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    <title>Brazil Journal - Latest news</title>
    <description>Quem faz o PIB lê.</description>
    <link>https://braziljournal.com</link>
    <pubDate>Fri, 30 Oct 2026 14:55:00 +0000</pubDate>
    <language>pt-BR</language>
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      <title>Brazil Journal</title>
      <link>https://braziljournal.com</link>
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    <item>
      <title>O maior roubo cibernético da história: Binance perde US$ 6,3 bi (em 20 minutos)</title>
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      <pubDate>Fri, 30 Oct 2026 14:55:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/o-maior-roubo-cibernetico-da-historia-binance-perde-us-6-3-bi-em-20-minutos</link>
      <category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
      <category><![CDATA[Cybersecurity]]></category>
      <category><![CDATA[Cripto & Blockchain]]></category>
      <category><![CDATA[Binance]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliano Guandalini]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Um ataque hacker desviou US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior <em>exchange</em> de cripto moedas do mundo. É o maior roubo cibernético já feito – e num momento em que a indústria cripto procura conquistar legitimidade como alternativa às instituições financeiras tradicionais.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Um ataque hacker desviou US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior <em>exchange</em> de cripto moedas do mundo.
É o maior roubo cibernético já feito – e num momento em que a indústria cripto procura conquistar legitimidade como alternativa às instituições financeiras tradicionais.
Segundo a Binance, sua investigação inicial sugere que o incidente pode envolver o comprometimento do notebook de um engenheiro, o que permitiu que um invasor obtivesse acesso e realizasse saques não autorizados.
A empresa de inteligência em blockchain TRM Labs ligou o ataque a um grupo norte-coreano conhecido como TraderTraitor – uma ‘unidade de elite’ de hacker do país liderado pelo ditador comunista Kim Jong Un.
Os US$ 6,3 bi, desviados em cerca de 20 minutos, equivalem a quase 25% do PIB da Coreia do Norte.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asE2CqwiVxeUGSznY.jpg" alt="" /></p>
Hackers baseados na Coreia do Norte também estariam envolvidos no roubo de US$ 1,5 bilhão em criptomoedas num ataque à corretora Bybit – até então o maior assalto do tipo já registrado.
A Binance suspendeu temporariamente as operações de saque em sua plataforma, enquanto investiga as causas do ataque e vasculha possíveis novas brechas de segurança. A expectativa é que o serviço seja restabelecido até domingo.
Ainda faltam detalhes sobre como a ação foi executada, mas a suspeita recai sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial.
Nos últimos dias, houve uma série de outros ataques. Segundo a <em>Bloomberg</em>, os alvos foram a plataforma de apostas Polymarket, as firmas de investimentos sul-coreanas Mirae Asset e Daishin Securities, e a corretora de moedas japonesa GMO.
A Binance é, de longe, a maior plataforma global de cripto, com ativos estimados em US$ 135 bilhões. A segunda maior, a OKX, tem US$ 29 bi em depósitos.
No ataque, foram desviados fundos nas <em>stablecoins</em> USDC e USDT, além de Bitcoins e Ethers.
De acordo com a TRM, os hackers conseguiram desviar 18.270 Bitcoins e mais de 420.000 Ethers – em um total equivalente a US$ 2,4 bilhões. O restante teria sido em <em>stablecoins.</em>
A Binance procurou tranquilizar os clientes afirmando que os fundos depositados estão cobertos – por fundos de garantia e pelo capital da própria empresa.
A notícia do ataque atingiu as criptomoedas, com o Bitcoin caindo abaixo de US$ 80 mil.
Na abertura do mercado agora pela manhã, as ações de exchanges e outras empresas da indústria cripto estão em queda, entre elas a Coinbase e a Strategy.
Changpeng Zhao, o “CZ”, fundador da Binance, publicou no X uma nota da empresa dizendo que eles conseguiram recuperar parte das moedas e reuniram uma reserva de US$ 6,34 bi para “cobrir o incidente” – sendo US$ 5 bi nos mesmos ativos que foram desviados.
Para conter a circulação das moedas hackeadas, outras exchanges congelaram temporariamente as negociações com stablecoins. Foram bloqueados cerca de US$ 3 bi.
A Chainalysis, uma firma de análise de rastreamento de criptoativos, observou padrões de lavagem de dinheiro “nunca antes vistos.”
“Milhares de transações em um curto período sugerem que os hackers estão usando automação para ocultar o rastro das moedas,” disse a empresa. “Em vez de simplesmente transferir os fundos, eles fazem os ativos circular repetidamente entre endereços.”
Os Bitcoins roubados no ataque provavelmente serão impossíveis de recuperar, segundo Bobby Lee, fundador da Ballet Global, uma empresa que fabrica carteiras de hardware para ativos digitais.
“Já era,” disse Lee em uma entrevista à <em>Bloomberg</em>. “Os Bitcoins perdidos foram parar, todos eles, nas mãos dos hackers.”
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    </item>
    <item>
      <title>OPINIÃO. O que o marco legal da AI vai mudar para as empresas </title>
      <guid isPermaLink="false">/cegmRFc4Am at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 30 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/opiniao-o-que-o-marco-legal-da-ai-vai-mudar-para-as-empresas</link>
      <category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Udo Seckelmann, Pedro Heitor de Araújo, Raphael Cvaigman]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Desde agosto, a Europa passou a exigir diversas obrigações para os desenvolvedores de inteligência artificial, sobretudo os fornecedores dos chamados modelos de finalidade geral (<em>general-purpose AI models</em>), tais como os desenvolvidos pela Open AI e Anthropic. Treinados com grandes volumes de dados e capazes de executar tarefas variadas, esses modelos servem de infraestrutura tecnológica para desenvolver soluções em setores tão diversos quanto o jurídico, o financeiro e o industrial.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Desde agosto, a Europa passou a exigir diversas obrigações para os desenvolvedores de inteligência artificial, sobretudo os fornecedores dos chamados modelos de finalidade geral (<em>general-purpose AI models</em>), tais como os desenvolvidos pela Open AI e Anthropic.
Treinados com grandes volumes de dados e capazes de executar tarefas variadas, esses modelos servem de infraestrutura tecnológica para desenvolver soluções em setores tão diversos quanto o jurídico, o financeiro e o industrial.&nbsp;
Em síntese, a regulação europeia estabelece que os desenvolvedores de AI deverão observar regras sobre documentação de treinamento, avaliação de riscos e prestação de informações, sob pena de restrições à disponibilização do seu modelo no mercado e multas de até € 35 milhões ou 7% do faturamento mundial anual, conforme a natureza da infração.
Em outras palavras, para quem desenvolve essa tecnologia, documentar o treinamento, avaliar riscos e prestar informações passou a integrar o custo de colocá-la no mercado.&nbsp;
No Brasil, o Marco Legal da AI (PL 2.338/2023) – já aprovado pelo Senado e que tramita na Câmara dos em regime de prioridade, com votação prevista para 2027 – é inspirado na abordagem europeia e, se virar lei, exigirá mudanças que alcançam tanto os fabricantes de modelos quanto as empresas que incorporam AI às suas operações.
A premissa que orienta o PL é simples: quanto maior o risco de uma aplicação de AI, maiores as exigências para desenvolvê-la e utilizá-la. Para o empreendedor, a primeira pergunta será qual função a tecnologia desempenha e quais consequências pode produzir.&nbsp;
O projeto distribui responsabilidades entre três tipos de agentes: desenvolvedores, distribuidores e aplicadores. (Uma empresa pode ocupar mais de uma posição, como ocorre com quem desenvolve uma ferramenta e também a emprega na prestação de serviços.)
Essa divisão exigirá ajustes na forma como as empresas contratam fornecedores de AI, pois quem utiliza um modelo de terceiros continuará responsável pelas obrigações decorrentes de sua aplicação. Para cumpri-las, precisará assegurar, em contrato, acesso às informações técnicas e a cooperação do fornecedor.
<strong>O risco acompanha o uso e o compliance</strong>
A proposta trabalha com três situações: (i) usos de risco excessivo, que são proibidos; (ii) aplicações de alto risco, submetidas a exigências reforçadas; e (iii) os demais sistemas, sujeitos às regras gerais.&nbsp;
Entre as proibições, estão o uso de AI para explorar vulnerabilidades e induzir comportamentos prejudiciais; prever riscos criminais com base em traços pessoais ou comportamentos passados; operar sistemas de armas autônomas; e realizar identificação biométrica remota, em tempo real, em espaços públicos, ressalvadas exceções legais..&nbsp;
O alto risco abrange aplicações em áreas como recrutamento, educação, saúde e serviços essenciais, consideradas as condições, o contexto e a finalidade prevista do projeto. Na prática, uma ferramenta que apenas organiza currículos receberá tratamento diferente de outra que avalia candidatos e interfere em sua seleção.&nbsp;
Para desenvolver ou distribuir sistemas de alto risco, será necessário manter registros de governança e da operação, testar a segurança, adotar medidas contra vieses discriminatórios e fornecer informações que permitam interpretar os resultados. Para quem os aplica, haverá deveres de documentação, avaliação do desempenho e registro da supervisão humana, respeitados o papel de cada agente e as flexibilizações previstas em regulamentação.
Desenvolvedores e aplicadores deverão avaliar os impactos algorítmicos, antes da sua colocação no mercado e ao longo do seu ciclo de vida, divulgando suas conclusões, preservados os segredos comerciais e industriais. Também deverão ser assegurados mecanismos de explicação, contestação e revisão de decisões, inclusive por intervenção humana nas condições previstas no projeto. Isso terá reflexos na arquitetura do produto, no atendimento e na definição de quem pode intervir quando o sistema produzir um resultado prejudicial.
Para os demais sistemas, as obrigações serão mais leves, mas continuarão existindo. O projeto assegura informação sobre a interação com AI, proteção de dados e não discriminação, além de exigir segurança. Um chatbot de atendimento, portanto, poderá demandar ajustes de transparência e controles internos, mesmo sem enquadramento como alto risco.
<strong>Modelos de linguagem e AI generativa</strong>
Quem desenvolve sistemas de propósito geral e generativos terá uma camada específica de obrigações. É o caso de modelos de linguagem capazes de atender a diferentes finalidades, cujo desenvolvedor deverá documentar o desenvolvimento e realizar avaliação preliminar dos riscos esperados, inclusive do potencial risco sistêmico.&nbsp;
Se houver risco sistêmico, há exigências adicionais antes da disponibilização comercial, como documentação dos testes e dos riscos remanescentes, governança dos dados, publicação de resumo dos dados de treinamento e instruções técnicas para os demais agentes. Oferecer a tecnologia por API ou sob licença de código aberto não afasta, por si só, essas obrigações.
Para quem constrói produtos sobre modelos de terceiros, a consequência será exigir fornecedores capazes de sustentar sua conformidade. O projeto prevê cooperação dos desenvolvedores que disponibilizam sistemas por API ou outras formas de integração. Na prática, o acesso às informações necessárias deverá fazer parte da negociação comercial entre desenvolvedores, distribuidores e aplicadores.
Outro ponto sensível está nos direitos autorais. O texto exige a publicação de sumário dos conteúdos protegidos utilizados no desenvolvimento, permite que titulares proíbam usos comerciais e prevê remuneração, nas condições estabelecidas, preservada a negociação direta, inclusive gratuita. Para empresas que treinam ou ajustam modelos, a origem e as permissões de uso dos dados passarão a pesar ainda mais no orçamento e na escolha das bases.
<strong>Quem definirá os detalhes?</strong>
A aplicação nacional das regras acima será articulada pelo Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), coordenado pela ANPD, com participação dos reguladores setoriais. O projeto também cria um conselho de cooperação regulatória e um comitê de especialistas e cientistas, voltado à orientação e supervisão técnica e científica. A intenção é harmonizar as regras, preservando as competências de quem já regula cada mercado.
Essa estrutura importa porque parte relevante das exigências dependerá de regulamentação, inclusive classificações de alto risco, procedimentos e critérios diferenciados para pequenas empresas e startups.&nbsp;
O descumprimento poderá levar a multas de até 2% do faturamento bruto no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de suspensão do desenvolvimento, do fornecimento ou da operação. A adaptação terá prazos distintos, a regra geral prevê 730 dias após a publicação, enquanto as proibições e as obrigações específicas de sistemas de propósito geral e generativos começarão após 180 dias.
Para as empresas, preparar-se significa mapear os usos de AI, identificar seu papel em cada produto, revisar fornecedores e incorporar documentação e gestão de riscos ao desenvolvimento.&nbsp;
<em>Udo Seckelmann é advogado e sócio do departamento de Gambling &amp; Crypto do escritório Bichara e Motta Advogados.</em>
<em>Pedro Heitor e Raphael Cvaigman são advogados do departamento de Gambling &amp; Crypto do mesmo escritório.</em>
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    </item>
    <item>
      <title>Novo foco de doença em aves em SC. O risco agora são os vizinhos</title>
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      <pubDate>Fri, 30 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/novo-foco-de-doenca-em-aves-em-sc-o-risco-agora-sao-os-vizinhos</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Agro Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
      <category><![CDATA[MBRF - Marfrig e BRF]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Fabiane Stefano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A produção de aves no Brasil está em alerta máximo. Na terça-feira, foi confirmado em uma granja comercial de perus em Nova Erechim, no oeste de Santa Catarina, o terceiro foco da doença de Newcastle no Brasil.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A produção de aves no Brasil está em alerta máximo.
Na terça-feira, foi confirmado em uma granja comercial de perus em Nova Erechim, no oeste de Santa Catarina, o terceiro foco da doença de Newcastle no Brasil.
Com 9,6 mil aves, a unidade é fornecedora da MBRF, a companhia dona das marcas Sadia e Perdigão.&nbsp;
O novo caso foi identificado uma semana depois da primeira ocorrência na região. O Ministério da Agricultura estabeleceu uma barreira sanitária com duração de 60 dias em quatro municípios, área que abrange os três focos confirmados até agora.
A principal preocupação agora é que o vírus ultrapasse as fronteiras catarinenses, em um momento em que as exportações de aves do estado enfrentam restrições.&nbsp;
Nova Erechim fica a cerca de 50 quilômetros tanto da divisa do Paraná quanto da do Rio Grande do Sul, outros dois grandes polos da avicultura brasileira.
A eventual disseminação da doença para essas regiões ampliaria o risco de restrições comerciais, em um setor no qual a localização dos focos sanitários é determinante para a continuidade das exportações.
“As granjas estão espalhadas pela região e são muito próximas. É muito preocupante,” disse César de Castro Alves, gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA. “Se um caso aparecer fora dos limites de Santa Catarina, potencialmente, deve fechar esses outros dois estados e aí o impacto aumenta muito.”
O setor de frango e ovos no Brasil movimentou R$ 140 bilhões no ano passado. A região Sul concentra 60% da produção avícola nacional. O Paraná é o maior produtor do país e apenas no primeiro semestre de 2026 foram abatidas 1,1 bilhão de aves, uma alta de quase 5% em relação ao mesmo período de 2025.&nbsp;
Santa Catarina e Rio Grande do Sul, segundo e terceiro lugares, respectivamente, juntos abateram 1,7 bilhão de aves no ano passado.&nbsp;
Enquanto os casos permanecerem concentrados em Santa Catarina, o efeito econômico tende a ser limitado, avalia Alves. Os grandes frigoríficos têm operações diversificadas e mais condições de absorver impactos pontuais. A preocupação é maior para empresas menores, integradoras e cooperativas com negócios concentrados na região.
No momento, China, Arábia Saudita e Chile colocaram embargos restritos a Santa Catarina, enquanto Malásia e México bloquearam as exportações de aves de todo o Brasil.&nbsp;
A reação chinesa foi considerada um sinal positivo para o setor. Cerca de 24 horas após a confirmação do primeiro foco, o país restringiu as importações catarinenses, sem suspender as compras do restante do Brasil.
A medida atingiu 14 dos 61 estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar frango para a China — todos localizados em Santa Catarina — e representa cerca de 10% das exportações brasileiras da proteína para o mercado chinês.
Em relatório, o Citi avaliou que a rapidez da resposta e a adoção de uma restrição regionalizada indicam maior aceitação desse tipo de protocolo pelos importadores. A abordagem, porém, não garante que outros mercados adotem a mesma estratégia.
O episódio ocorre pouco mais de dois anos depois do foco confirmado em julho de 2024, em uma granja comercial de frangos em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Antes daquele caso, o Brasil não registrava a doença em aves comerciais desde 2006, quando um foco em aves de subsistência foi identificado no Mato Grosso.
Em 2024, as autoridades vistoriaram 443 propriedades na área de vigilância e não encontraram evidências de disseminação a partir da granja gaúcha. Na ocasião, a produção brasileira também sofreu restrições comerciais.
A contenção do surto permitiu a retomada da normalidade sanitária e comercial. Para Alves, a experiência acumulada com episódios anteriores ajuda a explicar a resposta dos mercados internacionais. “O sistema de detecção e de notificação está funcionando,” afirma.
A doença de Newcastle é altamente contagiosa entre aves e pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, levando à queda na produção de ovos e mortalidade. O controle depende da vigilância sanitária, do isolamento das áreas afetadas e de medidas como o abate de aves, quando determinado pelas autoridades.
A transmissão para humanos é rara e costuma estar associada a conjuntivite leve, sobretudo em pessoas com exposição direta a aves infectadas.
O Brasil não é o único país que enfrenta focos da Newcastle no momento. Relatório do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, publicado nos últimos dias, registra novos focos da doença em diferentes países europeus como Hungria, Espanha, Polônia e República Tcheca.&nbsp;
A pressão sanitária sobre a avicultura também vem da influenza aviária, outra doença viral. Nos Estados Unidos, os surtos registrados desde 2022 levaram ao abate de mais de 200 milhões de aves.&nbsp;
O governo americano comprometeu US$ 1,8 bilhão em recursos para indenizações e medidas de controle sanitário. A redução da oferta de ovos contribuiu para que o preço médio do produto no varejo atingisse um recorde em março de 2025.
Os episódios envolvendo as duas doenças reforçam a dimensão do desafio sanitário para a produção avícola. A circulação de aves silvestres pode contribuir para a circulação de agentes infecciosos, mas o papel específico das espécies migratórias na transmissão da Newcastle ainda não é plenamente conhecido.
O desafio imediato, agora, é conter o foco em Santa Catarina e impedir que o vírus alcance outros estados produtores. A rapidez da resposta sanitária será decisiva para limitar os impactos sobre a avicultura e o comércio exterior.
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    </item>
    <item>
      <title>China ganha mercado em turbinas eólicas no País </title>
      <guid isPermaLink="false">/ceIuBYy1Sg at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 30 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/china-ganha-mercado-em-turbinas-eolicas-no-pais</link>
      <category><![CDATA[INFRA Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Setor elétrico]]></category>
      <category><![CDATA[Baterias]]></category>
      <category><![CDATA[Infra Journal]]></category>
      <category><![CDATA[China]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Luciano Costa]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Os investimentos em energia eólica no Brasil desaceleraram fortemente nos últimos anos, mas o cenário mais desafiador não assustou algumas empresas chinesas que estão entre as maiores fabricantes globais de equipamentos para o setor.&nbsp; Enquanto a <a href="https://braziljournal.com/ge-vai-parar-de-vender-turbinas-eolicas-no-brasil" target="_blank" rel=""><strong><u>GE</u></strong></a> e a europeia Siemens Gamesa fechavam suas fábricas de pás e turbinas por aqui, a Goldwind, a Envision e a Ming Yang desembarcavam no País e fechavam seus primeiros contratos locais nos últimos dois anos.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Os investimentos em energia eólica no Brasil desaceleraram fortemente nos últimos anos, mas o cenário mais desafiador não assustou algumas empresas chinesas que estão entre as maiores fabricantes globais de equipamentos para o setor.&nbsp;
Enquanto a <a href="https://braziljournal.com/ge-vai-parar-de-vender-turbinas-eolicas-no-brasil" target="_blank" rel=""><strong><u>GE</u></strong></a> e a europeia Siemens Gamesa fechavam suas fábricas de pás e turbinas por aqui, a Goldwind, a Envision e a Ming Yang desembarcavam no País e fechavam seus primeiros contratos locais nos últimos dois anos.&nbsp;
Impulsionadas pelo crescimento da geração eólica na China, a Goldwind e a Envision lideraram o mundo em capacidade adicionada de turbinas em 2025; a Ming Yang ficou na quarta posição.
Em volumes acumulados, a Goldwind agora está atrás só da dinamarquesa Vestas, e a Envision tem se aproximado das terceira e quarta colocadas, Siemens Gamesa e GE Vernova.
Aqui no Brasil, as chinesas já respondem por mais da metade dos negócios mais recentes na indústria, e agora se preparam para fornecer também sistemas de armazenamento com baterias, conhecidos pela sigla BESS.
“Hoje nós estamos com mais de 50% do mercado corrente de turbinas eólicas, daquilo que está em fabricação neste momento. Temos perto de 50%, 55%,” Roberto Veiga, vice-presidente da Goldwind Brazil, disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a><strong>.&nbsp;</strong>
A companhia, que está produzindo equipamentos localmente em Camaçari – numa fábrica comprada da GE – fechou o maior contrato da história do setor com a Casa dos Ventos, para entregar 827 MW, além de um acordo de mais 142 MW com a EDF.
O plano é fazer do Brasil um <em>hub </em>de exportações para as Américas, incluindo a costa leste dos Estados Unidos e o Canadá, e produzir aqui também os BESS, de olho nos leilões para projetos de baterias que o Governo agendou para dezembro.
A Goldwind fechou vendas recentes de sistemas de armazenamento no Chile, e oferecerá no Brasil tanto um produto com conteúdo nacional quanto sistemas importados.
No negócio de eólica, a empresa criou uma unidade para desenvolver projetos desde o zero e oferecê-los a potenciais clientes já prontos para construção, diminuindo riscos para os investidores, em uma estratégia para estimular novos negócios diante da fraqueza do mercado.
Até o momento neste ano o País adicionou parques eólicos somando 657 MW em capacidade, bem abaixo dos cerca de 2 GW de 2025, dos mais de 3 GW em 2024 e dos mais de 4 GW em 2023 e 2022.
O setor tem sido afetado por uma sobreoferta de geração renovável que leva a cortes forçados na produção das usinas, o <em>curtailment</em>, diminuindo a receita das empresas e a previsibilidade para novos investimentos.
“Nós vamos passar por esses vales no mercado. Não viemos para ficar pouco tempo, viemos para um planejamento de médio e longo prazo – estou falando de mais de 30 anos. Acho que só vai sobreviver no Brasil quem tem planejamento de médio e longo prazo”, disse o VP da Goldwind.
Já a Envision estreou no Brasil com um enorme contrato para fornecer 630 MW em turbinas importadas da China a parques da Casa dos Ventos. O plano é partir para a produção local em algum momento, à medida que os negócios avancem.
“O setor eólico brasileiro atravessa um momento particularmente desafiador, que exige visão estratégica, capacidade de adaptação e compromisso de longo prazo,” disse o diretor de soluções da companhia, Marcello Trombelli.
Segundo ele, a Envision “mantém negociações com grandes empresas do setor e busca ampliar sua presença no mercado” oferecendo aos clientes um dos maiores aerogeradores disponíveis na indústria, com 8,4 MW em potência por máquina e rotor com 182 metros de diâmetro.
A Envision também conversa com parceiros para produzir sistemas de baterias com conteúdo local para atender os participantes dos leilões de dezembro.
A Ming Yang, por sua vez, já vendeu uma turbina para um parque da Copel e fechou um outro contrato no País cujos detalhes não foram revelados.
A companhia buscava novas oportunidades com um grande estande num evento do setor nesta semana em São Paulo, o Brazil Wind Power, onde fez apresentações sobre seus produtos em turbinas, operação e manutenção e BESS.
Goldwind e Envision também estão com estandes no evento, assim como suas principais concorrentes pelo mercado brasileiro, a Vestas, a Nordex Acciona e a WEG.
“Os chineses estão muito competitivos em preço”, disse um desenvolvedor de projetos presente na conferência.
Se o mercado não está crescendo, o mesmo não pode ser dito da concorrência na indústria de turbinas.
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>Gerdau surfa o boom dos data centers nos EUA; UBS BB eleva preço-alvo</title>
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      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 20:24:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/gerdau-surfa-o-boom-dos-data-centers-nos-eua-ubs-bb-eleva-preco-alvo</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Research]]></category>
      <category><![CDATA[Siderurgia]]></category>
      <category><![CDATA[Gerdau]]></category>
      <category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Arbex]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Quer surfar o <em>boom</em> dos data centers nos Estados Unidos? Compre Gerdau.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Quer surfar o <em>boom</em> dos data centers nos Estados Unidos?
Compre Gerdau.&nbsp;
É essa a visão do UBS BB, que publicou um relatório elevando o preço-alvo da ação, aumentando suas projeções para o resultado e reiterando a recomendação de ‘compra’ para o papel, que é o <em>top pick</em> do banco no setor.&nbsp;&nbsp;
A tese central do analista Caio Greiner é que o mercado pode estar subestimando o potencial de geração de caixa da siderúrgica nos EUA, onde a expansão dos data centers de inteligência artificial deve sustentar a demanda por aço e manter as margens em patamares elevados.
Para ele, o mercado está excessivamente focado nos riscos do lado da oferta – com um potencial aumento da capacidade e das importações –, mas “o crescimento da demanda provavelmente continuará superando qualquer pressão sobre a oferta.”
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asKpRZpYct40kBcDU.jpg" alt="" /></p>
O analista disse que o segmento de vigas e barras comerciais (MBQ, na sigla em inglês) nos EUA está se beneficiando de tendências estruturais no mercado de construção não-residencial, e que a expectativa é que a demanda permaneça elevada nos próximos trimestres e anos.&nbsp;
“O consumo aparente desses dois produtos cresceu cerca de 6,5% no acumulado do ano, apesar de uma queda de cerca de 1% nos gastos totais com construção não residencial. Essa divergência reflete, em parte, a força dos data centers, um segmento intensivo em aço longo, cujos gastos com construção nos Estados Unidos cresceram 75% na comparação anual em agosto,” escreveu o analista.&nbsp;
“Embora os data centers representem apenas cerca de 5% dos gastos com construção não residencial nos EUA, os produtos da Gerdau têm maior exposição a esses segmentos de construção pesada.”
O UBS disse ainda que espera que os investimentos dos grandes provedores de serviços em nuvem (<em>hyperscalers</em>) acelerem até 2027 – com o início de novas construções avançando cerca de 200% –, o que pode sustentar um crescimento adicional da demanda pelos produtos da Gerdau.&nbsp;
“Na nossa visão, essa aceleração do consumo deve ser suficiente para absorver a entrada de nova capacidade e o aumento das importações, mantendo as margens da Gerdau em patamares elevados.”
No relatório, o UBS elevou seu preço-alvo de R$ 31 para R$ 35 e ampliou suas projeções para o EBITDA deste ano e do ano que vem.
Agora, o banco espera que a Gerdau faça um EBITDA de R$ 13,9 bilhões este ano, 3% a mais que a projeção anterior, e de R$ 15,2 bi em 2027, 8% a mais. A revisão reflete a perspectiva mais favorável para a operação na América do Norte, cuja margem EBITDA esperada para 2027 subiu de 24% para 26,4%.
Após a reeleição de Lula, o banco também mudou sua premissa para o câmbio – e agora espera um dólar a R$ 5,40 – o que beneficia os resultados da Gerdau.&nbsp;
Nas contas do UBS, a Gerdau negocia a 3,5x o EBITDA estimado para 2027, com um <em>free cash flow yield</em> de 14%.&nbsp;
A companhia vale R$ 47,8 bilhões na B3, com a ação subindo 33% nos últimos doze meses. Hoje o papel sobe 6,5% em mais um dia de queda do Ibovespa.&nbsp;
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>‘WSJ’ e ‘Washington Post’ condenam ‘perseguição política’ do STF</title>
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      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 20:15:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/wsj-e-washington-post-condenam-perseguicao-politica-do-stf</link>
      <category><![CDATA[Poder]]></category>
      <category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
      <category><![CDATA[STF]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[EUA]]></category>
      <category><![CDATA[Insegurança Jurídica]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Geraldo Samor, Giuliano Guandalini]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O <em>Wall Street Journal </em>e o <em>Washington Post</em>,<em> </em>dois dos maiores e mais influentes jornais dos EUA, publicaram editoriais repreendendo o que chamaram de “perseguição” do STF contra Flávio Bolsonaro. Flávio se tornou alvo de uma perseguição política após ser derrotado nas urnas – e a sobrevivência do Estado de Direito está em risco no Brasil, disse o <em>Wall Street Journal</em> num editorial publicado ontem à noite.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O <em>Wall Street Journal </em>e o <em>Washington Post</em>,<em> </em>dois dos maiores e mais influentes jornais dos EUA, publicaram editoriais repreendendo o que chamaram de “perseguição” do STF contra Flávio Bolsonaro.
Flávio se tornou alvo de uma perseguição política após ser derrotado nas urnas – e a sobrevivência do Estado de Direito está em risco no Brasil, disse o <em>Wall Street Journal</em> num editorial publicado ontem à noite.
“Espera-se que os vencedores sejam magnânimos com os derrotados na política. No entanto, no Brasil, eles processam os que perderam,” escreveu o conselho editorial do <em>Journal</em>, o jornal de negócios controlado pela News Corp, de Rupert Murdoch.&nbsp;&nbsp;
O Journal é conhecido por sua página editorial conservadora, mas tem sido um tenaz crítico dos abusos de Donald Trump.
Segundo o editorial, foi o Governo Lula que ordenou que o líder da oposição entregasse seu passaporte minutos depois de vencer a eleição, justificando a fuga de Flávio para os EUA.
“O ministro do STF Alexandre de Moraes, um aliado de Lula, autorizou um pedido da Polícia Federal para a apreensão dos documentos. Na terça-feira, Bolsonaro deixou o Brasil secretamente. Na quarta-feira, chegou a Miami,” escreveram os editorialistas. “Os EUA informaram ter concedido vistos à sua família – uma oferta justificável de proteção política.”
A oferta é justificada, defende o texto, porque Flávio não foi formalmente acusado de nenhum crime, mas tem bons motivos para acreditar que, caso venha a sê-lo, não terá um julgamento justo.
“Durante um debate eleitoral, Lula afirmou que, assim que Bolsonaro perdesse sua imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo tipo de investigação. Lula escolheu o alvo e prometeu encontrar o crime,” disse o editorial, acrescentando que a competência de processar um político deveria ser da PGR, mas que Moraes “amplia sua jurisdição sempre que isso beneficia seus objetivos políticos”.
Um exemplo disso, segundo o texto, é a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, consumada “em uma votação tendenciosa no STF presidida por Moraes” e apoiada por “um antigo advogado pessoal de Lula [Cristiano Zanin] e um ex-ministro da Justiça de seu Governo [Flávio Dino]”.
“O ministro Luiz Fux redigiu um voto divergente contundente, de 452 páginas, detalhando as diversas formas pelas quais o devido processo legal foi negado a Jair – incluindo a ausência de competência da Corte para o caso e a falta de provas,” disse o editorial.
Agora, segundo o <em>Journal</em>, Flávio se junta a um grupo de jornalistas, blogueiros e formadores de opinião brasileiros que optaram pelo exílio para não correr o risco de serem presos – algo que a publicação afirma que “se tornou comum” após a anulação da condenação de Lula pelo STF em 2017 e pode continuar ao longo dos próximos anos, já que o Presidente reeleito poderá indicar quatro novos ministros ao Supremo.
“Caberá ao novo Senado brasileiro defender a integridade e a independência do Judiciário,” escrevem os editorialistas. “Países que transitam da liberdade para a autocracia seguem um caminho semelhante: um demagogo vence nas urnas, apodera-se do Judiciário e encarcera seus inimigos. Onde as instituições são sólidas, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá.”
“Perder uma eleição não deveria levar os candidatos a fugir de seus países,” disse o <em>Washington Post</em> em um editorial intitulado ‘Quando juízes se tornam promotores’.
O <em>Post </em>lembra que Flávio vem sendo investigado por lavagem de dinheiro, mas afirmou que as alegações sobre perseguição política “têm um impacto diferente devido aos poderes extraordinários que o Judiciário brasileiro acumulou nos últimos anos.”
“Juízes frequentemente atuam como investigadores, promotores e julgadores,” disse o <em>Post</em>. “Moraes tem usado investigações sobre ‘desinformação’ e supostos ataques à democracia para exercer um controle amplo.&nbsp;
“O STF abriu sua própria investigação sobre <em>fake news</em> em 2019, e Moraes tem usado essa investigação nos sete anos seguintes para ordenar buscas e prisões, bloquear contas e remover indivíduos das redes sociais.”
“Os defensores de Moraes afirmam que ele está fortalecendo as instituições brasileiras após o ataque sofrido em 8 de janeiro de 2023,” disse o <em>Post</em>. “Mas um ataque ao Estado de Direito não autoriza os juízes a se desvincularem dele.”
A <em>rule of law</em>, lembrou o <em>Post</em>, exige uma autoridade fundamentada em leis e constituições, procedimentos previsíveis, possibilidade de recursos, punições proporcionais e proteção ao acusado. “A alternativa é a <em>rule </em><strong><em>by</em></strong><em> the law</em>: funcionários do Governo usando instrumentos legais para exercer poder sem restrições impostas por princípios jurídicos duradouros.”
Lembrando o óbvio que muitos no Brasil insistem em relevar, o <em>Post </em>afirmou que “as consequências vão além da política.”
“Mercados livres dependem do Estado de Direito, porque os investidores precisam acreditar que os contratos serão cumpridos, a propriedade será protegida e o poder governamental será exercido de acordo com regras, e não com discricionariedade,” diz o editorial. “Um empresário que decide construir uma fábrica no Brasil não pode separar o tratamento dado pelos políticos do tratamento que sua empresa poderá receber dos tribunais.”
Na opinião dos editorialistas, quanto maior a discricionariedade exercida pelos servidores públicos – no caso, os ministros da mais alta Corte –, “maior será o risco político e maior o retorno que os investidores exigirão para arriscar seu capital.”
O <em>Post </em>lembrou ainda que Lula já foi condenado por corrupção e preso, em um processo depois derrubado pelo STF.
“Os princípios do devido processo legal que protegeram Lula não perdem a importância quando o acusado se chama Bolsonaro,” disse o editorial. “Talvez ele seja culpado de crimes. Talvez não. Sua decisão de fugir neste caso não estabelece sua inocência, assim como a investigação não estabelece sua culpa.”
O editorial comentou ainda a ordem do ministro Flávio Dino para que a PF abra um inquérito para apurar o envolvimento da Rockbridge Network, um consórcio de doadores co-fundado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, na campanha de Flávio, a partir de uma denúncia apresentada pelo PT.
“O espetáculo do Supremo Tribunal Federal instaurando mais uma investigação politicamente explosiva a pedido do partido do Presidente não inspira confiança nas alegações de independência do Judiciário,” sentenciou o <em>Post</em>.
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    </item>
    <item>
      <title>DoorDash compra Instacart por US$ 17 bilhões</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceI5JnXyNv at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 19:48:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/doordash-compra-instacart-por-us-17-bilhoes</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <category><![CDATA[DoorDash]]></category>
      <category><![CDATA[Estratégia corporativa]]></category>
      <category><![CDATA[UBER]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Borg]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A DoorDash está comprando a Instacart por US$ 17 bilhões, abrindo um novo capítulo em sua estratégia de consolidação do setor de delivery. A DoorDash pagará US$ 65 por ação da Instacart, um prêmio de 26% sobre o preço de tela de 22 de outubro, o último pregão antes da <em>Bloomberg</em> noticiar que as partes negociavam um acordo.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A DoorDash está comprando a Instacart por US$ 17 bilhões, abrindo um novo capítulo em sua estratégia de consolidação do setor de delivery.
A DoorDash pagará US$ 65 por ação da Instacart, um prêmio de 26% sobre o preço de tela de 22 de outubro, o último pregão antes da <em>Bloomberg</em> noticiar que as partes negociavam um acordo.
Cerca de 75% do valor será pago em <em>cash</em>, com parte dos recursos vindos de um <em>bridge loan </em>com o JP Morgan. O restante será pago com ações da DoorDash.
A DoorDash espera concluir o negócio entre o final de 2027 e o primeiro semestre de 2028, e deve manter a marca, o aplicativo e os produtos de tecnologia para empresas desenvolvidos pela Instacart.
Com o movimento, a DoorDash espera ganhar tração no <em>delivery</em> de supermercados que, segundo o CEO Tony Xu, é o segmento que mais cresce no meio.
A DoorDash já é a líder no <em>delivery</em> de restaurantes, e vinha investindo nas entregas de supermercados com novos centros de distribuição e as lojas DashMart, que servem tanto como loja física como ponto de distribuição.
“Fazer compras de supermercado online é uma das coisas mais difíceis de acertar. Alguém precisa escolher um abacate maduro, encontrar um substituto que você mesmo escolheria e entregar o sorvete antes que derreta,” disse Xu.
“A Instacart passou anos aprendendo a fazer isso bem para os mercados, enquanto a DoorDash construiu uma rede de entregas e uma tecnologia nas quais as lojas locais confiam todos os dias.”
A transação ajudará a Instacart a competir com a Amazon e o Walmart, já que a média do público do aplicativo é de clientes de renda relativamente alta que usam com regularidade o serviço.
Combinadas, a DoorDash e a Instacart ficarão com 23% das vendas de supermercado online nos EUA, segundo a Bernstein.
O fundador da Instacart, Apoorva Mehta, disse que as duas empresas já haviam conversado sobre uma fusão anteriormente. Segundo o <em>Financial Times, </em>a Instacart chegou a negociar com a Uber.
Pelo acordo, quem assina os passes mensais DashPass e o Instacart+ passará a pagar uma única mensalidade, em vez de duas. Os entregadores, que são autônomos, poderão escolher entre pedidos da DoorDash ou da Instacart.&nbsp;
A compra do Instacart é apenas mais uma de uma série de aquisições feitas pela DoorDash nos últimos meses.
No ano passado, a empresa comprou a britânica Deliveroo por £ 2,9 bilhões (cerca de US$ 3,9 bilhões), além da SevenRooms, de tecnologia para hospitalidade, e da Symbiosys, de publicidade digital, e acertou no mês passado a compra do Grubhub, um aplicativo muito usado em refeitórios universitários.&nbsp;
A ação da Doordash sobe 6% na tarde de hoje, enquanto a ação do Instacart cai 1,4%.
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    </item>
    <item>
      <title>Raízen fecha acordo tributário épico, extinguindo R$ 22 bi em dívidas</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceE6PCg8rY at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 17:53:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/raizen-fecha-acordo-tributario-epico-extinguindo-r-22-bi-em-dividas</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Tributação]]></category>
      <category><![CDATA[Raízen]]></category>
      <category><![CDATA[Cosan]]></category>
      <category><![CDATA[Crédito]]></category>
      <category><![CDATA[Advogados]]></category>
      <category><![CDATA[Combustíveis]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Arbex]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A Raízen anunciou um acordo com a União que vai extinguir R$ 22,4 bilhões em débitos da companhia – na maior transação tributária desde que esse tipo de acordo foi regulamentado no Brasil, seis anos atrás. Pelos termos do acordo, a Raízen terá um desconto final de 85% no valor dos débitos – considerando o uso de prejuízos fiscais para pagar parte do montante.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A Raízen anunciou um acordo com a União que vai extinguir R$ 22,4 bilhões em débitos da companhia – na maior transação tributária desde que esse tipo de acordo foi regulamentado no Brasil, seis anos atrás.
Pelos termos do acordo, a Raízen terá um desconto final de 85% no valor dos débitos – considerando o uso de prejuízos fiscais para pagar parte do montante.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asieqaO0B7N1BHut0.jpg" alt="" /></p>
Dos débitos de R$ 22 bi, R$ 16,7 bilhões eram de responsabilidade da Raízen, enquanto R$ 5,7 bi eram de seus acionistas controladores, a Cosan e a Shell.
A União concedeu descontos de multas e juros de R$ 8,5 bilhões e permitiu o uso de prejuízos fiscais até o montante de R$ 5,7 bilhões. Com isso, a companhia terá que pagar apenas R$ 2,5 bi da dívida total (cerca de 15%) – o pagamento será à vista, o que ajudou na negociação do desconto.&nbsp;
O acordo chama a atenção pelo tamanho das dívidas envolvidas. Até agora, a maior transação tributária celebrada pela União havia sido com o Grupo João Santos, em 2023, quando foram negociados débitos de R$ 11 bilhões – metade do acordo da Raízen.
Para a empresa de energia e combustíveis, o acordo de hoje tem uma relevância adicional: era uma condição precedente para a aprovação pelos credores do plano de Recuperação Extrajudicial da companhia, que prevê a conversão de 45% das dívidas em <em>equity</em> e o refinanciamento do restante com prazos mais longos e condições melhores.&nbsp;
“O acordo tinha o objetivo de jogar uma pá de cal sobre todos os assuntos tributários da empresa, para que o credor pudesse assumir a companhia o mais leve possível,” uma fonte envolvida na transação disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>.
Para isso, a Raízen optou por incluir todos os seus débitos no acordo – independente de como estava a discussão judicial. Os débitos incluíam discussões relacionadas ao PIS e Cofins, além de processos administrativos envolvendo ágio e subvenção.&nbsp;
Esse fator, somado ao fato da companhia ter concordado em pagar o saldo à vista, contribuíram para o desconto elevado.&nbsp;
“Os únicos valores que não foram incluídos foram débitos que ainda estavam em fiscalização e, portanto, ainda não haviam sido constituídos como débitos,” disse a fonte.&nbsp;
O acordo – fechado com a Receita Federal e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – vem em meio ao crescimento desse tipo de transação no Brasil.
As transações tributárias já são permitidas por lei desde 1966, mas só foram regulamentadas em 2020, com a aprovação da Lei 3988. De lá para cá, o número de acordos desse tipo tem crescido ano a ano, inaugurando uma nova fase na relação do Fisco com o contribuinte.&nbsp;
“Esses acordos tiram a lógica beligerante do Fisco e vão para uma lógica de consensualidade. Esse foi o maior, mas já houve vários outros antes, e este não deve ser o último,” disse essa fonte.
Recentemente, a Americanas fechou um acordo semelhante, de cerca de R$ 2 bilhões; enquanto a Azul e a Gol negociaram no ano passado débitos de cerca de R$ 7,5 bilhões.&nbsp;
Alvarez &amp; Marsal, Bichara Advogados e Demarest assessoraram a Raízen.
E.Munhoz Advogados está assessorando a companhia nas negociações da Recuperação Extrajudicial.&nbsp;
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    </item>
    <item>
      <title>OPINIÃO. O gap da AI no mundo corporativo</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceFKBAWJwh at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/opiniao-o-gap-da-ai-no-mundo-corporativo</link>
      <category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
      <category><![CDATA[Mercado de ideias]]></category>
      <category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
      <category><![CDATA[AI Journal]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[ Lucas Smaira]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A discussão sobre inteligência artificial nas empresas ainda gira em torno de uma pergunta que começa a ficar ultrapassada: quantas pessoas estão usando AI? A pergunta relevante agora já é outra: quanto trabalho a AI já consegue executar de ponta a ponta, com autonomia, qualidade mensurável e retorno econômico claro?]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A discussão sobre inteligência artificial nas empresas ainda gira em torno de uma pergunta que começa a ficar ultrapassada: quantas pessoas estão usando AI?
A pergunta relevante agora já é outra: quanto trabalho a AI já consegue executar de ponta a ponta, com autonomia, qualidade mensurável e retorno econômico claro?
Esta diferença separa duas fases da adoção. Um chatbot diz ao cliente se ele pode devolver um produto. Um agente localiza o pedido, consulta a política, emite a etiqueta, acompanha o retorno ao estoque e dispara o reembolso.
No primeiro caso, a AI ajuda uma pessoa a trabalhar. No segundo, executa parte do trabalho.
Enquanto boa parte das empresas ainda tenta chegar à segunda fase, os laboratórios da fronteira da AI já trabalham na terceira: sistemas que executam tarefas, avaliam o próprio desempenho, identificam falhas e melhoram a partir delas.
É a lógica do <em>recursive self-improvement</em>, ou RSI.
Isso não significa que já exista um agente capaz de se reescrever indefinidamente sem supervisão humana. Mas a direção é clara. Estamos saindo de modelos que respondem perguntas para sistemas que executam, observam resultados e iteram. A tecnologia avança mais rápido do que a maioria das empresas consegue incorporar.
Nas conversas que tenho tido com grandes empresas brasileiras, um padrão se repete: o acesso a bons modelos deixou de ser o principal problema. O gargalo passou a ser administrá-los.
Uma empresa pode ter dezenas de agentes em produção e ainda não saber quais geram valor, quanto custam ou onde falham.
Essa proliferação cria uma falsa sensação de avanço. O verdadeiro gargalo é confiança.
Errar ocasionalmente pode ser aceitável para um agente que resume uma reunião. É muito diferente quando ele altera um pedido, aprova uma transação ou opera um sistema crítico. Para dar autonomia real, a empresa precisa saber onde o agente funciona, onde falha, e quanto custa cada erro.
Durante décadas, as empresas construíram sistemas sofisticados para gerir o trabalho humano. Definem metas, KPIs, produtividade, qualidade e risco. Com os agentes, muitas fazem o oposto: conectam um modelo aos dados, dão acesso a ferramentas, escrevem um <em>prompt</em> e esperam que a inteligência compense a falta de clareza sobre o resultado esperado.
Não compensa.
Se os agentes vão assumir partes reais do negócio, seu desempenho precisa ser medido com o mesmo rigor aplicado às pessoas. Assim como as empresas usam a metodologia de OKRs (Objetivos e Resultados-Chave) para definir metas e acompanhar resultados, elas também precisarão de <em>evals</em> – as avaliações que medem a qualidade, eficiência e confiabilidade do trabalho da AI.
Em outras palavras, não basta colocar agentes para trabalhar. É preciso saber se estão fazendo um bom trabalho.
As <em>evals</em> transformam objetivos de negócio em critérios verificáveis. Por exemplo, não basta dizer se um agente de atendimento está “atendendo bem”. É preciso saber o percentual de casos que ele resolve corretamente, quando deve escalar para um humano, quais erros são inaceitáveis e quanto custa cada resolução.
Quando essa camada existe, a AI deixa de ser experimento e vira disciplina de engenharia e gestão. Muda também a discussão sobre modelos. A pergunta deixa de ser “qual é o melhor modelo” e passa a ser qual combinação de modelo, contexto, ferramentas e arquitetura entrega o melhor resultado para cada tarefa.
Muda também a forma de medir retorno. Número de usuários, agentes ou tokens consumidos medem atividade. O que importa é quanto custa cada tarefa executada corretamente, em quanto tempo e com que risco.
Depois que uma empresa consegue medir seus agentes, começa a parte realmente importante: melhorar a performance deles continuamente.
Imagine duas empresas com agentes de qualidade parecida. Na primeira, identificar uma falha, corrigi-la e validar uma nova versão leva seis semanas. Na segunda, as interações de produção alimentam os evals, cada erro novo vira caso de teste, e regressões aparecem antes de a nova versão chegar ao cliente. O ciclo leva dois dias.
Depois de dezenas de ciclos, essas empresas já não estarão construindo o mesmo produto.
Se eu tivesse que escolher um único indicador para avaliar a estratégia de AI de uma empresa, seria este: <em>quanto tempo leva para um erro em produção virar um teste e a correção chegar ao cliente</em>.
É aqui que a lógica do <em>recursive self-improvement</em> deixa de parecer distante da realidade corporativa. O princípio é o mesmo: fechar o ciclo entre execução, avaliação e aprendizado. A operação gera trajetórias, as trajetórias revelam falhas, as falhas viram <em>evals</em> e dados de treinamento, novas versões são testadas e as melhores voltam para produção.
Trabalhando com laboratórios de fronteira, aprendi que os modelos avançam mais rápido justamente onde é possível verificar se acertaram. Programação e matemática são os exemplos mais claros. Nas empresas, tende a acontecer o mesmo. Os processos que puderem ser medidos serão os primeiros a ser automatizados e melhorados de verdade.
A empresa que constrói esse ciclo transforma sua própria operação em um ativo difícil de copiar. Aprende onde os modelos falham, quais exceções importam e como seus melhores especialistas tomam decisões.
Esse ativo também sobrevive às trocas de tecnologia. Modelos ficam obsoletos rapidamente. Bons evals ganham valor a cada caso novo. Quando surge um modelo melhor, quem tem essa infraestrutura consegue medir rapidamente o que ganhou e o que perdeu.
É daí também que surge a oportunidade de <em>post-training</em>. Modelos de fronteira são extremamente capazes, mas generalistas. Uma empresa com bons evals, exemplos de alta qualidade e um histórico claro de <em>failure modes</em> começa a ter o material necessário para especializar modelos para os próprios problemas.
Por isso, acesso ao melhor modelo dificilmente será uma vantagem competitiva sustentável. Todos terão acesso a modelos muito bons. O diferencial estará em quem aprender mais rápido, com evals proprietários, dados produzidos pela própria operação e capacidade de transformar erro em melhoria.
A primeira fase da adoção da AI foi colocar inteligência nas mãos dos funcionários. A segunda é colocar agentes dentro da operação. A terceira será construir sistemas que aprendem continuamente com a própria operação.
Muitas empresas ainda estão medindo a primeira. A fronteira já está construindo a terceira.
<em>Lucas Smaira é co-fundador da Vetto AI, ex-pesquisador do Google DeepMind e integrante da equipe fundadora da Mistral AI.&nbsp;</em>
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    </item>
    <item>
      <title>Rogério Xavier: Lula precisa dar “choque de credibilidade”</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceR2GtbMEw at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/rogerio-xavier-lula-precisa-dar-choque-de-credibilidade</link>
      <category><![CDATA[Gestores]]></category>
      <category><![CDATA[Bolsa de Valores]]></category>
      <category><![CDATA[Wealth Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
      <category><![CDATA[SPX Capital]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Em meio ao climão que tomou conta do mercado nos últimos dias, Rogério Xavier vai esperar a indicação do ministro da Fazenda e as novas medidas econômicas para avaliar a credibilidade delas, fazer contas e ver se há algo a fazer nos mercados.&nbsp; “Temos opiniões, não fatos, e tomamos decisões em cima de informações concretas,” o cofundador da SPX Capital disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>. “Houve um ajuste expressivo nos preços dos ativos, e isso chama atenção. Mas o patamar atual pode ser a nova realidade caso nenhum ajuste fiscal seja feito.”]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Em meio ao climão que tomou conta do mercado nos últimos dias, Rogério Xavier vai esperar a indicação do ministro da Fazenda e as novas medidas econômicas para avaliar a credibilidade delas, fazer contas e ver se há algo a fazer nos mercados.&nbsp;
“Temos opiniões, não fatos, e tomamos decisões em cima de informações concretas,” o cofundador da SPX Capital disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>. “Houve um ajuste expressivo nos preços dos ativos, e isso chama atenção. Mas o patamar atual pode ser a nova realidade caso nenhum ajuste fiscal seja feito.”
Os fundos da SPX atravessaram a hecatombe da última segunda-feira com perdas menores que as de boa parte da concorrência. O multimercado Nimitz recuou 0,6%, enquanto a queda média da categoria foi de cerca de 4%, segundo a Outliers.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asKx9qxJ9AuApWo9o.jpg" alt="" /></p>
Os gestores da SPX diminuíram o risco das carteiras por acreditar que o mercado “havia se adiantado aos fatos”, e que os preços estavam esticados. “Erramos o resultado eleitoral, mas a decisão estratégica de reduzir o risco evitou perdas expressivas,” disse ele.
Xavier falou também sobre a perda de relevância dos gestores locais – “Tenho uma certa pena de nós, porque temos cada vez menos influência sobre os preços” – e sobre o que faz preço no mercado externo.
Abaixo, os principais trechos da conversa.&nbsp;&nbsp;
<strong><em>O que tem direcionado suas decisões de investimento?&nbsp;</em></strong>
O mundo sofre com o mesmo problema: o elevado endividamento público e privado. Isso gera uma disputa de capital, impulsionada principalmente pelas empresas de inteligência artificial.&nbsp;
Sem endereçar a questão fiscal, o resultado é um juro real mais alto, que acelera a dívida numa velocidade maior que no passado.&nbsp;
Diante disso, existe a dúvida de como o investidor marginal vai alocar o capital. Vai comprar um título americano, francês ou ações de tecnologia?&nbsp;
Essa é a primeira dimensão. A segunda é se o Fed está refém de uma dominância financeira. Hoje o crescimento americano é sustentado por investimento em AI e por um consumo amparado no efeito riqueza da valorização dessas empresas na Bolsa.&nbsp;
Se o Fed subir demais os juros, pode desacelerar a economia a ponto de derrubar as ações e destruir essa riqueza que sustenta o consumo. Não significa falta de autonomia, mas ele está diante do risco de provocar um efeito indesejável.&nbsp;
Há duas semanas, quando a inflação veio mais alta nos EUA, os juros subiram inicialmente, mas logo caíram com a desvalorização das empresas de tecnologia.&nbsp;
A terceira dimensão é o <em>valuation </em>das empresas. Não há dúvida de que a inteligência artificial trará benefícios à humanidade e ganhos futuros de produtividade que são desinflacionários.&nbsp;
O problema é o curto prazo: amplia-se a demanda e o consumo imediatamente, enquanto os ganhos de produtividade são não lineares e levam tempo para se acumular.&nbsp;
Muita gente se questiona se as empresas de tecnologia não seriam como as do setor aéreo: geram um bem extraordinário, mas têm um modelo de negócio difícil de dar retorno ao investidor.
Olhando para o Brasil, dentro dessa competição por capital mais caro, quanto mais fragilizada a economia maior o prêmio cobrado, pois o País precisa se diferenciar.&nbsp;
A verdade é que não nos preparamos para atrair esses recursos. Além dos juros altos e de uma inflação persistente, decorrentes da falta de ajuste fiscal, o Brasil tem enfrentado uma bagunça institucional, polarização, ativismo do Judiciário, eleições conturbadas.
O governo terá um desafio enorme no novo mandato. É preciso esperar o anúncio da equipe econômica e do plano para endereçar a questão fiscal, que é a mais urgente no curto prazo.
<strong><em>E o investidor preferiu esperar fora do mercado local?</em></strong>
Em parte. Não houve uma saída grande de recursos, ou o real teria desvalorizado mais. O movimento do câmbio não foi dramático comparado ao de outros ativos.&nbsp;
Nos juros, embora o nível das curvas tenha subido, a inclinação não reflete o medo de dominância fiscal.&nbsp;
Se o mercado projetasse a dominância fiscal clássica, a curva estaria em degraus crescentes, precificando um amanhã sempre pior. A curva atual está em nível alto, mas <em>flat</em>.
Dominância fiscal não é um número fixo de dívida/PIB, mas um processo no qual o Estado perde a capacidade de usar seus instrumentos de política monetária, fiscal ou cambial porque os agentes deixaram de acreditar no governo. Não é o que está no preço hoje.&nbsp;
O Tesouro Nacional continua emitindo dívida e se financiando. Pode não estar emitindo no perfil que deseja, aumentou a concentração em pós-fixados, mas existe liquidez e recursos inclusive para recomprar papéis.&nbsp;
Por outro lado, como o juro real segue altíssimo e a inflação continua chatinha, exigindo mais juros, a política monetária perdeu parte de sua potência.&nbsp;
Isso serve de alerta para o risco futuro de dominância fiscal, embora não estejamos nela hoje.
<strong><em>A exposição do investidor estrangeiro ao Brasil já é baixíssima. Por isso o câmbio não desvalorizou mais?</em></strong>
Para esse investidor, o que importa é o diferencial de juros, o <em>carry trade</em>. Com a conta de capitais aberta, ele aloca no <em>overnight </em>e aproveita taxas elevadas caso não projete uma desvalorização cambial aguda à frente.
Quem carrega o grosso da dívida pública é o investidor local. Uma pressão cambial expressiva aconteceria se os títulos públicos passassem a render menos que a inflação – ou o investidor, temendo que isso pudesse acontecer, migrasse em massa para o exterior.&nbsp;
Mas não há sinais dessa desconfiança hoje.
<strong><em>É natural então que o maior impacto seja na Bolsa?&nbsp;</em></strong>
Havia a expectativa de melhora do <em>animal spirit</em>, com queda de juros e reorganização do Estado.&nbsp;
O que ocorreu foi o inverso: a confiança diminuiu e o cenário aponta para juros elevados por mais tempo. É muito difícil a Bolsa performar nesse quadro.
O governo precisa aplicar um choque de credibilidade de verdade: encarar o problema fiscal de frente e apresentar nomes e medidas críveis.&nbsp;
Dada a forte correção de preços que já ocorreu, há oportunidades na Bolsa se houver um encaminhamento fiscal consistente. Isso poderia reverter esse movimento inicial de aversão a risco – como aconteceu em 2002 por exemplo.
O ritmo atual de endividamento não é sustentável e precisa ser controlado, mas a situação não é irreversível.
<strong><em>Diante disso, como os fundos da SPX estão posicionados?</em></strong>
O risco está bem baixo. Temos uma grande dúvida sobre o cenário externo, principalmente em relação ao <em>valuation</em> das empresas de inteligência artificial.&nbsp;
Isso pode ser questionado a qualquer momento; de tempos em tempos esse assunto volta, o preço das ações corrige um pouco, mas logo em seguida voltam apoiados em alguma novidade positiva.&nbsp;
Preferimos passar por este período de divulgação de resultados dessas companhias com uma exposição bem leve.&nbsp;
No Brasil, também estamos com pouco risco – eu teria vergonha de gastar o tempo de um comitê de investimentos discutindo minhas alocações.&nbsp;
A nossa avaliação antes do segundo turno era que os mercados haviam precificado em excesso uma perspectiva de vitória do Flávio Bolsonaro, enquanto as pesquisas mostravam uma eleição disputada.&nbsp;
Falava-se em risco de cauda, mas 30% de probabilidade não é cauda, é risco real.&nbsp;
Com a eleição de Lula para um quarto mandato e sem uma definição clara de equipe, é cedo demais para montar posições.&nbsp;
Temos opiniões, não fatos, e tomamos decisões em cima de informações concretas. Precisamos esperar a indicação do ministro e as novas medidas econômicas para avaliar a credibilidade delas, fazer contas e ver se há oportunidades.&nbsp;
Houve um ajuste expressivo nos preços dos ativos, e isso chama atenção. Mas esse patamar atual pode ser a nova realidade caso nenhum ajuste fiscal seja feito.&nbsp;
<strong><em>Os fundos da SPX tiveram um bom desempenho em termos relativos nos últimos dias. O que deu certo?</em></strong><br data-id="blce9ffbc4ef9c4ae0897b"><br data-id="bl153a67349e2c4bd89b68">Sim, passamos bem, mas não por termos operado na contramão do mercado. Não foi genialidade. Também atribuímos uma probabilidade à vitória do Flávio Bolsonaro.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/as4EGgSRK4FeZawGj.jpg" alt="" /></p>
A diferença é que estávamos com pouco risco. O mercado, de forma geral, se adiantou, os preços foram na frente do resultado.<br data-id="bl0ee30c81dddc43698ce8"><br data-id="bl219904a966dc42b6a1ca">Não fizemos isso, o mérito é do nosso CIO, o Bruno Pandolfi, que conduziu conversas com toda a equipe antes das eleições, avaliando posições, riscos e alternativas. Ele convenceu o time a diminuir o risco diante de um cenário em que o mercado estava muito à frente dos fatos.Ficou claro que fazia pouco sentido ter uma exposição relevante. Se o desfecho fosse adverso, como de fato foi, as perdas poderiam ser significativas.&nbsp;<br data-id="blc1f51c95ba9a424ea638"><br data-id="blf676eacb85424e9b8c73">Erramos o resultado eleitoral, mas a decisão estratégica de reduzir o risco evitou perdas expressivas.<br data-id="bld368d90d7df740a7b6ce"><br data-id="bl2a442d274da54c3a8ee6"><strong><em>Foi o primeiro grande teste do </em></strong><a href="https://braziljournal.com/as-mudancas-na-spx" target="_blank" rel=""><strong><em><u>novo modelo de gestão</u></em></strong></a><strong><em> que vocês adotaram neste ano, certo?</em></strong>&nbsp;<br data-id="blc252a3cf3b86414798ce"><br data-id="ble24a81c4f2cd438ea2e8">Acho que sim. Gerir recursos não é apenas buscar retorno, mas ter um controle rigoroso de risco.&nbsp;<br data-id="bla497d09d75df4e5199cf"><br data-id="bl2a7a0b06bcad43f69220">Agora, aguardamos a nova equipe econômica. Não temos viés partidário; avaliamos pessoas, consistência e execução.&nbsp;
Se o novo ministro apresentar um plano crível para o equilíbrio das contas públicas, compraremos Brasil; se não, venderemos.
<strong><em>Muitos fundos sofreram perdas relevantes nos últimos dias. Qual deve ser o impacto disso para o mercado local de gestão de recursos?&nbsp;</em></strong>
Os investidores locais vêm perdendo protagonismo, e quanto menor a nossa relevância, maior o peso do estrangeiro.&nbsp;
Tenho uma certa pena de nós, porque temos cada vez menos influência sobre os preços. Quem vai definir para onde vai o mercado é o estrangeiro, que tem uma visão bastante diferente. Em breve, pouco importará o que eu acho.&nbsp;&nbsp;&nbsp;
<strong><em>Bom, hoje importa, e é uma visão menos pessimista que a de boa parte do mercado.</em></strong>
Acho que o resumo é que minha visão é equilibrada. O quadro fiscal não é irreversível, mas é preciso querer fazer.&nbsp;
O ministro Fernando Haddad fez um esforço importante mas insuficiente, e a trajetória da dívida piorou. Agora a bola está com o governo.&nbsp;
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>A Bolsa caiu 16% com Lula até agora. Mas o estrago é maior do que parece</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceGFXyfuH4 at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 00:22:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/a-bolsa-caiu-16-com-lula-ate-agora-mas-o-estrago-e-maior-do-que-parece</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Bolsa de Valores]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Wealth Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Luciano Costa]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A queda de 2,68% no Ibovespa no pregão de hoje esconde uma destruição muito maior em alguns setores e ações.&nbsp; Casas Bahia, por exemplo, despencou 20% hoje, enquanto a Cosan perdeu 12%, a Cyrela caiu 11% e Cogna recuou 10%.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A queda de 2,68% no Ibovespa no pregão de hoje esconde uma destruição muito maior em alguns setores e ações.&nbsp;
Casas Bahia, por exemplo, despencou 20% hoje, enquanto a Cosan perdeu 12%, a Cyrela caiu 11% e Cogna recuou 10%.
Mesmo segmentos considerados mais sólidos – como bancos e <em>utilities</em> – entraram na roda. O índice financeiro IFNC tombou 4,76%, e o de energia elétrica, IEE, caiu 3%, com a AXIA Energia recuando 5,2%.
Desde a reeleição de Lula, nos três pregões desta semana o Ibovespa já acumula perdas de 16,6%.
Mas a dor individual é maior que a coletiva.&nbsp; A Vamos, do grupo Simpar, já perdeu 60% de seu valor de mercado, seguida de Magazine Luiza (59%), Cosan (55%), Hapvida (52%), C&amp;A e Cyrela (50%), MRV&amp;Co (48%), e Localiza e Assaí (43%).
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/as07jUvibAwbkyZ0n.jpg" alt="" /></p>
Em meio à sangria, investidores tentam entender até quando a surra vai continuar.&nbsp;
Para além da repercussão da eleição, um novo fator que pesou hoje foi uma revisão para cima das projeções de inflação pelo BTG. O banco elevou o IPCA esperado para 2027 de 4,8% para 5,9%. Para 2026 de 5,3% para 5,4%.
Esses números acenderam a luz amarela para a possibilidade de o Banco Central ter que parar o ciclo de redução de juros já na próxima reunião, pressionando as empresas mais alavancadas.
“Enquanto não houver sinais melhores de um ajuste (fiscal), a tendência é que as condições financeiras, ações e DI continuem piorando,” disse um analista do<em> buyside</em>.&nbsp;
“A trajetória antes das eleições já era insustentável e agora ficou pior. Tem gasolina e diesel represados, escala 6x1 e as benesses prometidas. O Governo em algum momento vai ter que passar a mensagem de que o que prometeu nas eleições não será cumprido e por hora não parecem prontos para fazer isso.”
Um gestor disse que, além disso, o mercado pode estar começando a precificar os riscos gerados pela decisão&nbsp; de Flávio Bolsonaro de buscar asilo nos EUA.&nbsp;
“Se o Trump não reconhecer a eleição e vier com sanções ou <a href="https://www.state.gov/global-magnitsky-act/" target="_blank" rel=""><strong><u>Lei Magnitsky</u></strong></a>, quem mais apanha é banco. Foi assim na Magnitsky: socaram os bancos.”
Hoje, Flávio primeiro publicou uma carta se proclamando o “verdadeiro presidente eleito” e agradecendo o acolhimento de Trump. Pouco depois, mudou esse trecho do texto, colocando-se apenas como “o líder do Brasil.’
O sócio de uma outra gestora disse que a pressão sobre a Bolsa pode continuar mesmo sem novas notícias, uma vez que diversos fundos multimercados tiveram perdas monumentais e podem precisar liquidar papéis para lidar com saques dos investidores.
Essa situação pode acabar gerando uma “segunda onda” de queda no mercado movida pelos saques, embora ele avalie que isso ainda não está acontecendo.&nbsp;
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/as0EYioPazoaFRdlD.jpg" alt="" /></p>
“Eu acredito que a queda do Ibovespa esconde um movimento mais profundo de reprecificação do risco brasileiro. A Bolsa ficou mais barata, mas isso não significa que o processo de ajuste tenha terminado.”
Esse gestor, que fez um <em>hedge </em>antes das eleições com uma posição vendida no Ibovespa, disse que muitos fundos estavam excessivamente alavancados na aposta Flávio, “100% confiantes na vitória dele.”
Com a indústria de multimercados machucada há tempos, parte dos fundos pode ter visto na eleição a chance de salvar o ano, deixando de lado a cautela.&nbsp;
“O que acontece quando TODOS vão na mesma direção? Como dizia o Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra,” disse este gestor.
O ex-analista do UBS-BB, Giuliano Ajeje, disse em uma publicação no LinkedIn que “a violência da reação dos mercado sugere que havia pouca proteção” para o caso de uma surpresa eleitoral.
"O mercado apostou numa vitória de Flávio Bolsonaro. Lula venceu. Quem pagou caro por uma probabilidade de 70% descobriu que 30% também acontece.”
Entre os setores, desde o domingo, o índice imobiliário IMOB lidera as baixas com 33,6%, seguido pelo de <em>small caps</em>, que despenca 30%. O índice de consumo, ICON, que reúne empresas expostas ao varejo, perde 28,5%, e o financeiro, IFNC,&nbsp; 26,3%. O índice de elétricas IEE cai 19%.
Só entre sexta passada e terça-feira (sem contar a queda de hoje), o Ibovespa já perdeu R$ 662 bilhões em valor de mercado.
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    </item>
    <item>
      <title>OPINIÃO. Os John Galts do Brasil</title>
      <guid isPermaLink="false">/ce98mNyET9 at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Wed, 28 Oct 2026 22:56:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/opiniao-os-john-galts-do-brasil</link>
      <category><![CDATA[Economia]]></category>
      <category><![CDATA[Mercado de ideias]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[John Galt]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Meu nome é John Galt. Nasci há quase setenta anos nas páginas de <a href="https://link.amazon/B00Qtv5VI" target="_blank" rel=""><strong><em><u>A Revolta de Atlas</u></em></strong></a>, o romance da escritora Ayn Rand.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Meu nome é John Galt.
Nasci há quase setenta anos nas páginas de <a href="https://link.amazon/B00Qtv5VI" target="_blank" rel=""><strong><em><u>A Revolta de Atlas</u></em></strong></a>, o romance da escritora Ayn Rand.
Na história de Rand, um país afunda aos poucos graças a um Estado que regula, tributa e controla tudo; que trata quem produz como suspeito; <strong>e quem pede auxílio, como credor.</strong>
Com o tempo, as fábricas fecham, os trens param, os negócios definham, e nas ruas as pessoas repetem uma pergunta que ninguém sabe responder: “Quem é John Galt?”
A frase virou um dar de ombros, um jeito de dizer “sei lá, que diferença faz” diante de um mundo que parecia não ter mais conserto.
Ninguém sabia quem eu era – mas eu era um dos que carregavam o mundo nas costas, como o titã Atlas do mito grego. Eu inventava, construía, produzia e pagava a conta. Carreguei o mundo até cansar.
Um dia, decidi parar, e convenci outros como eu a parar também. Os que moviam o mundo simplesmente foram embora, e a sociedade enfim descobriu o quanto o mundo pesava.
Quase setenta anos depois, a pergunta voltou, e desta vez no Brasil. Quem é John Galt?
Hoje, John Galt é você.
É o empresário, o empreendedor, o motorista de aplicativo, a manicure, o dono de uma MEI. É aquele que acorda cedo para trabalhar, paga impostos altos, toma risco, gera empregos, vive endividado, e ainda assim segura o País de pé.
Você é aquele que perde horas com a burocracia do Estado, precisa rolar suas dívidas a juros impagáveis, roda 12 horas no aplicativo e ainda ouve que é um privilegiado.
Nos últimos anos, você sente que sua energia está acabando, o fardo ficou pesado demais, e ninguém pensa em você. (Quando pensam, é para atrapalhar).
Desde 2002, na primeira eleição do Presidente Lula, o Brasil comprou e foi acreditando no modelo de País da cartilha do PT: Estado-mãe, transferências permanentes, subsídios para quem tem acesso a Brasília e desconfiança crônica do mercado, do empreendedor e da livre iniciativa.
É um modelo que promete encurtar a distância entre as regiões – mas tem feito o oposto .
Segundo o IBGE, o Nordeste respondia por 13,8% do PIB no início do século e manteve essa mesma fatia duas décadas depois, numa região onde vive mais de um quarto da população. Vinte anos de política do Estado fazedor, e a produção não saiu do lugar. O que cresceu foi a dependência.
É aí que mora o primeiro problema, e ele é econômico.
A Venezuela financiou seu modelo econômico com petróleo: enquanto o barril pagou, a festa continuou; quando o barril caiu, sobrou a ruína.
Por aqui, o petróleo do modelo são as pessoas e empresas que produzem. Não se trata de culpar quem vota, mas de olhar para um arranjo que transforma o eleitor em dependente, e o pagador em refém.&nbsp;
Os gastos crescem e exigem financiamento cada vez maior, e a fatura cai sobre um grupo cada vez mais estreito, na forma de mais impostos, juros altos, burocracia e obstáculos para quem quer empreender.
Até quando esse modelo para de pé? Até quando conseguiremos sustentá-lo? Até quando alguns conseguirão produzir para manter o que se tornou direito de tantos outros?
No romance de Rand, os homens que movem o mundo não fazem passeata: simplesmente param e somem, um a um.
No Brasil real, essa greve não tem manifesto. Tem CNPJ encerrado, empresa que transfere a sede, investidor que engaveta o projeto, jovem talentoso que vai embora com o diploma debaixo do braço. Ninguém anuncia nada. Só jogam a toalha.
O segundo problema nasce do primeiro, e é social.
Um País dividido no mapa tende a se dividir também na mesa do jantar. Já circulam por aí os “não compre de quem votou no PT”, os “não ajude quem escolheu isso.”
Entendo a frustração de quem diz isso, mas este caminho é uma bomba social que se arma rápido e se desarma devagar – e que não poupa ninguém.
A Europa oferece hoje um retrato do que acontece quando o “nós contra eles” vira programa de Governo: ressentimento, exclusão de quem chega de fora e uma política cada vez mais tribal.
Um liberal verdadeiro não deveria cair nessa armadilha. O adversário é o modelo, não o vizinho, e o argumento é a única arma legítima de quem defende a liberdade. E ele perde força toda vez que é trocado pelo desprezo.
Há, porém, um terceiro problema, e ele é o mais preocupante de todos.
Na minha leitura, as urnas de domingo não entregaram uma vitória a Lula, ao PT ou a um grupo político. Entregaram um cheque em branco a uma elite do Estado e, dentro dela, a um Judiciário que se tornou árbitro e jogador, simultaneamente.
É o que muitos já chamam de ditadura da toga, uma oligarquia clássica em que o poder não emana do voto, mas do cargo.
Venceram os que vivem do poder e no poder, os que moram no Lago Sul de Brasília, uma das maiores rendas per capita do País, sustentados não pelo que produzem, mas pela burocracia e pela “aplicação” da lei.
Venceram os que, para se proteger, relativizam o devido processo legal, governam por decisões monocráticas e restringem direitos de opositores em nome da defesa das instituições.
Quem deveria ser servidor público passou a ser “tomador” do público. E esta é a direção mais difícil de reverter. Segundo o conceito firmado pelo Professor Joaquim Falcão, passamos de uma “democracia originária” para uma “Oligarquia de Estado”.
Ficam perguntas incômodas.
Temos um Congresso capaz de ser o freio desse sistema, ou elegemos um Congresso com medo de ser o próximo da fila, julgado por decisões das quais não há a quem recorrer?
Teria mudado alguma coisa se o outro candidato tivesse vencido? Ou será que, para vencer, qualquer candidato teria de se aliar a essa mesma força?
Por que chegamos aqui, e quais são os caminhos de saída, é assunto para outra reflexão. Até lá, proponho apenas que olhemos com calma para a fotografia de hoje.
Volto a Ayn Rand. Há uma passagem de <em>A Revolta de Atlas</em> em que ela diz que basta observar o dinheiro para saber se uma sociedade caminha para a ruína, porque ele é “<em>o barômetro da virtude de uma sociedade</em>.”
Quando a troca deixa de ser voluntária e passa a ser imposta, quando produzir exige pedir licença a quem nada produz, quando o dinheiro corre para quem tem influência e não para quem tem algo a oferecer, quando a lei protege quem toma de quem produz e não o contrário, quando a corrupção é premiada e a honestidade vira sacrifício, essa sociedade está condenada.
Nenhum País sobrevive muito tempo sendo metade prosperidade, metade saque.
Olhe o dinheiro. Sinta o clima.
Depois responda: quem é John Galt?
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    </item>
    <item>
      <title>Prepare o bolso e o caixa: vem aí o IVA de (pelo menos) 30%</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceqKnZdEjw at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Wed, 28 Oct 2026 22:27:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/prepare-o-bolso-e-o-caixa-vem-ai-o-iva-de-pelo-menos-30</link>
      <category><![CDATA[Economia]]></category>
      <category><![CDATA[Tributação]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliano Guandalini]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O contribuinte brasileiro é, antes de tudo, um forte. O novo imposto sobre valor agregado, que será dividido na CBS (de alçada federal) e no IBS (de alçada estadual e municipal), deverá ficar próximo de 30%.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O contribuinte brasileiro é, antes de tudo, um forte.
O novo imposto sobre valor agregado, que será dividido na CBS (de alçada federal) e no IBS (de alçada estadual e municipal), deverá ficar próximo de 30%.
Se isso for confirmado, o Brasil passará a ter o maior IVA do mundo – acima até mesmo de <em>to-das</em> as ricas nações europeias.
Um passo decisivo rumo a esse novo recorde nacional foi dado hoje.
O Tribunal de Contas da União divulgou sua proposta para a alíquota da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), o tributo que irá substituir o PIS e a Cofins, e ela ficou – um bom tanto – acima de todas as estimativas ventiladas até então.
O plenário do TCU sugeriu uma alíquota de 11,3%. Até então, a área econômica do Governo e congressistas vinham indicando que a CBS ficaria em 9,21%.
O número sugerido agora pelo TCU foi na verdade indicado pelo Governo, responsável pelos cálculos ao lado do Comitê Gestor da CBS e do IBS.
O Governo enviou a estimativa ao TCU em setembro, mas o número ficou sob sigilo durante o processo eleitoral. (Por que será?)&nbsp; Coube ao plenário do TCU apenas referendar a alíquota.
A alíquota de 11,3% da CBS foi o número a que chegaram os técnicos para acomodar as diversas isenções de cobrança e o total de despesas do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2027, apresentado pelo Governo e atualmente em tramitação no Congresso.
O Senado terá agora até 15 de dezembro para definir a alíquota efetiva que passará a valer em 2027.
Alguém acredita que haverá uma redução significativa?
A CBS passará a ser cobrada a partir de janeiro.
Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que entrará no lugar do ICMS e do ISS, será adotado gradualmente a partir de 2028. No próximo ano haverá apenas uma alíquota ‘simbólica’ de transição estipulada em 0,1%.
A alíquota cheia será determinada em 2028. A estimativa que vem sendo divulgada é de que fique em 18,7%.
Se assim for, teremos: IVA = CBS (11,3%) + IBS (18,7%) = 30%.
Seria o maior IVA do mundo.
Mas tem como piorar: se o IBS vier acima do previsto na mesma proporção que a CBS (um estouro de 22%), o IVA acabaria em 34,2% – um novo recorde em cima do recorde atual.
Atualmente o país com o maior IVA do mundo é a Hungria, com 27%, seguida pelos países nórdicos, com uma ‘módica’ alíquota de 25%.
Sim, a comparação não é totalmente justa por causa da diferença na estrutura tributária dos países – e na Europa o Imposto de Renda efetivo é bem superior ao brasileiro.
(Apenas para refrescar a memória: quando a reforma foi aprovada, o então secretário responsável pelo projeto, Bernard Appy, havia estimado que o IVA deveria ficar abaixo de 27%.)
E o IVA brasileiro, mesmo sem ter estreado, já está com viés de alta.
Segundo o tributarista Luiz Gustavo Bichara, a CBS que será aprovada pelo Senado talvez fique acima do número divulgado hoje pelo TCU. Isso porque o Projeto de Lei Orçamentária Anual traz uma estimativa de arrecadação com bets – um dinheiro que não deverá mais entrar no caixa do Tesouro porque as casas de apostas foram banidas às vésperas da eleição.
“Na teoria, então, a CBS deverá ser um pouquinho mais alta,” Bichara disse ao<a href="https://www.instagram.com/braziljournal?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;srtk=ZDNlZDc0MzIxNw==" target="_blank" rel=""> <strong><u>Brazil Journal</u></strong></a>.
O advogado destacou o possível efeito inflacionário desse novo tributo. Isso porque as empresas que estão no lucro presumido passarão a pagar os 11,3% (ou mais) sobre a receita já a partir de janeiro, e hoje a alíquota é de 3,65% (0,65% de PIS e 3% de Cofins).
Nos setores de ciclo curto, como serviços, não deverá haver muito espaço para descontos de impostos arrecadados em etapas anteriores – o que significa um salto e tanto na cunha fiscal. É mais do que o triplo.
“Os preços vão aumentar, inequivocamente,” disse Bichara. “E com o nível de juros que temos, não há mais ferramentas para combater a inflação.”
2027 promete. E o Governo ainda nem apresentou a conta das promessas eleitorais.
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>A AI da Endeavor é um Tinder entre empreendedores. Sem o romance</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceqUQrcKhO at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Wed, 28 Oct 2026 17:08:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/a-ai-da-endeavor-e-um-tinder-entre-empreendedores-sem-o-romance</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
      <category><![CDATA[Startups]]></category>
      <category><![CDATA[Endeavor]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <category><![CDATA[AI Journal]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[André Jankavski]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Algumas perguntas tiram o sono dos empreendedores. Qual o momento de contratar alguém para tirar o <em>founder</em> da área de vendas? Quando faz sentido reduzir o preço para conquistar uma conta estratégica?]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Algumas perguntas tiram o sono dos empreendedores.
Qual o momento de contratar alguém para tirar o <em>founder</em> da área de vendas? Quando faz sentido reduzir o preço para conquistar uma conta estratégica?
Essas são algumas das questões que a Endeavor quer ajudar a responder com inteligência artificial.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/as9SJm8bCJ2eBUZAC.jpg" alt="" /></p>
A organização acaba de lançar uma ferramenta de AI que funciona como uma espécie de mentora virtual e, ao mesmo tempo, um Tinder – sem pegação – que conecta <em>founders </em>a quem já enfrentou os mesmos problemas.
A novidade está sendo testada pelas 17 startups da nova turma do Scale-Up, o programa da Endeavor voltado a empresas em fase de crescimento. Entre elas estão a <a href="https://braziljournal.com/a-tese-da-tess-ai-um-llm-ajuda-muita-gente-varios-llms-ajudam-muito-mais" target="_blank" rel=""><strong><u>TESS AI</u></strong></a>, a <a href="https://braziljournal.com/a-proxima-consulta-sera-diferente-a-startup-que-leva-a-ai-para-os-medicos" target="_blank" rel=""><strong><u>Voa Health</u></strong></a>, a Maggu AI e a PassHub.&nbsp;
No total, esse grupo de <em>startups</em> já captou R$ 240 milhões de investidores como Prosus Ventures, Canary, Maya Capital e Astella.&nbsp;
A ideia é escalar um dos principais ativos da organização: sua rede de mentores e o conhecimento acumulado em 25 anos de conversas com empreendedores.
“Queremos não só organizar esses aprendizados de uma forma coletiva, mas também distribuir esse aprendizado de uma forma que não dependa necessariamente dos encontros um a um,” disse Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor, ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>.
Na prática, o <em>founder</em> poderá acessar a ferramenta dentro de qualquer LLM (como o Claude ou o ChatGPT) por meio de um <em>plugin, </em>e descrever seu desafio para receber sugestões baseadas nas experiências de outras empresas ligadas à Endeavor – e descobrir quem pode ajudá-lo.
Para fazer esse <em>match</em>, a AI vasculha uma base de 825 empreendedores e mentores, seleciona os perfis mais adequados e apresenta seis nomes, explicando o motivo de cada indicação.
A busca vai além de outros <em>founders</em>.
Uma <em>startup</em> tentando vender para grandes empresas, por exemplo, pode ser conectada a um diretor de compras que conhece o outro lado desse tipo de negociação.
Se o empreendedor quiser conversar com um dos indicados pela AI, um agente da Endeavor faz o contato pelo WhatsApp e encaminha o agendamento após a confirmação do mentor.
É uma tentativa de acelerar um processo que, até agora, levava de três a seis semanas para uma indicação que pode acontecer em segundos, diz Maria Teresa. “A gente sempre fez isso de certa forma, mas era impossível fazer de maneira tão automática.”
Só que a ferramenta não se limita a conectar pessoas.
Por trás dela está o <em>Collective Brain</em>, uma espécie de CRM que reúne o histórico de mentorias da Endeavor, registrando as experiências e trajetórias dos empreendedores da rede.&nbsp;
Segundo Aruã Caselli, <em>head </em>de <em>data </em>e AI da Endeavor,&nbsp; a AI analisa transcrições de conversas e reuniões, identifica os problemas enfrentados pelas empresas, as recomendações recebidas e os resultados das decisões.&nbsp;
Para preservar a confidencialidade das mentorias, a Endeavor criou uma versão tratada de sua base de dados, retirando informações sensíveis antes de disponibilizar os aprendizados aos agentes.
Num piloto com 99 conversas, a Endeavor extraiu 3.625 “evidências” – registros de situações vividas pelos empreendedores, das recomendações recebidas e de seus possíveis resultados.&nbsp;
A ferramenta também identificou 562 desafios de negócios, como dificuldades para contratar executivos ou estruturar uma área comercial, posteriormente agrupados em 89 temas.
Com essas informações, a AI consegue sugerir caminhos para os problemas dos empreendedores sem que eles precisem necessariamente conversar com um mentor.
“O empreendedor pode buscar conexões ou receber respostas imediatamente sem precisar passar por uma conexão,” disse Aruã.&nbsp;
O plano da Endeavor é ampliar gradualmente o acesso para outros empreendedores da rede até o final do ano.
“A gente quer que o acesso seja o mais amplo possível, mas precisamos respeitar a confidencialidade. É um produto que está aprendendo com o uso, então é perigoso ampliar demais,” disse Maria Teresa.
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      <title>Lucro do Santander cai 28% e fica abaixo do consenso; ROE vai a 11,9%</title>
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      <pubDate>Wed, 28 Oct 2026 15:15:00 +0000</pubDate>
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      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
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      <category><![CDATA[Crédito]]></category>
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      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O mercado já esperava um resultado mais fraco do Santander Brasil no terceiro tri, mas a piora surpreendeu.&nbsp;&nbsp; O lucro líquido caiu 4% no tri a tri e 28% na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões, 7% abaixo do consenso. O ROE diminuiu para 11,9% – estava em 12,5% no trimestre anterior e em 17,5% um ano antes.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O mercado já esperava um resultado mais fraco do Santander Brasil no terceiro tri, mas a piora surpreendeu.&nbsp;&nbsp;
O lucro líquido caiu 4% no tri a tri e 28% na comparação anual, para R$ 2,9 bilhões, 7% abaixo do consenso. O ROE diminuiu para 11,9% – estava em 12,5% no trimestre anterior e em 17,5% um ano antes.&nbsp;
A frustração no lucro operacional foi ainda maior. O EBT, de R$ 2,6 bilhões, caiu 38% no ano e e ficou 15% abaixo da estimativa do Citi e 30% abaixo do BTG.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/aswMLBTUmvWrAmMnB.jpg" alt="" /></p>
(O resultado líquido foi maior que o operacional porque créditos tributários tornaram a alíquota efetiva de imposto negativa, aumentando o lucro líquido, <a href="https://braziljournal.com/o-tri-horroroso-do-santander-brasil-lucro-menor-mais-provisoes-roe-de-125" target="_blank" rel=""><strong><u>algo que já havia acontecido no segundo tri</u></strong></a>.)
O balanço é um reflexo da estratégia do Santander de mudar o mix de crédito e migrar a carteira para produtos de menor risco, que têm <em>spreads </em>menores.&nbsp;
“Isso tem um custo, mas é uma estratégia vitoriosa no longo prazo,” disse o CEO Gilson Finkelsztain na <em>call </em>hoje de manhã – a primeira da qual ele participa desde que assumiu o cargo em julho.&nbsp;
Diante do tamanho do problema que tem para resolver, Gilson disse que “continuidade não significa inércia”, que o banco está abaixo do patamar de rentabilidade que deveria ter e precisa caminhar para recuperar o ROE de forma “gradual e sustentável”.&nbsp;
O desafio será fazer isso em meio a um ambiente de juros altos, com empresas pressionadas e pessoas físicas altamente endividadas. Por isso, disse o executivo, é preciso ter “inteligência na rotação de ativos”.&nbsp;
A carteira total do Santander continua crescendo menos que a média do bancário. A expansão foi de 0,9% no trimestre e de 4,7% no ano, para R$ 721 bilhões.&nbsp;
A margem com clientes caiu 1% no tri a tri e 4% em relação ao mesmo período de 2025.
A PDD diminuiu 2,5% no trimestre, mas aumentou 14% no ano, para R$ 7,5 bilhões – um patamar elevado que reflete problemas no atacado, no agro, na baixa renda e também na classe média, especialmente em linhas sem garantia como cartões de crédito, segundo o CFO Carlos Muñiz.&nbsp;
A tendência agora é de relativa estabilidade, disse Muñiz. “Não consigo dizer se haverá um novo caso no atacado, mas, de forma geral, a inadimplência começa a vir melhor,” afirmou o executivo.&nbsp;
A inadimplência acima de 90 dias aumentou para 3,4% em setembro – ante 3,3% em junho e 2,8% em setembro de 2025.&nbsp;
A maior alta foi registrada no segmento de pessoas físicas, onde a taxa chegou a 5,5%, frente aos 5,1% do tri anterior e 4,2% há um ano.
Já a inadimplência de 15 a 90 dias caiu no tri a tri, de 3,3% para 3,2% – estava em 3,1% em setembro de 2025.&nbsp;
Para os analistas do Citi, esse “é um indicador antecedente positivo e pode sinalizar uma redução gradual das pressões sobre o crédito, favorecida por uma composição mais conservadora da carteira”.
Outro ponto positivo foi a redução de custos. As despesas gerais somaram R$ 6,4 bilhões, com queda de 3% no trimestre e 0,6% no ano.&nbsp;
Os gastos com pessoal recuaram em torno de 4% nas duas bases de comparação, apesar do impacto do reajuste salarial previsto no acordo coletivo. O quadro de funcionários foi reduzido em mais 1,5 mil pessoas no trimestre e em quase 6 mil nos últimos 12 meses.&nbsp;
Como resultado, o índice de eficiência melhorou 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, para 38,8%. Ainda assim, está 1,3 ponto percentual abaixo do patamar de um ano atrás devido ao enfraquecimento das receitas, disse o BTG.
Apesar do <em>miss</em>, os analistas não esperam grandes reflexos no preço da ação. O papel cai 4% hoje, praticamente em linha com a baixa de Bradesco (-5%) e Itaú (-3%), num mercado ainda bastante volátil pós-eleição.
O preço da ação do Santander está vinculado às condições da OPA anunciada em julho pela matriz, para comprar os 10% que ainda não possui da operação brasileira.
“Até a semana passada, ouvíamos de vários investidores que não pretendiam aderir à oferta,” escreveu Eduardo Rosman, do BTG Pactual.
A justificativa era que o cenário doméstico poderia melhorar significativamente, e o Santander Brasil era negociado com desconto em relação ao Bradesco, seu principal concorrente listado, segundo o BTG.&nbsp;
“A reprecificação dos ativos após as eleições mudou rapidamente essa avaliação,” disse Rosman.&nbsp;
Na semana encerrada em 27 de outubro, as ações do Santander caíram cerca de 7%, enquanto as do Bradesco recuaram 24% – o que deixou o banco espanhol caro.
Considerando os preços de fechamento de ontem, o Santander Brasil negocia a aproximadamente 1 vez seu último valor patrimonial, ante cerca de 0,9 vez para o Bradesco.
“Em nossa avaliação, isso aumenta a probabilidade de os atuais acionistas optarem por aderir à oferta de troca,” disse o BTG.&nbsp;
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