Discutindo o futuro... sob a égide do passado

O juiz Sérgio Moro, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e alguns presidenciáveis certamente não devem ter reparado quem é o 'patrocinador master' do evento “Amarelas ao Vivo: O que esperar de 2018 na economia, política e sociedade", do qual devem participar no mês que vem.

Trata-se da Refinaria Manguinhos, um dos maiores devedores contumazes de impostos do Brasil.

A empresa, que deve mais de R$ 5 bilhões somente em ICMS, é acusada pelo próprio Governo de São Paulo de usar a inadimplência fraudulenta como modelo de negócio.

Dez executivos da refinaria são réus por apropriação indébita. Há ainda em curso investigações por formação de organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O Estado de São Paulo, a quem Manguinhos deve R$ 1,8 bilhão, já pediu a falência da refinaria, que se encontra em recuperação judicial.

O dono de Manguinhos é Ricardo Magro, amigo e ex-assessor jurídico de Eduardo Cunha. Em 2010, a Polícia Civil do Rio interceptou conversas de Magro com Cunha durante a Operação Álquila, lançada para investigar um esquema de fraude fiscal envolvendo Manguinhos.

No ano passado, Magro foi detido pela Polícia Federal, que investiga sua participação em desvios nos fundos de pensão Petros e Postalis. Ficou três dias preso em Bangu 8, e já foi investigado em quatro operações.

Mesmo no auge da Lava Jato, o Brasil continua sendo um país de paradoxos: no evento do mês que vem, a discussão sobre o futuro do País será bancada pelas práticas do passado.