Aldi e Target mostram o poder do ‘last mile’ no varejo

Duas transações anunciadas nas últimas 48 horas mostram como o varejo tradicional está rebolando para controlar a chamada 'última milha': entregar ao consumidor a mercadoria que ele não quer mais ir à loja buscar.

A Aldi — uma rede alemã de supermercados — disse que vai usar a Instacart para entregar mercadorias em três cidades dos EUA: Los Angeles, Atlanta e Dallas.

A parceria com a Instacart — uma startup gigante especializada em logística de entrega para supermercados — permitirá que os clientes comprem mercadorias nas lojas da Aldi pelo site e pelo aplicativo da Instacart. A Instacart cobra uma taxa de entrega, pega os produtos na loja e entrega na casa do cliente em apenas uma hora. Outros varejistas que usam os serviços da Instacart incluem Target, Whole Foods e Costco.

Com o acordo — que pode ser expandido para mais cidades — a Aldi está tentando estrear nas vendas online: hoje, apesar de ter 1.600 lojas nos EUA, a Aldi sequer tem um site de ecommerce. (Agora, não dá mais pra ignorar o ecommerce: os alemães querem aumentar sua presença nos EUA para 2.500 lojas até 2022, num investimento de US$ 3,4 bilhões.)

Apesar de todo o crescimento do ecommerce, ninguém ainda conseguiu acertar o 'last mile' de supermercados.

A Amazon criou o Amazon Fresh, mas o piloto da companhia em Seattle nunca ganhou muita tração. Recentemente, a companhia comprou a Whole Foods para criar uma logística integrada, juntando as lojas físicas e seus centros de distribuição. Já o Wal-Mart — o gigante agora ameaçado pela Amazon — não entrega as compras dos clientes, mas recentemente desenvolveu uma solução intermediária: o cliente compra pelo site, um funcionário junta os produtos e empacota, e o cliente passa na loja para o ‘pickup'.

Na segunda transação, a Target — uma espécie de Lojas Renner dos EUA — anunciou que está comprando uma empresa de software que gerencia entregas de produtos no mesmo dia.

A Grand Junction, uma startup com sede em São Francisco, faz a ponte entre varejistas e uma rede de mais de 700 empresas de entrega na América do Norte. (A Target conhece bem a empresa porque a Grand Junction já é responsável pelo ‘same-day delivery’ de uma loja que a companhia tem em Manhattan.)

Segundo a Bloomberg, a compra da Grand Junction é parte de uma ampla reformulação da logística da Target. “A companhia quer aumentar a eficiência e rentabilidade do negócio online, que sofreu nos últimos anos com o vazamento de dados confidenciais de seus clientes, quedas do site e a saída do executivo encarregado do ecommerce da empresa” no ano passado, disse a Bloomberg.

No último trimestre reportado, as vendas online da Target cresceram 22%; as do Wal-Mart, 63%.