No Frango Assado e no Viena, um aumento de capital indigesto

Viena

Os controladores da International Meal Company (IMC), dona dos restaurantes Frango Assado e Viena, anunciaram um aumento de capital na empresa.

As novas ações serão vendidas a 4 reais cada, cerca de 20% abaixo do fechamento de ontem, de 4,94 reais.

O desconto parece apetitoso para novos acionistas, mas é indigesto para os atuais, que podem ser diluídos em até 63%.

A faixa dos valores pretendidos no aumento de capital tem tudo para gerar dúvidas no mercado. A IMC disse que quer captar no mínimo 100 milhões de reais e no máximo 575 milhões. Considerando que a empresa vale 400 milhões de reais na Bovespa, a diluição será de 23% ou ... 63%.

A empresa vai usar os recursos para diminuir o endividamento, que está em 4,2 vezes sua geração de caixa, mas, se sobrar dinheiro, pretende acelerar a abertura de lojas.

"Quanto mais o mercado acompanhar o aumento de capital, mais poderemos aproveitar oportunidades de crescimento, que são essencialmente orgânicas e em nossos mercados cativos - em particular nos aeroportos no Brasil e no Panamá - além de outros,” a IMC disse aos investidores ao anunciar seu resultado do terceiro trimestre ontem à noite.

A opção por um aumento de capital tão drástico sugere que as tentativas da IMC de vender sua operação no México não estão chegando a bom termo. No mercado, esperava-se que a venda do México levantasse 200-250 milhões de reais para a companhia.

Operacionalmente, a IMC continua a enfrentar desafios. Como percentual do faturamento, as despesas administrativas e com vendas da empresa subiram de 27,7% no terceiro trimestre do ano passado para 32,3% este ano, em parte devido a alugueis mais altos nos aeroportos do Brasil e do Caribe.

A inflação no Brasil, de forma geral, ajudou a piorar as coisas. Os gastos maiores com alugueis e despesas de vendas fizeram a margem EBITDA colapsar 4,6 pontos percentuais para 6,3%. O Brasil responde por 50% do faturamento e apenas 34% do EBITDA da IMC.

“Este não foi um bom trimestre para a companhia, e nossas estimativas e preço-alvo estão sujeitos a revisões significativas (para baixo) como resultado da fraqueza no Brasil,” Joaquin Ley, que cobre a empresa no Itaú, disse em relatório a clientes.

Fundos geridos pela gestora de private equity Advent são os principais acionistas da IMC.