasdaq, Adena Friedman, disse que a tokenização deverá liberar dezenas de bilhões de dólares em capital hoje imobilizado como colateral.

“Se tokenizarmos todos esses instrumentos juntamente com o fluxo de dinheiro, a garantia se torna muito fluida,” Friedman disse à CNBC.

Assim como a NYSE, a Nasdaq também está desenvolvendo sua própria plataforma, em parceria com a Payward, a controladora da exchange Kraken.

Mesmo antes da recente isenção da SEC, a Robinhood já havia lançado (no ano passado) a negociação de ações tokenizadas – mas apenas para seus clientes na Europa. Em breve os clientes dos EUA terão essa possibilidade.

Analistas do Citi estimaram que o mercado de ativos tokenizados atingirá US$ 5,5 trilhões até 2030. Esse é o cenário base. No bull case, o total chegaria a US$ 8,2 trilhões. Hoje, esse mercado seria de ‘apenas’ US$ 17 bilhões.

Na conta do banco entram não apenas ações, mas todos os ativos que potencialmente poderão migrar para a blockchain – como títulos, fundos e talvez até mesmo ativos menos líquidos, como imóveis.

Segundo a Barron’s, um marco dessa transformação ocorrerá ainda este mês, quando a Depository Trust & Clearing Corporation – entidade da indústria financeira responsável por assegurar o processamento e a liquidação das negociações – colocar em atividade uma plataforma que permitirá a seus clientes tokenizar ações, ETFs e títulos.

Com essa nova plataforma, será possível converter ativos tokenizados em ativos tradicionais e vice-versa. As ações serão transferidas entre os detentores quase instantaneamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana.