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    <title>Brazil Journal - Latest news</title>
    <description>Quem faz o PIB lê.</description>
    <link>https://braziljournal.com</link>
    <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 20:54:00 +0000</pubDate>
    <language>pt-BR</language>
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      <title>Brazil Journal</title>
      <link>https://braziljournal.com</link>
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    <item>
      <title>OPINIÃO. A rastreabilidade nas decisões da AI</title>
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      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 20:54:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/opiniao-a-rastreabilidade-nas-decisoes-da-ai</link>
      <category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
      <category><![CDATA[AI Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Serviços financeiros]]></category>
      <category><![CDATA[Mercado de ideias]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pierre Moreau]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Em 1878, Friedrich Nietzsche publicou a obra <em>Humano, demasiadamente humano</em>, na qual trata do “espírito livre”, ou seja, aquele que pensa de forma independente e busca questionar o que é dado como certo. Quase 150 anos depois, o que vivemos agora é o oposto: uma era na qual o ser humano tenta mecanizar todos os processos, principalmente com o uso da inteligência artificial, sem, no entanto, lembrar que essa tecnologia não é neutra, sem os vieses ou erros de quem a programou.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Em 1878, Friedrich Nietzsche publicou a obra <em>Humano, demasiadamente humano</em>, na qual trata do “espírito livre”, ou seja, aquele que pensa de forma independente e busca questionar o que é dado como certo.
Quase 150 anos depois, o que vivemos agora é o oposto: uma era na qual o ser humano tenta mecanizar todos os processos, principalmente com o uso da inteligência artificial, sem, no entanto, lembrar que essa tecnologia não é neutra, sem os vieses ou erros de quem a programou.
A busca pela inovação tecnológica e a vontade de “não ficar para trás” têm levado cada vez mais setores econômicos, incluindo o financeiro, a adotar essa ferramenta e alterar seus processos.
Contudo, embora isso possa trazer uma “sensação de eficiência”, é preciso estar atento a como esse avanço da “superinteligência” (como Donald Trump tenta rebatizá-la) afeta a confiança nas decisões que são tomadas pelas instituições financeiras e, principalmente, a confiança de clientes e investidores nessas decisões.
Como uma ferramenta criada por humanos e controlada por grandes empresas, com interesses próprios, é preciso manter a análise crítica e estar preparado para não ficar na mão da AI.
No Brasil, segundo a<a href="https://cmsarquivos.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa%20Febraban%202026.pdf" target="_blank" rel=""> <strong><u>Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026</u></strong></a>, 80% das instituições já usam AI para analisar dados e aprimorar suas ofertas de produtos e serviços. No mundo, um estudo da KPMG<a href="https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmgsites/xx/pdf/2026/05/global-ai-in-finance-report.pdf" rel=""> </a>indica que mais de três quartos das organizações estão utilizando a AI no planejamento financeiro, na elaboração de relatórios e na análise comercial.
Até mesmo grandes bancos internacionais já criaram ferramentas de AI voltadas para a divisão de <em>wealth management</em> para municiar seus <em>bankers</em> e <em>financial advisors</em>, assim como os clientes, com recomendações, análises e resumos.
O pressuposto da AI é captar o máximo de informações e codificá-las para outra máquina entender – tanto que as empresas de AI já codificaram o conteúdo de milhares de livros para alimentar seus modelos. Ou seja, é um sistema de linguagem de máquina para máquina, e não foi feito considerando a forma de interpretação e aprendizagem do ser humano.
O ponto-chave aqui é que, quando começamos a lidar com uma linguagem cifrada, voltada ao entendimento de outra máquina, a relação humana com a mensagem se transforma. Passamos a depender de mecanismos de compilação e processamento que recebem o material, analisam-no e produzem algo a partir dele.
Isso significa que aquilo que o ser humano recebe <em>não é necessariamente a mensagem em sua forma original</em>, mas o resultado de um processo de interpretação e transformação realizado pela máquina, o que pode afetar <em>a maneira como compreendemos a informação, atribuímos sentido a ela e reagimos ao seu conteúdo</em>.
Este risco é ainda maior quando lembramos que as ferramentas de AI disponíveis não são entidades autônomas, como explicou Leandro Karnal em uma recente entrevista. Elas pertencem a empresas cujo objetivo principal é maximizar seu valor de mercado. Não há neutralidade na AI.
A ferramenta tira a capacidade de absorção da informação de forma neutra e, assim, aumenta também o risco de se <em>perder o controle sobre o processo de interpretação da informação e de tomada de decisão</em>.
É por isso que precisamos ter muita atenção em relação com o uso dessa tecnologia em todas as áreas – mais especificamente no setor financeiro.
Antes, as decisões eram tomadas com base em uma tábua de valores que permitia avaliar diferentes elementos de um problema e chegar a uma decisão.
Isso indicava uma lógica a ser usada na tomada de decisão: os critérios adotados, o peso atribuído a cada elemento e as razões que justificavam a decisão. Isso permitia, posteriormente, confrontar os resultados com as avaliações originais, identificar erros, compreender o que havia falhado e rever os critérios para decisões futuras.
Com a AI, <em>existe o risco de que essas etapas intermediárias se tornem obscuras ou inacessíveis</em>.
Usuários de serviços financeiros precisam ter repertório para se contrapor, guardar o passo a passo (como uma ficha técnica) de como usou a ferramenta, como obteve a informação para, ao fim, ter a possibilidade de fazer o caminho inverso, perceber em que ponto ocorreu um possível erro e, assim, se precaver de possíveis danos, jurídicos ou financeiros.
O problema não está na tecnologia em si, mas na possibilidade de se perder a capacidade de reconstruir e examinar criticamente o caminho que levou a determinado resultado.
Mesmo com o uso dessas ferramentas, é fundamental preservar a análise de todas as etapas do processo decisório, de modo que ele possa ser compreendido, questionado e, se necessário, corrigido.
É preciso acompanhar os movimentos de governos ao redor do mundo para regular a AI, que avançam de forma lenta –&nbsp; bem mais lenta do que o avanço da tecnologia.&nbsp;
No Brasil, o Marco Legal da AI, proposto pelo Senador Rodrigo Pacheco em 2023 e que impacta diretamente os bancos, fintechs e seguradoras ao classificar os sistemas usados em decisões de impacto econômico como de “alto risco”, só foi avaliado pelo Senado em dezembro de 2024 e espera uma votação na Câmara dos Deputados.
Enquanto isso, usuários, empresas e desenvolvedores precisam assumir responsabilidades e avaliar os riscos de cada decisão tomada com base em recomendações de AI.
Ressalto aqui que o problema não está na tecnologia em si, mas no <em>risco de se perder a capacidade de reconstruir e examinar criticamente o caminho que levou a determinado resultado</em>.&nbsp;
É fundamental preservar a análise de todas as etapas do processo decisório de modo que ele possa ser compreendido, questionado e, se necessário, corrigido.
Em meio ao avanço da AI e à busca por eficiência, não podemos nos esquecer da capacidade crítica de análise para não ficarmos à mercê da tecnologia. A ferramenta é útil, mas não inocente.
<em>Pierre Moreau é advogado.</em>
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    <item>
      <title>Restaurantes em NY têm o pior trimestre em 36 anos – sim, pior que na covid</title>
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      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 20:54:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/restaurantes-em-ny-tem-o-pior-trimestre-em-36-anos-sim-pior-que-na-covid</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[NYC]]></category>
      <category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Borg]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O número de restaurantes e bares no estado de Nova York passou de 50.856 no 1º tri de 2025 para 48.928 no 1º tri deste ano, uma perda líquida de cerca de 1.928 estabelecimentos e a maior queda trimestral em 36 anos. Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o número supera qualquer trimestre durante a pandemia – quando as regras de isolamento social provocaram uma crise generalizada no setor – e mantém uma sequência negativa de quatro trimestres consecutivos com redução no número de restaurantes no estado, a maior sequência desde 2021.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O número de restaurantes e bares no estado de Nova York passou de 50.856 no 1º tri de 2025 para 48.928 no 1º tri deste ano, uma perda líquida de cerca de 1.928 estabelecimentos e a maior queda trimestral em 36 anos.
Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o número supera qualquer trimestre durante a pandemia – quando as regras de isolamento social provocaram uma crise generalizada no setor – e mantém uma sequência negativa de quatro trimestres consecutivos com redução no número de restaurantes no estado, a maior sequência desde 2021.
A área do estado mais afetada pelos fechamentos foi a região metropolitana que inclui a cidade de Nova York, Nova Jersey e Long Island. Esta região perdeu 491 restaurantes no 1º semestre deste ano, o maior número do país, segundo a Câmara de Comércio de Manhattan. Só na cidade de Nova York 117 restaurantes fecharam no período.
A crise pode ser explicada pelo aumento dos custos para manter um restaurante na região.&nbsp;
Em 2025, o custo do seguro-saúde dos funcionários subiu 12,9% para as empresas de serviços da cidade de Nova York, enquanto o seguro para empresas avançou 7% e serviços como luz e água ficaram 8,5% mais caros.
Combinados, os custos sobem mais do que a média nacional.
Ainda que o BLS e a Câmara de Comércio de Manhattan tragam números distintos – a queda no número de estabelecimentos reflete a variação líquida entre aberturas e fechamentos, enquanto as estimativas de fechamento contam apenas estabelecimentos que encerraram as atividades – eles indicam que o problema do setor de alimentação no estado não se limita a um único bairro ou tipo de estabelecimento, e tem origem nas despesas operacionais em alta sem compensação no aumento de clientes.
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    </item>
    <item>
      <title>EXA desembarca na Itália (com uma carona da TIM Brasil) </title>
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      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 16:46:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/exa-desembarca-na-italia-com-uma-carona-da-tim-brasil</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <category><![CDATA[Seguradoras & Insurtech]]></category>
      <category><![CDATA[Cybersecurity]]></category>
      <category><![CDATA[Grupo FS]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[André Jankavski]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[<em>“Attenzione! Virus rilevato.”</em> A EXA – a empresa de <em>cybersecurity</em> da FS, a holding<em> </em>de Alberto Leite – está desembarcando na Itália para iniciar uma expansão pela Europa, um movimento com o potencial de dobrar o tamanho da operação em três anos.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[<em>“Attenzione! Virus rilevato.”</em>
A EXA – a empresa de <em>cybersecurity</em> da FS, a holding<em> </em>de Alberto Leite – está desembarcando na Itália para iniciar uma expansão pela Europa, um movimento com o potencial de dobrar o tamanho da operação em três anos.&nbsp;
O modelo da expansão já é bem conhecido: a EXA chega à Itália numa parceria com a Telecom Italia, a controladora da TIM Brasil (que é dona de 25% da EXA).&nbsp;
A ideia é replicar na Itália o modelo B2B2C que a fez ganhar escala no Brasil: em vez de vender seus produtos diretamente aos consumidores, a companhia usa os canais das operadoras para distribuir serviços como antivírus, VPNs e proteção contra golpes digitais.
Gustavo Castro, o CEO da FS, disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a><strong> </strong>que o objetivo inicial da companhia é levar seus produtos a 4 milhões de clientes já no primeiro ano. A Telecom Italia possui 30 milhões de clientes.&nbsp;
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asRAcK3RbNBERBjpu.jpg" alt="" /></p>
A TIM foi fundamental para o crescimento da EXA: criada em 2022, a companhia espera faturar mais de R$ 500 milhões em 2026, mantendo um crescimento superior a 30% ao ano.&nbsp;
“Boa parte desse crescimento foi impulsionada pela parceria com a TIM e acreditamos que dá para repetir a receita na Itália,” disse Gustavo.
Mas a ambição vai além da Itália. A EXA quer usar o mercado italiano como porta de entrada para outros países europeus e acredita que, em três anos, sua operação no continente poderá ter o mesmo tamanho da brasileira.
A companhia já montou um escritório em Milão e colocou a expansão internacional sob a responsabilidade de Renato Ciuchini, ex-diretor de marketing e estratégia da TIM, que já trabalhou na Itália e conhece o mercado.
“Em três anos, a operação na Europa como um todo pode ser do mesmo tamanho da operação brasileira,” disse Gustavo.&nbsp;
Por lá, a companhia pretende começar oferecendo produtos de prevenção a ataques cibernéticos, como antivírus, VPNs, ferramentas de localização e bloqueio de aplicativos.
Em uma segunda etapa, a ideia é levar a Eva – sua agente de inteligência artificial que ajuda consumidores a identificar golpes – e produtos de seguros.
A expansão internacional aparece como a principal aposta para a empresa manter o ritmo de expansão de 30% ao ano.
Além da internacionalização, a companhia também enxerga duas alavancas de crescimento: distribuição em novos setores e ampliação do portfólio. Em relação à distribuição, já conquistou clientes como Bradesco, UOL e Fast Shop.
Na área de novos produtos, a maior aposta é a venda de seguros.&nbsp;
Há um ano, a EXA começou a vender seguros de celulares em parceria com a Zurich, que assume os riscos das apólices, enquanto a EXA fica responsável pela distribuição.&nbsp;
A expectativa é encerrar 2026 com uma carteira de R$ 80 milhões, mais que o dobro do inicialmente previsto.
Segundo o CEO, a empresa prepara seguros contra golpes digitais e garantia estendida. Além disso, a EXA estuda entrar no crédito consignado em 2027, apostando numa contratação totalmente digital para eliminar intermediários e reduzir custos de distribuição.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asIP8WEdDQESeFbKz.jpg" alt="" /></p>
A expansão faz parte de uma estratégia desenhada por Gustavo Castro, que conheceu Alberto Leite em 2019, num programa de mentoria da Fundação Estudar, quando estudava em Berkeley.&nbsp;
Alberto havia vendido o controle da FS ao Carlyle em 2016, mas recomprou a empresa em 2020, transformando-a numa <em>holding </em>de investimentos em tecnologia e telecomunicações.&nbsp;
Depois de se tornar sócio da Núcleo Capital, entrou na EXA como CFO em 2025 – aos 27 anos de idade – e passou a assumir responsabilidades na holding FS. Neste ano, ele se tornou CEO.&nbsp;
Além da EXA, a FS tem investimentos na ATIS, empresa de infraestrutura com mais de mil torres de telecomunicações na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, e também atua em geração distribuída de energia.
A receita consolidada do grupo deve superar R$ 1,5 bilhão neste ano.
Outra aposta da FS são <a href="https://braziljournal.com/alberto-leite-vai-investir-r-18-bilhao-em-data-centers" target="_blank" rel=""><strong><u>três projetos de data centers</u></strong></a> no Nordeste. As obras ainda não começaram: a FS aguardava definições regulatórias, mas retomou as discussões após o REDATA.&nbsp;
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>Rali com Flávio, reação a Lula: o que o buyside espera para segunda-feira </title>
      <guid isPermaLink="false">/ceudzpFk6a at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 14:37:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/rali-com-flavio-reacao-a-lula-o-que-o-buyside-espera-para-segunda-feira</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Investimentos]]></category>
      <category><![CDATA[Wealth Journal]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O <em>buyside</em> ainda vê espaço para um rali dos ativos brasileiros na segunda-feira se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, mostra uma pesquisa feita pelo Citi.&nbsp; Mas a reação do mercado deve ser mais intensa – e para o lado negativo – caso Lula seja eleito, na opinião dos investidores ouvidos pelo banco.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O <em>buyside</em> ainda vê espaço para um rali dos ativos brasileiros na segunda-feira se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, mostra uma pesquisa feita pelo Citi.&nbsp;
Mas a reação do mercado deve ser mais intensa – e para o lado negativo – caso Lula seja eleito, na opinião dos investidores ouvidos pelo banco.&nbsp;
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asnrd2a5XeQWWNE7j.jpg" alt="" /></p>
O Citi coletou as opiniões de 73 gestores de fundos de ações e multimercado e divulgou os resultados hoje.
No cenário de Flávio eleito, 49% dos gestores acreditam que o Ibovespa pode subir mais de 5% na segunda-feira 26. Outros 48% esperam uma alta entre 1% e 5%, enquanto 3% preveem uma baixa de 1% a 5% do índice.&nbsp;
Em relação à curva de juros, 55% projetam uma compressão entre 50 e 100 <em>basis points</em> no DI de janeiro de 2029, enquanto 13% preveem uma queda de mais de 100 pontos (como aconteceu depois do primeiro turno).
Além disso, cerca de 78% esperam uma valorização do real entre 2% e 5%, enquanto 10% estimam uma apreciação de mais de 5%. Outros 10% veem um câmbio estável.&nbsp;
“Talvez o resultado mais surpreendente seja que a forte valorização dos ativos após o primeiro turno não tenha reduzido as expectativas de ganhos adicionais,” diz o relatório assinado por André Mazini, o head de research do Citi para a América Latina.&nbsp;
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/aszwC1jMGN0IoSCIK.jpg" alt="" /></p>
“Isso sugere que a valorização após o primeiro turno é interpretada como uma etapa do processo de reprecificação, e não como sua conclusão.”
Caso Lula seja eleito, os gestores esperam uma reação “substancialmente mais agressiva” nos preços, segundo o Citi.
Em relação à Bolsa: 80% preveem uma queda superior a 5% no Ibovespa na segunda-feira, enquanto 7% projetam uma baixa entre 1% e 5% e 3% acreditam que o índice pode valorizar de 1% a 5%.
Outros 63% esperam uma desvalorização do real acima de 5%, enquanto para 28% a depreciação deve ficar entre 2% a 5%. Já 6% acreditam numa alta de mais de 5% do real.&nbsp;
No caso dos juros, e 67% antecipam uma abertura superior a 100 pontos-base na taxa do DI de janeiro de 2029. Para 14%, a alta deve ficar entre 50 e 100 pontos – e entre 10 e 50 pontos na opinião de 13% dos gestores pesquisados.&nbsp;
“Os investidores continuam considerando a trajetória fiscal como o principal fator determinante dos preços dos ativos brasileiros,” diz o Citi.
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>Macro pesa e Bradesco perde fôlego no 3º tri</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 23:56:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/macro-pesa-e-bradesco-perde-folego-no-3-tri</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Serviços financeiros]]></category>
      <category><![CDATA[Bradesco]]></category>
      <category><![CDATA[Crédito]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O macro pesou e o Bradesco reportou um terceiro trimestre considerado fraco pelo mercado. O lucro foi de R$ 7,1 bilhões, um crescimento de apenas e 0,8% no tri a tri e de 14,6% na comparação anual.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O macro pesou e o Bradesco reportou um terceiro trimestre considerado fraco pelo mercado.
O lucro foi de R$ 7,1 bilhões, um crescimento de apenas e 0,8% no tri a tri e de 14,6% na comparação anual.&nbsp;
O número ficou em linha com o consenso – “mas um consenso ruim,” disse um analista do <em>sellside</em>.
O ROE foi de 15,6% – ou 16,1% quando desconsiderado o aumento de capital recente de R$ 10 bilhões. No segundo tri, o ROE estava em 16,2%.&nbsp;
“A impressão é que está acabando o gás. Está mais difícil manter aquele compromisso de aumentar o lucro todo trimestre,” disse outro analista. “Mas o banco não teria feito um aumento de capital se achasse que o cenário seria fácil.”&nbsp;
A carteira de crédito cresceu menos que em trimestres anteriores: 1,1% no sequencial e 11,1% frente ao mesmo período de 2025.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asbP80KONZLK7qTt1.jpg" alt="" /></p>
Diante dos riscos macro, a expansão do crédito está há alguns trimestres concentrada nas linhas com mais garantias – essa carteira chegou a 61,2% do total de empréstimos do Bradesco no tri, ante 59,5% no mesmo período de 2025.
Essas linhas geralmente são menos rentáveis, o que fez a margem com clientes crescer menos que o esperado: 1,5% no trimestre e 10,1% na comparação anual. A margem das operações de crédito pós-PDD caiu para 4,2%
A inadimplência total acima de 90 dias aumentou para 4,6% – ante 4,3% em junho e 4,1% em setembro de 2025.&nbsp;
Na carteira de pessoas físicas, a taxa subiu para 5,8%, frente aos 5,5% do trimestre anterior e 5,4% há um ano. Nas PMES, os atrasos chegaram a 4,9% – estavam em 4,4% em setembro e em 3,7% em junho.
Como <a href="https://braziljournal.com/bradesco-expande-lucro-com-inadimplencia-sob-controle-roe-vai-a-162" target="_blank" rel=""><strong><u>aconteceu no trimestre anterior</u></strong></a>, parte do aumento se deve à inadimplência nas linhas que contam com os fundos garantidores FGI e FGO: as garantias são liberadas entre 120 e 180 dias depois de o crédito ser considerado inadimplente e, até lá, os valores não pagos entram nos índices de pagamentos em atraso.&nbsp;
Mas também houve problemas na carteira rural, com impacto para pessoas físicas, segundo o banco.&nbsp;
Além disso, o Bradesco voltou a aumentar as provisões, em 7% no trimestre e 24% na comparação anual.&nbsp;
“Estamos dentro do mercado brasileiro, e existe uma pressão geral na inadimplência e no custo de crédito,” disse o CEO Marcelo Noronha nesta sexta-feira de manhã. “Mas nosso mix é diferente do de anos atrás. A carteira está mais protegida e controlada.” 
Se houvesse um “vento de popa” na economia, afirmou Noronha, a carteira poderia crescer 20% no ano, com um impacto de até R$ 500 milhões no lucro líquido. “Vento de popa ajuda até avião,” disse.
Os dados positivos do balanço foram o controle de gastos – as despesas operacionais caíram 0,7% no trimestre e 1% na comparação anual – e o aumento das receitas de prestação de serviços, que cresceram 4,2% no tri a tri e 3,1% no ano.&nbsp;
Com isso, o índice de eficiência operacional melhorou para 45%.&nbsp;
Após o aumento de capital, o índice de capital principal aumentou de 11,3% para 12,1%.
“A capitalização deve ajudar a melhorar o lucro do banco mais à frente, mas, por enquanto, o Bradesco é uma das companhias que mais dependem de um bom desfecho eleitoral,” disse um analista.
O balanço da seguradora também foi mais fraco. O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização – uma conta que engloba prêmios menos sinistros – somou R$ 5,6 bilhões no terceiro tri, com queda de 9% no trimestre e de 2% na comparação anual.
O lucro líquido foi de R$ 2,8 bilhões, 2% menor que o do primeiro tri, mas 14% maior que o resultado do mesmo período de 2025. O ROE da seguradora foi de 22% no terceiro tri, frente aos 22,8% do trimestre anterior.&nbsp;<br data-id="bl46cf5f9c67d54d789249"><br data-id="blad66cb792c2444c790a3">Segundo Ney Dias, o CEO da Bradseg, a sinistralidade aumentou no trimestre, em diferentes linhas, por questões sazonais. Além disso, o resultado financeiro foi pressionado por um IPCA menor – parte do passivo está investida em ativos atrelados à inflação.
“O melhor é olhar a tendência em nove meses. Estamos tranquilos,” disse ele. De janeiro a setembro, o resultado cresceu 9%, para R$ 18 bilhões, e o lucro aumentou 18%, para R$ 8,6 bilhões.   
<br>
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>EUA faz mega acordos com energia de Itaipu para AI e urânio – mas no Paraguai</title>
      <guid isPermaLink="false">/ce4vpzHIdM at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 09:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/eua-faz-mega-acordos-com-energia-de-itaipu-para-ai-e-uranio-mas-no-paraguai</link>
      <category><![CDATA[INFRA Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
      <category><![CDATA[Urânio]]></category>
      <category><![CDATA[EUA]]></category>
      <category><![CDATA[Infra Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Diplomacia]]></category>
      <category><![CDATA[Paraguai]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Luciano Costa]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O vice-Secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, esteve esta semana em Itaipu e anunciou acordos para um enorme projeto de infraestrutura de inteligência artificial e para a exploração de urânio. Tudo no Paraguai.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O vice-Secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, esteve esta semana em Itaipu e anunciou acordos para um enorme projeto de infraestrutura de inteligência artificial e para a exploração de urânio.
Tudo no Paraguai.
Landau fez um <em>tour </em>pela hidrelétrica – que inclusive está jogando água pelo vertedouro no momento, devido às chuvas do El Niño, em cenas que deslumbram os turistas – acompanhado do presidente paraguaio Santiago Peña, cujo governo tem buscado atrair investimentos da indústria de AI usando como trunfo a abundância de energia do país.
Segundo o Departamento de Estado, duas empresas de infraestrutura para AI, a americana Crusoe e a paraguaia Araico, fecharam uma parceria estratégica para um projeto usando a eletricidade de Itaipu.&nbsp;
“Esse é potencialmente um dos maiores investimentos privados na história do Paraguai”, disse o órgão do Governo americano num comunicado.
A previsão das empresas é que uma primeira etapa do projeto possa iniciar operação já em meados de 2027, oferecendo serviços de <em>cloud </em>para consumidores nos EUA e na América Latina.&nbsp;
Outra companhia americana, a Uranium Energy Corp, anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver suas concessões de exploração de urânio em solo paraguaio.
O Departamento de Estado disse que a visita ao país, acompanhada de uma delegação comercial, teve como objetivo abrir oportunidades para empresas dos EUA em tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.
A paraguaia Araico, envolvida no anúncio sobre o projeto de infra de AI, tem planos para um campus de data centers, o Iguazi AI City, com uma meta de atingir até 1,3 GW em capacidade total no longo prazo.
Para o CEO da Scala Data Centers, Marcos Peigo, o país vizinho tem potencial para atingir a marca de <a href="https://braziljournal.com/play/data-centers-podem-atrair-us-1-trilhao-se-brasil-nao-perder-a-segunda-onda-diz-scala" target="_blank" rel=""><strong><u>1 GW em data centers antes do Brasil</u></strong></a> se o País não aprovar logo incentivos tributários estaduais à indústria, após a recente aprovação do Redata no Congresso.
“O Paraguai fez a lição de casa de rodar o mundo com o presidente, está cumprindo suas promessas, e tem energia barata disponível, porque tem metade da geração de Itaipu e metade da geração de uma usina em sociedade com a Argentina (Yaciretá), e não tem consumo no país.”
Não deixa de ser interessante que os paraguaios possam sair na frente neste início da corrida pelos data centers usando justamente a energia de Itaipu, um empreendimento totalmente financiado por empréstimos garantidos pelo Tesouro Nacional do Brasil.
No projeto binacional, cada um dos lados tem direito a 50% da geração do empreendimento no Rio Paraná.
Mas, na prática, o Paraguai usou 36% da energia e recebeu 59% dos repasses financeiros da usina em 2025, devido à remuneração pela cessão de parte de sua fatia na produção, enquanto 89% dos custos ficam com os brasileiros, de acordo com dados do Instituto Acende Brasil.&nbsp;
Se analisados os pagamentos e recebimentos líquidos de cada lado desde o início das operações de Itaipu, o Brasil pagou US$ 89,8 bilhões, enquanto o Paraguai obteve receitas de US$ 5,9 bilhões, ainda segundo o Acende Brasil.
Pelas condições do Tratado de Itaipu, assinado em 1973, era natural que os brasileiros acabassem pagando mais, porque o acordo foi desenhado de forma a permitir que o país vizinho, com economia bem menor, tivesse como arcar com seus compromissos – mas essa desproporção aumentou além do esperado.
“O desenho do tratado em si é de uma brilhante engenharia diplomática, mas ele foi sendo alvejado por negociações péssimas ao Brasil e favorecendo o Paraguai, principalmente nos últimos vinte anos. Isso fez os números finais terem essa distorção. Tudo isso é pago pelo consumidor de energia aqui, na conta de luz,” disse o presidente do Acende Brasil, Claudio Sales.
Ele citou como exemplo desde um acordo entre os presidentes Lula e Fernando Lugo, ainda em 2009, que aumentou os pagamentos pela fatia não usada da energia dos paraguaios, até a recente disparada dos custos socioambientais da usina, repassados à sua tarifa, que acabam também bancados em maior proporção pelo Brasil devido a seu maior consumo.
Essas despesas socioambientais de Itaipu costumavam ficar na casa de US$ 100 milhões por ano até 2016. Começaram então uma escalada gradual para até US$ 505 milhões em 2022, disparando depois para US$ 1,2 bilhão em 2025.
Nos últimos anos, eles foram utilizados para diversos fins, nem sempre alinhados à sua rubrica, como obras para a COP-30 no Pará e para a Universidade Federal de Integração Latino-Americana, além de "apoios a órgãos governamentais.”
"Essas despesas viraram um verdadeiro orçamento paralelo – que, por Itaipu ser fruto de um tratado binacional, não se sujeita aos controles do Tribunal de Contas da União e do Congresso,” disse Sales.&nbsp;
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    </item>
    <item>
      <title>EDITORIAL. Um dia triste</title>
      <guid isPermaLink="false">/cew9ThkQvP at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 00:56:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/editorial-um-dia-triste</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Editorial]]></category>
      <category><![CDATA[Brazil Journal]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Brazil Journal]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[À luz dos acontecimentos recentes envolvendo o nome do Brazil Journal, Flávio Carneiro decidiu se afastar da sociedade e de suas funções executivas na empresa. Ao longo dos últimos cinco anos, Flávio contribuiu decisivamente para o crescimento comercial e estratégico do grupo.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[À luz dos acontecimentos recentes envolvendo o nome do Brazil Journal, Flávio Carneiro decidiu se afastar da sociedade e de suas funções executivas na empresa.
Ao longo dos últimos cinco anos, Flávio contribuiu decisivamente para o crescimento comercial e estratégico do grupo.
Infelizmente, em suas interações com Daniel Vorcaro, o nome do Brazil Journal foi usado indevidamente e de forma que coloca em risco a credibilidade do veículo.
O grupo reafirma sua independência e trabalhará para continuar oferecendo um jornalismo de qualidade.
É um dia triste para todos nós.
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    </item>
    <item>
      <title>A nova Nokia que pouca gente conhece</title>
      <guid isPermaLink="false">/ceX9Hdx2X0 at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 00:25:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/a-nova-nokia-que-pouca-gente-conhece</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <category><![CDATA[Data centers]]></category>
      <category><![CDATA[Nokia]]></category>
      <category><![CDATA[Global Stocks]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Chermont]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A Nokia divulgou hoje o resultado do terceiro trimestre e a ação caiu 15% em Nova York, fechando a US$ 7,88, menos da metade do pico de junho.&nbsp; O lucro operacional subiu 35%. As vendas de redes IP cresceram 43%, e as vendas para clientes de AI e nuvem mais que dobraram. A margem operacional da divisão de infraestrutura de rede – a mais relevante para o futuro da empresa e hoje responsável por 42% da receita – foi de 7,7% para 10%.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A Nokia divulgou hoje o resultado do terceiro trimestre e a ação caiu 15% em Nova York, fechando a US$ 7,88, menos da metade do pico de junho.&nbsp;
O lucro operacional subiu 35%. As vendas de redes IP cresceram 43%, e as vendas para clientes de AI e nuvem mais que dobraram. A margem operacional da divisão de infraestrutura de rede – a mais relevante para o futuro da empresa e hoje responsável por 42% da receita – foi de 7,7% para 10%.&nbsp;
Parte da queda foi o mercado.
Foi um dia ruim para todo mundo que vende infraestrutura de rede para AI: Ciena caiu 10,7%, Lumentum 11,5%, Coherent 12,5%.
Em Helsinque, que fechou antes de Nova York piorar, a Nokia caiu 9,7%.
A outra parte do problema foi a própria Nokia, e tem nome: caixa. O mercado tem razão em olhar. Mas acho que está tirando a conclusão errada.&nbsp;
Começamos a investir na Nokia procurando o próximo gargalo da corrida da AI. Quando a Micron começou a subir feito um foguete, percebemos que a memória já havia virado consenso, e aos poucos viramos vendedores. Com quase 30 anos de mercado, aprendi a desconfiar da própria euforia.&nbsp;
A pergunta passou a ser: depois do chip e da memória, onde trava? Minha resposta foi: mover dados.
Quando um data center vira uma cidade de centenas de milhares de chips, o problema deixa de ser a força de cada chip e passa a ser a conversa entre eles. O cobre não dá conta da distância nem do volume. A resposta é luz.
Para a maioria das pessoas, Nokia é o celular de 2005. Para o mercado, é uma telecom madura com cara de armadilha de valor.
Mas por baixo dessa casca cresce uma empresa de óptica e redes IP. A compra da Infinera deu escala à Nokia em óptica coerente, a tecnologia que liga um data center ao outro.
Nove dos dez maiores <em>hyperscalers</em> já usam óptica da Nokia. A NVIDIA, que raramente erra sobre onde vai estar o gargalo, comprou cerca de US$ 1 bilhão em ações da empresa há um ano.&nbsp;
E quem conduz a virada não é um veterano de telecom. Justin Hotard, que assumiu em 2025, vinha de rodar o negócio de data center e AI da Intel e, antes, supercomputação na HPE. Contrataram um operador de data center para uma empresa que quer virar infraestrutura de AI.&nbsp;
Tem ainda uma opção que o preço ignora por completo: a Nokia é dona do Bell Labs, o laboratório do transistor, do laser e da teoria da informação.
É ali que nascem os chips ópticos, as patentes e o 6G da empresa. Numa transformação dessas, ter o Bell Labs dentro de casa é uma opção que vem de graça.&nbsp;
A parte do crescimento veio melhor do que eu esperava. IP era a dúvida.&nbsp;
No primeiro trimestre, a área cresceu 3%. No segundo, 16%. Agora, 43%. Óptica cresceu 18%, com o volume de módulos de 800G 2,4 vezes maiores do que no trimestre anterior e já vendidos para 29 clientes.&nbsp;
Os pedidos de AI e nuvem somaram € 1,5 bilhão. É menos que os € 2,8 bilhões do segundo trimestre, que trouxe contratos grandes e longos, e a gestão já tinha avisado que os pedidos viriam em ondas. O número que importa é outro: em nove meses, a Nokia recebeu € 5,3 bilhões em pedidos de AI e nuvem e faturou € 1,4 bilhão. Os clientes estão comprando muito à frente do que a empresa consegue entregar.&nbsp;
Por isso a gestão projeta crescimento de 25% a 30% em óptica e IP em 2027. E manteve a expectativa de lucro operacional de 2026 acima do ponto médio da faixa de € 2,1 a € 2,6 bilhões.&nbsp;
O que assustou o mercado foi o fluxo de caixa operacional que veio pior. A Nokia reduziu a meta de conversão de lucro em caixa de 2026, de 55%-75% para 35%-55%. Vai colocar € 400 milhões a mais em capital de giro para garantir componentes. O caixa de reestruturação do ano, que em janeiro era estimado em € 450 milhões, agora vai a € 800-900 milhões. O caixa líquido, que era € 3,8 bilhões em março, está em € 2,6 bilhões. E a margem bruta da infraestrutura de rede caiu de 42,7% para 41,2%.&nbsp;
Minha leitura: esse dinheiro não sumiu, foi para o estoque. A própria Nokia diz que venderia mais se tivesse mais componente. Óptica hoje é um mercado limitado pela oferta, não pela demanda. Quando o pedido já está na mesa e falta peça, comprar a peça antes é o que se faz.&nbsp;
Prefiro mil vezes um problema de oferta a um problema de demanda. Mas o capital de giro de 2026 precisa voltar como receita e caixa em 2027. Se não voltar, é outra tese.&nbsp;
<strong>O ciclo de capex em AI não é de um ou dois anos</strong>
Em dias como hoje, o mercado parece precificar que o investimento em AI vai acabar em dois anos e levar junto as empresas que vivem dele. Os dados dizem outra coisa.
A Epoch AI, um instituto de pesquisa que acompanha esses números de perto, mostra que o investimento dos <em>hyperscalers</em> quadruplicou desde o lançamento do GPT-4 e segue na tendência: algo como US$ 770 bilhões neste ano e mais de US$ 1 trilhão em 2027. O estoque de capacidade de computação em chips de AI cresce 3,4 vezes por ano.&nbsp;
O dado que mais importa para a Nokia é o tamanho de cada máquina. O maior supercomputador de AI em operação, o Colossus 2, em Memphis, tem perto de 1 gigawatt de capacidade, segundo a base da Epoch. Nos últimos anos, a energia exigida pelo maior supercomputador dobrou a cada ano. Num estudo de 2025, a Epoch calculou que, se esse ritmo continuar, o maior de 2030 vai precisar de 9 gigawatts, quase dois terços da capacidade instalada de Itaipu.
Pode ser que a rede elétrica não entregue tanta energia num lugar só. A indústria já está contornando isso: a Microsoft liga por fibra dois data centers a mais de mil quilômetros de distância, em Wisconsin e na Geórgia, para que funcionem como um único supercomputador. Com tudo num prédio ou espalhado por vários, cresce a necessidade de mover dado por fibra. E a conexão entre data centers é justamente onde a Nokia é mais forte.
O risco real não é a demanda sumir. É o financiamento: pela mesma Epoch, o investimento dos cinco maiores já está passando a geração de caixa operacional deles. Vale acompanhar. Mas estamos falando de um ciclo de uma década, não de um pico de dois anos.&nbsp;
<strong>Preço de telecom, negócio de infra de AI</strong>
Hoje, óptica e IP são cerca de 30% da receita da Nokia. Se os pedidos que já estão na carteira virarem receita no ritmo que a gestão indica, chegam perto de 45% em 2028. E, como essa é a parte com margem bruta acima de 40% e despesa crescendo devagar, viram algo como 60% do lucro.&nbsp;
Ao preço de hoje, a Nokia negocia a 16 vezes o lucro de 2027, o mesmo múltiplo da Ericsson. Se óptica e IP entregarem o que os pedidos indicam, o lucro por ação de 2028 pode chegar perto de € 0,60. Isso põe a Nokia a pouco mais de 11 vezes o lucro de 2028. A Ciena negocia a 31 vezes o lucro do próximo ano. A Lumentum, a 21.&nbsp;
O mercado não precisa mudar de opinião sobre a Nokia – basta a composição do lucro mudar.
Quando a maior parte do lucro vier de óptica e IP crescendo 25% ao ano, a empresa deixa de ser precificada como uma telecom em declínio e passa a ser comparada com as empresas de óptica. O <em>re-rating</em> vem a reboque.&nbsp;
O desconto de hoje tem motivo. O caixa está fraco e os grandes contratos de óptica deste ciclo ainda não transitaram pelo resultado e vêm de clientes que a Nokia não nomeia. Mas acho que o desconto ficou grande demais para os motivos.&nbsp;
Minhas melhores posições sempre tiveram uma coisa em comum: ninguém estava olhando. Hoje, além de ninguém estar olhando, muita gente está saindo. O mercado vendeu a Nokia pelo caixa de 2026. A gente segue com ela pelo que ela vai faturar em 2027 e 2028.&nbsp;
<em>Pedro Chermont é sócio-fundador e CIO da Leblon Equities. Este artigo reflete uma opinião pessoal e não é recomendação de investimento. A Leblon e os fundos por ela geridos têm posição em Nokia e podem alterá-la a qualquer tempo.&nbsp;</em>
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    </item>
    <item>
      <title>Bradsaúde controla sinistralidade e bate consenso; ação sobe 4%</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 14:38:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/bradsaude-controla-sinistralidade-e-bate-consenso-acao-sobe-4</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Saúde]]></category>
      <category><![CDATA[Bradsaúde]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A Bradsaúde teve um terceiro trimestre acima do consenso em diversas linhas – fazendo a ação subir&nbsp; 4% no início do pregão.&nbsp; O lucro aumentou 14% na comparação anual e chegou a R$ 1,1 bilhão, 10% acima do consenso. A receita cresceu 9% no mesmo período para R$ 14,3 bilhões.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A Bradsaúde teve um terceiro trimestre acima do consenso em diversas linhas – fazendo a ação subir&nbsp; 4% no início do pregão.&nbsp;
O lucro aumentou 14% na comparação anual e chegou a R$ 1,1 bilhão, 10% acima do consenso. A receita cresceu 9% no mesmo período para R$ 14,3 bilhões.
O ROE caiu para 22,2% frente aos 24,1% do segundo tri, mas o <em>management</em> diz que é preciso olhar a evolução em ciclos mais longos: em 12 meses, o ROE subiu para 25,4%, quase um ponto acima dos 24,5% nos 12 meses até setembro de 2025. Em 2023, estava em 11%.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asZz2Prgu7GZHOE5T.png" alt="" /></p>
“A companhia mudou de patamar em rentabilidade,” disse José Pacheco, o diretor de RI.
Na visão do mercado, o destaque do tri foi a qualidade operacional do resultado.&nbsp;
A sinistralidade, que <a href="https://braziljournal.com/bradsaude-mergulha-8-com-sinistralidade-numeros-para-bulls-and-bears" target="_blank" rel=""><strong><u>havia assustado no segundo tri</u></strong></a>, cresceu apenas 0,5 ponto percentual em um ano, atingindo 84,5%, 100 pontos-base melhor que o consenso.
Com isso, o resultado operacional – excluindo a parte financeira – cresceu 31% no tri a tri e 5% no ano, para R$ 764 milhões.
“O foco da empresa tem sido um crescimento saudável, com sinistralidade controlada, o que se reflete na rentabilidade,” Olavo Arthuzo, o analista de saúde do UBS BB, disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>.&nbsp;
“Mas o tíquete médio está menor, e por isso não esperamos um crescimento robusto do <em>top line</em>.”
Os prêmios somaram R$ 14,1 bilhões no trimestre, um crescimento anual de 9% mas abaixo do esperado pelos analistas.&nbsp;
Ao mesmo tempo, a empresa tem ganhado mercado: o <em>market share</em> em planos de saúde aumentou de 7,3% entre julho e setembro de 2025 para 7,9% no trimestre.
“É difícil equilibrar todos os pratos e crescer em vidas e prêmios com sinistralidade controlada,” disse o CEO Carlos Marinelli. “Mas acho que a equação a que chegamos – com expansão de receitas e vidas e sinistralidade controlada – é um bom resultado para nossos acionistas e clientes.”
Marinelli lembrou que a empresa tem crescido no segmento de PMEs, que está pressionado financeiramente pela situação econômica do País e precisa controlar custos.&nbsp;
Outro destaque foi a melhora nos números da Atlântica Hospitais, que lucrou R$ 139 milhões nos 12 meses até setembro – bem acima dos R$ 26 milhões de 2025 e revertendo os prejuízos registrados em 2023 e 2024.&nbsp;
A Atlântica está contribuindo com 4% do resultado da Bradsaúde este ano – acima do 1% registrado em 2025. A Bradesco Saúde contribuiu com 83% este ano, a Odontoprev, 11%, e os demais negócios, como Orizon e Fleury, 2%.&nbsp;
O resultado financeiro da Bradsaúde somou R$ 685 milhões no terceiro trimestre, bem abaixo dos R$ 930 milhões do tri anterior.&nbsp;
O motivo foi o IPCA de 0,1% no período, o que fez com que essa carteira, que é 60% ligada a papéis atrelados ao IPCA, tenha rendido apenas o cupom nesse intervalo, segundo o UBS.&nbsp;
Para o BTG, se os juros de fato caírem, o lucro pode ser pressionado “dada a expressiva posição de caixa líquido da companhia e sua exposição às receitas financeiras”.&nbsp;
“Mas o desempenho operacional acima das expectativas ajuda a compensar eventuais revisões para baixo nas projeções de lucro”, escreveram os analistas do banco, que tem <em>buy</em> para as ações.&nbsp;
Junto com o balanço, a Bradsaúde anunciou um dividendo adicional de R$ 1 bilhão, elevando as distribuições anunciadas no ano para cerca de R$ 1,5 bilhão.&nbsp;
O total, porém, está abaixo do <em>payout </em>de 50% previsto pela empresa. Para Arthuzo, do UBS, esse <em>payout </em>deve aumentar para 60% em 2027 e chegar a 80% em 2029 à medida que a companhia equilibra sua estrutura de capital.&nbsp;
Segundo o analista, o patrimônio líquido médio está abaixo do esperado em razão dos ajustes feitos para criar a Bradsaúde. “A tese da empresa é essa otimização de capital,” disse ele, que também tem <em>buy</em> para a ação.
O papel negocia a menos de 9 vezes o lucro projetado para 2027, e a companhia vale cerca de R$ 45 bilhões na Bolsa.
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    </item>
    <item>
      <title>Agentes de AI, a nova (e enorme) dor de cabeça da segurança bancária</title>
      <guid isPermaLink="false">/ce2sHOY1Fr at https://braziljournal.com</guid>
      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 23:42:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/agentes-de-ai-a-nova-e-enorme-dor-de-cabeca-da-seguranca-bancaria</link>
      <category><![CDATA[AI Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Cybersecurity]]></category>
      <category><![CDATA[Tecnologia & Internet]]></category>
      <category><![CDATA[Serviços financeiros]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliano Guandalini]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Era pedra cantada. Grandes bancos americanos identificaram a ação de agentes de AI não autorizados em seus sistemas – e aparentemente operando sem as instruções diretas dos clientes.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Era pedra cantada.
Grandes bancos americanos identificaram a ação de agentes de AI não autorizados em seus sistemas – e aparentemente operando sem as instruções diretas dos clientes.
Segundo o <em>Axios</em>, os maiores bancos dos EUA, entre eles o Bank of America, o JPMorgan e o Wells Fargo, estão acelerando medidas e procedimentos para conter as ameaças dos agentes de AI.
Os casos relatados teriam envolvido o acesso a contas utilizando a permissão e as credenciais de <em>login</em> do próprio usuário.
Não está claro se a invasão foi feita por hackers ou por agentes de AI que tiveram acesso às credenciais dos clientes.
A dificuldade em distinguir entre um ser humano e um bot não autorizado está levando os bancos a bloquear a tecnologia e atualizar os termos de seus serviços.
Os bancos têm o conhecimento de que alguns de seus clientes concederam as credenciais para os agentes, mas isso vai contra a exigência de que o login seja feito por humanos – justamente porque, neste momento, é virtualmente impossível saber se é uma ação legítima ou não.
Executivos de bancos descreveram a situação como “assustadora,” segundo o relato do <em>Axios.</em>
Por isso, diversos bancos decidiram restringir o acesso de AI de terceiros.
De acordo com o <em>Axios</em>, a maioria dos bancos aceita o acesso de agentes apenas para a visualização de informações financeiras dos clientes, mas sem a possibilidade de realizar operações.
Esse tipo de acesso é concedido, por exemplo, para aplicativos como o Quicken, usado para o acompanhamento de despesas.
Os bancos sabem que os clientes vão querer utilizar agentes para realizar transações bancárias, mas, de acordo com os executivos, será necessário encontrar um meio-termo até que esse tipo de aplicação possa ser feita de maneira segura.
Em uma entrevista à <em>Bloomberg </em>na semana passada, o CEO da Charles Schwab, Rick Wurster, afirmou que a corretora bloqueou a atividade de agentes de terceiros, incluindo o Muse da Meta, que tentavam fazer movimentações nas contas dos clientes.
&nbsp;“Não queremos que alguém passe a senha para o Muse e deixe o agente fazer ações,” disse Wurster. “Não conseguimos controlar isso, o cliente não consegue controlar também, algo pode dar errado, e a culpa será de quem? Para proteção dos clientes, não estamos autorizando isso.”
As instituições financeiras, obviamente, querem que os clientes utilizem as suas ferramentas proprietárias de AI, em vez de agentes da Meta, da OpenAI ou da Anthropic.
Brian Moynihan, o CEO do Bank of America, disse à <em>CNBC </em>que o banco vai restringir o acesso dos agentes enquanto desenvolve os protocolos para o uso dessa ferramenta.
“Acreditamos que deve haver um ser humano envolvido no processo para autorizar a saída de dinheiro de uma conta,” disse Moynihan. “Estamos conversando com os fornecedores desses agentes, alertando sobre o risco de o dinheiro sair das contas sem que os clientes saibam o motivo da transação nem o seu destino.”
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    </item>
    <item>
      <title>Piso do frete sai pela culatra: caminhoneiro autônomo perde mercado</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 15:50:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/piso-do-frete-sai-pela-culatra-caminhoneiro-autonomo-perde-mercado</link>
      <category><![CDATA[INFRA Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
      <category><![CDATA[Regulação]]></category>
      <category><![CDATA[Infra Journal]]></category>
      <category><![CDATA[Logística & Infraestrutura]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Luciano Costa]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A lei que reforçou o controle de preços do frete rodoviário, uma das primeiras medidas do inesgotável pacote de “bondades” pré-eleitorais do Governo Lula, está rendendo resultados opostos aos esperados por Brasília. Lançada em março por meio de uma medida provisória aprovada no Congresso em julho, a nova política de piso mínimo para o transporte de cargas prometia aumentar a renda dos caminhoneiros autônomos (e render votos entre um público visto como mais alinhado ao ex-presidente Bolsonaro).]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A lei que reforçou o controle de preços do frete rodoviário, uma das primeiras medidas do inesgotável pacote de “bondades” pré-eleitorais do Governo Lula, está rendendo resultados opostos aos esperados por Brasília.
Lançada em março por meio de uma medida provisória aprovada no Congresso em julho, a nova política de piso mínimo para o transporte de cargas prometia aumentar a renda dos caminhoneiros autônomos (e render votos entre um público visto como mais alinhado ao ex-presidente Bolsonaro).
Meses depois, os números mostram outra história.
A plataforma Frete.com, que registra movimentos de cerca de 900 mil caminhões e carregamentos de 25 mil empresas por ano em seu sistema, fez uma pesquisa com mais de 700 autônomos: apenas 8% disseram aprovar a tabela de frete mínimo como está hoje.&nbsp;
Na prática, a nova lei reduziu a quantidade de trabalho para 62% dos motoristas ouvidos, e 64% deles citaram piora no faturamento.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asRcTcFdAjUMmvK6M.jpg" alt="" /></p>
“Começamos a escutar os caminhoneiros reclamando que não tem cargas no mercado, que está ruim, aí fomos ver o que estava acontecendo. Olhamos na plataforma, fizemos um estudo dentro das milhões de transações que acontecem ali, e depois fizemos uma pesquisa com eles,” Federico Vega, o CEO e fundador da companhia, disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>.&nbsp;
O levantamento de dados de viagens, porém, apontou que não houve uma queda nos volumes que passam pelas estradas, e sim uma migração para veículos maiores, em geral<strong> operados por transportadoras</strong>.
Como a tabela calcula o piso de frete por eixo e por distância, e não por tonelada transportada, os caminhões maiores se tornaram mais competitivos e tomaram mercado dos menores, tipicamente conduzidos por autônomos.
Numa rota de 1.000 km, por exemplo, um rodotrem com nove eixos, que consegue levar muito mais carga, acaba na prática com um frete-piso de R$ 145 por tonelada, enquanto o valor para uma carreta – usada pelos autônomos – fica em R$ 245 por tonelada.
Além disso, a contratação de transporte com empresas conta com vantagens tributárias na comparação com o caminhoneiro pessoa física. Com o mesmo preço de tabela, os CNPJs acabam sendo mais competitivos.&nbsp;
Em quatro grandes transportadoras do agronegócio, a fatia de fretes contratados com motoristas pessoa física caiu de 24% do mercado em 2025 para 14% em 2026.
Ao sancionar a lei, o Presidente Lula disse que era “um dia importante para os caminhoneiros”, e o PT classificou a medida como “vitória” para a categoria em uma publicação em seu site.
As novas regras, porém, reduziram a participação de carretas, veículos típicos dos autônomos, de 68% para 44% das viagens no agronegócio, segundo os dados da Frete.com.&nbsp;
Na pesquisa, 65% dos caminhoneiros disseram perceber que fretes que antes eram contratados com eles estão indo para transportadoras e empresas.
Os impactos começaram ainda antes da MP, no ano passado, quando o Governo iniciou uma fiscalização eletrônica da tabela de fretes mínimos – criada ainda na gestão Michel Temer, após a histórica greve dos caminhoneiros.
Após anos de <a href="https://braziljournal.com/mp-do-frete-ou-do-caos-proposta-gera-multas-liminares-e-ameaca-de-greve" target="_blank" rel=""><strong><u>baixo cumprimento da tabela </u></strong></a>– com <em>jeitinhos </em>por parte dos contratantes e vista grossa das autoridades – a fiscalização mais forte aumentou significativamente as multas aplicadas, e a MP reforçou ainda mais as regras, colocando multas de até R$ 1 milhão por descumprimento, que depois viraram lei.
No mês passado, 43% das cargas foram transportadas em veículos grandes, na comparação com 14% em março, quando saiu a MP, e 10% em setembro passado, antes do início da fiscalização eletrônica, segundo as análises da Frete.com.&nbsp;
“Os caminhoneiros também disseram na pesquisa que o piso virou um teto. As transportadoras não estão usando o valor como um mínimo, mas como um preço tabelado. O dono da carga fala ‘vou te pagar o preço da tabela’, não tem mais negociação, e antes tinha,” disse o CEO da plataforma.&nbsp;
“Um de cada cinco caminhoneiros, 20% dos motoristas, já falam em sair do mercado. Em virar Uber, vender o caminhão. Então no longo prazo provavelmente teremos um impacto na quantidade de autônomos.”
Com os caminhoneiros no centro de seu modelo de negócios, a Frete.com vinha monitorando desde o início os impactos da nova legislação.
Vega criou a empresa em 2013, após notar, em viagens de bicicleta pelas estradas, que os postos de gasolina funcionavam como um “<em>marketplace offline</em>” para caminhoneiros, com anúncios em papel – um modelo ineficiente que deixava os motoristas muito tempo parados procurando carga.&nbsp;
Hoje são transacionados no app da Frete.com cerca de R$ 55 bilhões em fretes por ano, e a companhia, com 600 funcionários, também atua com intermediação de pagamentos e crédito para os caminhoneiros e empresas contratantes.
Apesar das mudanças com a nova política de fretes, o CEO disse que a empresa mantém seu otimismo com o País e com o mercado de transportes no médio e longo prazo.
Com operações também no México, a<strong> </strong>Frete.com<strong> </strong>está trabalhando para listar suas ações na Bolsa. “O plano é um IPO em 2028 nos Estados Unidos,” disse Vega, um argentino que antes de criar a companhia trabalhou como <em>investment banker</em> no JP Morgan.
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    </item>
    <item>
      <title>Vinci fica com a Austral Re, passando de vendedora a compradora</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 12:38:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/vinci-fica-com-a-austral-re-passando-de-vendedora-a-compradora</link>
      <category><![CDATA[Negócios]]></category>
      <category><![CDATA[Gestores]]></category>
      <category><![CDATA[Private Equity]]></category>
      <category><![CDATA[Seguradoras & Insurtech]]></category>
      <category><![CDATA[Vinci Partners]]></category>
      <category><![CDATA[Radar M&A]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Fabiane Stefano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A Vinci Compass está pagando R$ 336 milhões pela Austral Re, uma resseguradora que pertence a um dos fundos da própria gestora, aos fundadores da Vinci e outros investidores minoritários, como o IFC e o Banco Genial. A Austral Re é o braço de resseguros da Austral Participações, uma seguradora criada em 2010 pela Vinci no momento de abertura do mercado de resseguros no País.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A Vinci Compass está pagando R$ 336 milhões pela Austral Re, uma resseguradora que pertence a um dos fundos da própria gestora, aos fundadores da Vinci e outros investidores minoritários, como o IFC e o Banco Genial.
A Austral Re é o braço de resseguros da Austral Participações, uma seguradora criada em 2010 pela Vinci no momento de abertura do mercado de resseguros no País.&nbsp;
A Austral Re teve R$ 2,9 bilhões em prêmios emitidos no ano passado, reportou um lucro de R$ 93 milhões nos últimos 12 meses e tem uma alavancagem sobre o patrimônio líquido de 3,5 vezes.&nbsp;
Quatro anos atrás, os sócios decidiram vender toda a operação, tanto da seguradora como da resseguradora. Mais de 300 potenciais compradores avaliaram o negócio. Uns queriam só a seguradora, outros, só a resseguradora.
No ano passado, a Liberty Mutual, a seguradora com sede em Boston, sinalizou interesse em entrar no mercado de seguros-garantia no Brasil como parte de sua estratégia para a América Latina.
A proposta da Liberty convenceu os controladores da Austral a optar pelo desmembramento das duas operações.
“Nesse nível de oferta, a gente concluiu que era melhor parar de insistir na venda conjunta e desmembrar as duas operações, pois o valor combinado seria muito maior do que as ofertas que a gente havia recebido até então,” disse Bruno Zaremba, o CFO e COO da Vinci.
Paralelamente, começou a busca de um comprador para o negócio de resseguros. Apareceram quatro candidatos e, numa mudança de estratégia, a Vinci também colocou uma proposta na mesa, inspirada em operações semelhantes no mercado americano.
A operação com a Austral Re segue o exemplo de aquisições de seguradoras por gestoras americanas de private equity, como a Apollo Global e a KKR.&nbsp;
“A operação de seguros gera um fluxo de capital muito grande, o que permite alavancar o crescimento da gestora,” disse Zaremba.&nbsp;
Foi a partir dessa tese que, de vendedora, a Vinci voltou à negociação como compradora. “Em termos de preço e de condições como desembolso, pagamento, retenção de preço, a proposta da Vinci era a melhor,” disse Zaremba.
Agora era preciso montar a estrutura em que a Austral Re “sai de um bolso da gestora e entra em outro”, num movimento que poderia gerar conflitos de interesse.&nbsp;
A Kroll foi contratada para emitir um <em>fairness opinion</em>, um relatório que avaliou se os termos econômicos da transação eram os mais vantajosos para todos os investidores.&nbsp;
Com o parecer positivo, os principais cotistas do fundo foram consultados e concluíram que após um exaustivo processo de venda a melhor opção era mesmo vender a seguradora para a Liberty e a resseguradora para a própria Vinci.&nbsp;
No início deste mês, a Liberty finalmente fechou a aquisição da operação de seguros da Austral, proporcionando uma saída completa aos investidores anteriores. Segundo a Vinci, o valor combinado das duas operações é cerca de 15% acima da marcação do ativo nos fundos.
“Se olhar pelas sinergias, a Vinci passa a ter acesso a um capital perpétuo, enquanto a Austral Re também terá acesso a mais capital pela gestora,” disse Zaremba.
No IPO, em 2021, a Vinci havia se comprometido a usar parte do R$ 1,4 bilhão captado nos fundos da casa. Agora, cerca de R$ 900 milhões desses recursos irão contribuir com a operação da resseguradora e servirão como base do capital da divisão da Austral Re.&nbsp;
A estrutura de pagamento será feita via troca de ações da Vinci, que é listada na Nasdaq, ou um pagamento no <em>closing</em>. Os três fundadores da Vinci – Gilberto Sayão, Alessandro Horta e Paulo Fernando Oliveira – e Zaremba vão converter o pagamento em ações da Vinci. Esse bloco representa cerca de 1,7 milhão de ações, o equivalente a 22% da operação.&nbsp;
As mesmas condições serão oferecidas aos demais investidores e cotistas do fundo. “Temos que esperar a decisão individual de cada investidor para saber quantas ações vamos precisar emitir.”
Para alinhar o interesse dos controladores com o dos minoritários, a companhia decidiu fazer uma distribuição de dividendos que deve alcançar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, disse Zaremba.
A Seneca Evercore assessorou os vendedores.&nbsp;&nbsp;
O Itaú BBA assessorou a Vinci Compass.
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    </item>
    <item>
      <title>‘Mal-estar’ favorece a direita, diz chefe da Ipsos. “O sistema não está funcionando”</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 12:01:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/mal-estar-favorece-a-direita-diz-chefe-da-ipsos-o-sistema-nao-esta-funcionando</link>
      <category><![CDATA[Poder]]></category>
      <category><![CDATA[Brasil]]></category>
      <category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliano Guandalini]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[A corrupção e a segurança pública são os temas decisivos da eleição deste domingo – e são assuntos em que Flávio Bolsonaro leva vantagem sobre Lula. A análise é do cientista social Clifford Young, um veterano das pesquisas eleitorais e <em>chair</em> da Ipsos Public Affairs, nos EUA.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[A corrupção e a segurança pública são os temas decisivos da eleição deste domingo – e são assuntos em que Flávio Bolsonaro leva vantagem sobre Lula.
A análise é do cientista social Clifford Young, um veterano das pesquisas eleitorais e <em>chair</em> da Ipsos Public Affairs, nos EUA.
“É um momento em que as maiores preocupações dos eleitores, que são crime e corrupção, favorecem os candidatos de direita,” Young disse ao<a href="https://www.instagram.com/braziljournal?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;dlrf=ZDNlZDc0MzIxNw==" target="_blank" rel=""> <strong><u>Brazil Journal</u></strong></a>.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asGzNjdNqlBxMqSDo.jpg" alt="" /></p>
A base de dados da Ipsos com centenas de eleições ao redor do mundo mostra que os candidatos com melhor avaliação no tema predominante nas preocupações dos eleitores saem vitoriosos em 85% dos casos.
Young viveu em São Paulo e é casado com uma brasileira. Atualmente é professor visitante da Texas A&amp;M University, mas viaja com frequência ao Brasil.
De acordo com ele, as pesquisas têm demonstrado um profundo mal-estar social dos eleitores e uma percepção de que o sistema não está funcionando – fatores que reforçam a tendência do voto anti-incumbente.
Para o pesquisador, a onda de direita na América Latina – que poderá ser completada com a vitória de Flávio no domingo – não representa uma virada ideológica na região.
“É um movimento muito mais anti-incumbente, tendo crime e corrupção como temas principais,” afirmou. “O Brasil e a América Latina não estão se tornando mais conservadores.”
Na entrevista a seguir, Young comenta ainda por que as pesquisas eleitorais continuam subestimando os votos na direita.
<strong><em>Em suas análises recentes, você afirma que as atuais preocupações do eleitor tendem a favorecer a oposição. Por que o Governo, com a máquina pública nas mãos, não é o favorito?</em></strong>
O Brasil, como boa parte do mundo, vive um momento de alto grau de desconfiança na política. Em nossas pesquisas, as pessoas afirmam que o sistema está quebrado, não está funcionando e não cumpre o que promete.
Essa é uma percepção que permeia toda a sociedade brasileira. Mas é algo que vemos também em outros países, a percepção de que o contrato social não está sendo cumprido.
Em inglês, dizemos que há uma <em>malaise</em>. Em português, eu chamaria de pessimismo estrutural.
É um momento em que as maiores preocupações, que são crime e corrupção, favorecem os candidatos de direita.
<strong><em>Por quê?</em></strong>
Não vou dizer que a direita vai necessariamente ganhar, mas a tendência é de a direita ser favorecida.
Temos uma base de dados na Ipsos, com eleições de todo o mundo, que diz o seguinte: o candidato mais forte com relação ao principal tema ganha em 85% das vezes.
No Brasil, esse tema é corrupção. No momento, é algo que favorece a direita.
O Flávio, portanto, fica favorecido por causa disso. Tem os vetores a favor dele. O Lula é associado como o candidato da situação.
Será uma eleição bastante apertada. Mas, nas atuais circunstâncias, eu preferiria ser o estrategista do Flávio.
O Lula, claro, controla o Governo, tem o poder do incumbente. Está conseguindo mobilizar as pessoas e parece que tem conseguido reduzir a diferença entre alguns grupos de eleitores.
<strong><em>Mesmo com notícias sobre suspeitas de corrupção envolvendo Flávio, esse é um tema que, na sua avaliação, favorece o candidato de oposição?</em></strong>
Sim. Neste momento, se olharmos as pesquisas, Flávio tem uma vantagem no que diz respeito ao enfrentamento da corrupção.
Na cabeça das pessoas, todo mundo está envolvido em corrupção de alguma maneira, então parece melhor trocar de Governo. É esse o raciocínio dos eleitores.
<strong><em>Lula anunciou diversas medidas para conquistar indecisos e virar votos, como o aumento do Bolsa Família e o perdão de dívidas. Isso funciona na reta final, ou pode ser percebido como algo oportunista e eleitoreiro?</em></strong>
Provavelmente, não vai ter grande efeito, mas pode ajudar a ganhar votos em determinados segmentos. Não estou na campanha, mas imagino que tenham sido medidas focadas em certos grupos, aqueles que estão em cima do muro ou que talvez não tenham votado no primeiro turno.
Vai ser uma corrida vencida por centímetros. Estamos falando um ou dois pontos. O que Lula fez nas últimas semanas teve algum efeito.
<strong><em>O desemprego no Brasil está baixo, a inflação está relativamente controlada. Não estamos em recessão. Qual a razão da percepção negativa das pessoas em relação à situação econômica?</em></strong>
O Brasil não está ruim, mas não está ótimo. As pessoas estão enfrentando dificuldades para pagar as contas, precisam fazer manobras. O brasileiro vem sentindo isso há algum tempo.
Houve um grande avanço da classe média, 20 anos atrás, mas desde então tem sido difícil para a maioria das pessoas. Há pessimismo com relação ao futuro, porque as pessoas não estão conseguindo progredir.
<strong><em>A aprovação do Governo Lula está ao redor de 45%, enquanto a desaprovação passa de 50%. É um número, ainda assim, considerado suficiente para a reeleição de incumbentes, segundo os dados históricos da Ipsos. Por que esse nível de avaliação talvez não baste para Lula ganhar desta vez?</em></strong>
Quando fazemos a previsão de eleição, usamos vários modelos. Esse é um deles. É uma ótima maneira de começar a pensar como será a eleição.
A aprovação de Lula está um pouco abaixo dos 45%, pelas nossas pesquisas. Nessa altura, ele não é o franco favorito.&nbsp;
Temos um outro modelo, como já falei, segundo o qual o candidato mais forte no tema de maior preocupação dos eleitores ganha, na média, em 85% das vezes.
<strong><em>Os contratos dos mercados preditivos estão dando uma chance de 80% para Flávio. Vocês incorporam esses dados na avaliação?</em></strong>
Usamos sim esses dados em nossos modelos, mas eles costumam funcionar bem apenas quando são mercados com um volume de apostas. Na eleição de 2024 nos EUA, eles conseguiram cravar com bastante precisão os resultados.
<strong><em>Boa parte das pesquisas mostrava Lula na frente antes do primeiro turno. Por quê? Existe uma dificuldade de capturar o voto da direita?</em></strong>
No primeiro turno é sempre mais complicado fazer pesquisa, há mais erros, porque existem muitos candidatos e há eleitores que trocam de voto constantemente.
Acho que as pesquisas tiveram agora um bom desempenho, na comparação com eleições anteriores, mas ainda assim erraram quem ficaria na frente.
Parte da explicação para isso foi uma questão de tendência. Havia um movimento de convergência bem óbvio, se olharmos os gráficos. Flávio foi se tornando mais conhecido, e foi beneficiado pela transferência de votos que iriam para outros candidatos de oposição.
Mas a outra parte da explicação é que nós, da indústria de pesquisas, temos um problema com a direita, e não apenas no Brasil. As pesquisas costumam subestimar os votos de direita – algo em torno de 1,5% e 2%.
<strong><em>Por que isso acontece?</em></strong>
No Brasil, vimos nos grupos de pesquisas pessoas falando que não gostavam do Flávio, mas não votariam no PT de jeito nenhum. Não chega a ser um voto envergonhado, mas é um voto que muitas vezes não é declarado nas pesquisas.
Além disso, há pessoas que realmente não acreditam no sistema, não querem participar de pesquisas. Mas votam na direita. É algo que vemos em diversos países. Trata-se de um segmento relativamente pequeno, mas difícil de captar.
<strong><em>A América do Sul vive uma onda de direita ou uma onda anti-incumbente?</em></strong>
É um movimento muito mais anti-incumbente, tendo crime e corrupção como temas principais. E isso tende a favorecer a direita.&nbsp;
Mas não é movimento ideológico, o Brasil e a América Latina não estão se tornando mais conservadores. No longo prazo, as tendências de valores mudam muito lentamente.
A eleição é um pêndulo que vai e vem. Nesse momento, está indo contra quem está no poder – está indo contra a esquerda, porque as pessoas querem soluções para a corrupção e crime.
A esquerda conseguiu, ao longo das últimas duas décadas, melhorar de fato a vida de muitas pessoas, com as políticas sociais. OK, resolveu a questão do arroz com feijão.
Mas as pessoas querem andar na rua sem se preocupar, não querem um governante corrupto, não querem ficar quatro horas no transporte público, querem saúde e segurança.
<strong><em>Governos de direita eleitos recentemente na América do Sul já estão enfrentando queda de popularidade, com a frustração da expectativa dos eleitores. É o caso do Chile, com José Antonio Kast, e também da Argentina, com Javier Milei. O que um novo governante precisa fazer para não ver a sua popularidade derreter rapidamente?</em></strong>
O tempo de lua de mel dos eleitores com os novos governantes diminuiu em todo o mundo. Em sistemas presidencialistas, cai muito rapidamente.
O que vemos são eleitores que perderam a paciência, acham que o Governo não está cumprindo o papel dele.
Portanto, um novo governante precisa entender que terá menos de um ano para conseguir impor a sua agenda. Dentro desse período, não pode querer fazer muitas coisas.
Trump, por exemplo, tentou fazer dez coisas ao mesmo tempo – e coisas conflitantes. Ele deveria ter focado em menos questões, como imigração, e pronto.
Uma coisa importante é fazer o que prometeu. Se você falou que ia reduzir o custo de vida você não pode atacar o Irã. Cria dissonância.
Nem estou fazendo o julgamento dos valores sobre as decisões, mas parece uma decisão dissonante para a população.
É um momento muito difícil para os governantes – muito mais difícil do que em outros tempos. Mas essa é a nossa vida agora.
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    <item>
      <title>Os fundos que ganharam com o rali de outubro – e já reduziram a exposição</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 00:52:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/os-fundos-que-ganharam-com-o-rali-de-outubro-e-ja-reduziram-a-exposicao</link>
      <category><![CDATA[Gestores]]></category>
      <category><![CDATA[Investimentos]]></category>
      <category><![CDATA[Bolsa de Valores]]></category>
      <category><![CDATA[Wealth Journal]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Giuliana Napolitano]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[O fechamento da curva de juros e a alta da Bolsa – especialmente de ações sensíveis a uma redução das taxas – depois do primeiro turno deram um belo empurrão no desempenho dos fundos de ações e multimercado em outubro. Mas alguns dos gestores que mais ganharam dinheiro no mês – BTG Pactual, Legacy, IP e Absolute – não esperam um rali da mesma magnitude na próxima semana.&nbsp;]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[O fechamento da curva de juros e a alta da Bolsa – especialmente de ações sensíveis a uma redução das taxas – depois do primeiro turno deram um belo empurrão no desempenho dos fundos de ações e multimercado em outubro.
Mas alguns dos gestores que mais ganharam dinheiro no mês – BTG Pactual, Legacy, IP e Absolute – não esperam um rali da mesma magnitude na próxima semana.&nbsp;
Com exceção da IP, os demais estão realizando lucros e reduzindo a exposição a risco para voltar a investir a partir de segunda-feira, levando em conta o cenário eleitoral e o apetite dos pares.
“A forte assimetria entre risco e retorno que existia antes do primeiro diminui bastante,” Bruno Henriques, um gestor da BTG Pactual Asset Management, disse ao <a href="https://www.instagram.com/braziljournal/" target="_blank" rel=""><strong>Brazil Journal</strong></a>.&nbsp;
O banco tem um fundo multimercado e dois de ações na lista das cinco maiores performances de cada classe em outubro, segundo um levantamento da Outliers Advisory.&nbsp;
Essa pesquisa mostrou que, na média, os fundos multimercado renderam 2,7% em outubro até o dia 15, o que elevou o retorno no ano para 10,3% – ainda abaixo do CDI do ano, que estava em 11% até 15 de outubro.
Mas depois do resultado deste mês, 46% dos fundos da amostra já rendem mais que o CDI no ano – de janeiro a setembro, este percentual estava em 30%.&nbsp;
Os fundos de ações <em>long only</em> renderam em média 14% em outubro – acima do Ibovespa, que subiu 10%.&nbsp;
No ano, o rendimento médio dos <em>long only</em> está em 21%, abaixo do Ibovespa, que acumula uma alta de 27%. Apenas 20% desses produtos superam o índice em 2026 – mas, de janeiro a setembro, o percentual estava em 11%.
As carteiras de ações <em>long-biased</em> também tiveram uma rentabilidade média de 14% em outubro, enquanto o retorno acumulado no ano está em 19%.&nbsp;
Como nos <em>long only</em>, somente 20% dos <em>long-biased</em> superam o Ibovespa em 2026, ante a marca de 11% no período de janeiro a setembro.
<p><img src="https://codex-braziljournal.codexcdn.net/assets/asqALye4rTw2jPB6R.jpg" alt="" /></p>
“O mercado está operando capítulo a capítulo. Se houver maior previsibilidade na economia e uma estabilização nas expectativas, será possível alongar o horizonte de investimentos a aumentar a alocação em ativos de risco,” disse Felipe Guerra, o fundador da Legacy.&nbsp;
O multimercado Legacy Cap Edge teve o segundo melhor retorno do mês nessa classe de fundos, de 8,8%, segundo o levantamento da Outliers que, nesse caso, considera apenas os fundos master com patrimônio superior a R$ 500 milhões.&nbsp;
Com isso, o fundo da Legacy acumula uma rentabilidade de 12% no ano e quase 16% em 12 meses.
Em outubro, ficou atrás apenas do Ibiuna Long Short, com rendimento de 9% neste mês, 11,7% no ano e apenas 10% em 12 meses. Em terceiro lugar, aparece o IP Value Hedge, com 6% em outubro, 8,7% no ano e 13,7% em 12 meses.&nbsp;
A Legacy havia aumentado a exposição a juros, Bolsa – via índices e ações de empresas mais sensíveis a juros – e câmbio pouco antes do primeiro turno apoiada em <a href="https://braziljournal.com/lula-esta-virando-para-a-legacy-nao-e-bem-assim" target="_blank" rel=""><strong><u>pesquisas internas</u></strong></a> que mostravam uma chance de Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula.
Quando isso se concretizou, o mercado passou a precificar uma maior probabilidade de mudança na política econômica, levando ao <a href="https://braziljournal.com/mercado-mata-a-saudade-de-um-brasil-possivel" target="_blank" rel=""><strong><u>rali do início do mês</u></strong></a>.&nbsp;
No caso do BTG, os principais ganhos vieram da Bolsa, especialmente de estruturas de opções montadas em ações de setores que se beneficiam de um cenário de queda dos juros, como os de consumo, construção civil e financeiro.
Na segunda-feira pós-primeiro turno, os retornos chegaram ao triplo do Ibovespa. Hoje o banco não vê mais oportunidades nesse tipo de estrutura, e está posicionado em opções de EWZ e juros.&nbsp;
“O mercado tirou o prêmio da mesa muito rápido e, além disso, o cenário externo ficou mais complicado, com a perspectiva de alta de juros lá fora, o aumento do petróleo e os protestos na Europa,” disse Henriques.&nbsp;
O multimercado BTG Pactual Synergy Equity Hedge está rendendo 5,8% em outubro, 13% no ano e 16% em 12 meses.&nbsp;
O <em>long-biased</em> Sinergy, do BTG, teve o maior retorno da classe em outubro, de 19%, e rendeu 21% no ano e 23% em 12 meses. Já o <em>long only</em> Absoluto teve uma rentabilidade de 20% em outubro, 26% no ano e 37% em 12 meses.
Fiel à estratégia de investir mirando o <em>compounding </em>de longo prazo, a IP não fez grandes mudanças no portfólio nem antes nem depois da eleição.&nbsp;
A carteira Brasil – que responde por cerca de 20% do fundo – é composta por ações de empresas que “funcionam bem nos dois mandatos,” como as de grandes bancos e <em>utilities</em>, disse Rodolfo Marinho, um sócio da IP. “Quando tivermos um cenário mais concreto e previsível para a economia e os juros, podemos avaliar outros setores, como o de shoppings.”
Outros 40% do fundo estão investidos em ações de empresas americanas, como a Mastercard, que deram bons retornos em outubro e ajudam a explicar o desempenho no mês.&nbsp;
“Dependendo do cenário, podemos também reduzir a exposição lá fora e investir mais aqui, reciclando esse capital,” disse Carolina Barbará, sócia e RI da IP.
Outros fundos que ficaram entre os mais rentáveis em outubro foram dois <em>long only</em> da Alaska – o Black, com retorno de 28%, e o Institucional Long Only, com 21%. Até setembro, estavam com desempenho negativo no ano.&nbsp;
Entre os <em>long-biased</em>, o Sharp rendeu 17% em outubro e o Squadra, 16,6%. Com isso, acumulam rendimentos de 12% e 18% no ano, respectivamente.&nbsp;
O fundo de pior desempenho no mês, segundo o levantamento da Outliers, é o Adam Advanced, que perdeu 10,5%. No ano, porém, o retorno é de 24,6% e, em 12 meses, de 23%.&nbsp;
]]></content:encoded>
    </item>
    <item>
      <title>Boeing 737 MAX 10: liberado para voar, 10 anos depois</title>
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      <pubDate>Wed, 21 Oct 2026 23:15:00 +0000</pubDate>
      <link>https://braziljournal.com/boeing-737-max-10-liberado-voar-10-anos-depois</link>
      <category><![CDATA[Aviação]]></category>
      <category><![CDATA[Turismo]]></category>
      <category><![CDATA[Boeing]]></category>
      <dc:creator><![CDATA[Pedro Borg]]></dc:creator>
      <description><![CDATA[Desde o anúncio em 2017 até sua liberação para uso comercial na terça-feira, o 737 MAX 10 – a aeronave da família 737 de maior capacidade – teve uma trajetória tortuosa, que exigiu mudanças no projeto no meio do caminho e agora finalmente chega ao fim. A FAA, a agência de aviação civil dos EUA, aprovou o modelo para uso comercial, permitindo que a Boeing comece a enviar às companhias aéreas as mais de 1.555 aeronaves já encomendadas.]]></description>
      <content:encoded><![CDATA[Desde o anúncio em 2017 até sua liberação para uso comercial na terça-feira, o 737 MAX 10 – a aeronave da família 737 de maior capacidade – teve uma trajetória tortuosa, que exigiu mudanças no projeto no meio do caminho e agora finalmente chega ao fim.
A FAA, a agência de aviação civil dos EUA, aprovou o modelo para uso comercial, permitindo que a Boeing comece a enviar às companhias aéreas as mais de 1.555 aeronaves já encomendadas.
O modelo é uma peça-chave na disputa da Boeing com a Airbus no mercado de aviões de corredor único, onde a empresa francesa leva vantagem sobre a americana com o seu A321neo, que tem maior alcance e leva mais passageiros do que o 737 MAX 10.
O <em>backlog</em> da Boeing para o modelo representa 32% das 4.867 encomendas da linha MAX e 23% do total de 6.863 pedidos em aberto.
As aéreas com maiores pedidos do 737 MAX 10 são a United, Alaska, American, Delta, Ryanair, Pegasus, WestJet, Vueling e SunExpress.
As entregas da aeronave começarão entre o final deste ano e o início de 2027. United e WestJet deverão ser as primeiras a receber o novo avião. A Ryanair, que tem 150 737 MAX 10 encomendados, espera receber a primeira aeronave do modelo no início do próximo ano.
O 737 MAX 10 comporta até 230 passageiros, comparado a até 195 do MAX 9 e 160 do MAX 7. A capacidade ampliada permite às companhias que já operam a família 737 MAX aumentar o porte das aeronaves em rotas com maior demanda.
O anúncio ocorreu no dia em que o secretário de Transportes, Sean Duffy, foi à fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington.&nbsp;
“Após extensas revisões de segurança, que incluíram milhares de horas de voos de teste, a equipe da FAA está pronta para aprovar esta aeronave para a venda,” disse Duffy.
Na fábrica, ele disse que os EUA querem vencer europeus e chineses e que, para isso, é preciso certificar aeronaves mais rapidamente e prometeu simplificar o processo.
A Boeing tenta certificar o MAX 10 desde o início da década passada. O avião foi lançado no Paris Air Show de 2017 e estava planejado para iniciar operação em 2020 — mas foi atropelado pela <a href="https://braziljournal.com/boeing-737-max-8-vira-dor-de-cabeca-para-a-gol" target="_blank" rel=""><strong><u>crise do 737 MAX 8</u></strong></a>.
Em 2018, duas aeronaves do modelo sofreram acidentes que mataram 346 pessoas. Análises mostraram que os dois acidentes foram provocados por falhas em sensores, fazendo com que a FAA exigisse mudanças nos aviões – tanto os que estavam operando quanto os que aguardavam certificação.
As melhorias incluíam atualizações no sistema de controle de voo, com um sensor de ângulo de ataque aprimorado.&nbsp;
Um problema no sistema anti-gelo nos motores do 737 MAX, surgido em 2023, atrasou ainda mais a certificação do MAX 7 e do MAX 10. Em agosto deste ano, a FAA <a href="https://www.faa.gov/newsroom/faa-statement-certification-boeing-737-max-7" target="_blank" rel=""><strong><u>aprovou o MAX 7</u></strong></a> após uma análise de mais de oito anos.
Os atrasos ajudaram o A321neo a ficar com uma fatia maior do mercado.
Visando reduzir a distância da concorrência, a Boeing inaugurou em julho uma nova linha de montagem em Everett, que deve elevar a produção mensal da família 737 para além de 47 aviões por mês.
Com a aprovação da FAA, o próximo passo é a aprovação da Transport Canada e da EASA, a agência de segurança aérea europeia, que deve acontecer nos próximos meses.
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