Na era da inteligência artificial, os consultórios médicos ainda operam com soluções da idade da pedra – pelo menos quando o assunto é o relacionamento com os seus clientes.
Esse é o diagnóstico de Lucas Assis e Bruno Henrique, que desenvolveram um software de CRM – turbinado com AI – para ajudar os médicos independentes a captar e reter pacientes.
“Fomos num evento em Belo Horizonte com uns 120 médicos, e menos de 10% deles usavam algum tipo de CRM. Alguns nunca nem tinham ouvido falar nisso”, Lucas disse ao Brazil Journal. “Normalmente, só o que eles têm é uma secretária que cuida da agenda, confirma as consultas e também serve o cafezinho.”

A Healo nasceu da experiência dos dois à frente da Groohub, uma consultoria de marketing e vendas especializada em clínicas médicas.
Ao implementar sistemas de CRM de terceiros em alguns dos clientes da Groohub, os fundadores perceberam que as ferramentas disponíveis eram genéricas e difíceis de usar – e decidiram criar uma própria.
“A usabilidade dessas ferramentas é muito ruim. São sistemas que exigem conhecimento para usar, e a clínica normalmente não tem um profissional com esse perfil,” disse Bruno. “Os CRMs que existiam também são muito generalistas, feitos para qualquer negócio que tenha um fluxo conversacional. Eles não têm familiaridade com as rotinas das clínicas, e muitas vezes são mais robustos que o necessário.”
A proposta da Healo é simplificar a operação, com uma interface semelhante à do WhatsApp e recursos desenhados para a rotina dos consultórios.
A plataforma organiza o relacionamento com pacientes desde o primeiro contato até o agendamento de uma consulta ou a contratação de um procedimento. Nos planos mais caros, permite automatizar mensagens de acompanhamento, recuperar contatos que deixaram de responder e estimular o retorno de pacientes.
A startup também já está incorporando ao sistema agentes de AI capazes de analisar conversas, identificar gargalos no atendimento e atualizar automaticamente as informações do CRM – um trabalho que depende hoje do preenchimento manual.

“Enxergamos os agentes de AI como potencializadores,” disse Bruno. “Dependendo da clínica eles até podem substituir o trabalho inteiro de uma secretária. E, em outras, vão potencializar o trabalho dela.”
Com apenas dois meses de operação, a Healo captou 21 clientes que pagam um tíquete médio de R$ 407 por mês. Três desses clientes já utilizam o plano mais caro, que inclui os recursos de AI.
A maior parte dos primeiros clientes veio da Groohub, que atende 66 clientes e deve faturar cerca de R$ 3 milhões este ano. Os negócios têm sinergia, mas os fundadores veem no software um potencial de escala muito maior do que na prestação de serviços.
A Healo está entrando num mercado que os fundadores estimam em 340 mil clínicas médicas no Brasil, excluindo as odontológicas. Desse total, 70 mil teriam o perfil ideal para a Healo.
A maioria dos clientes da startup são médicos em início de carreira, mas Lucas disse que há casos de médicos experientes buscando a solução. “Tem alguns médicos com mais de 20 anos de estrada nos procurando porque estão vendo médicos mais novos, que entendem de marketing e captação, roubando seus pacientes,” disse ele.
A meta da Healo é chegar a 600 a 1 mil clientes até 2030. Com 600 clientes, a projeção é uma receita anual de cerca de R$ 10 milhões.
Por enquanto, a startup está sendo bancada com recursos da Groohub, mas os empreendedores já estão em conversas para uma potencial rodada de capital que permita acelerar os planos de crescimento.
A visão de médio/longo prazo é criar uma solução one-stop-shop que atenda todas as necessidades dos consultórios – incluindo, por exemplo, a criação de prontuários eletrônicos com assistentes de AI capazes de preencher informações automaticamente, além de ferramentas de gestão financeira.





